Olá, meus fantásticos.
Fale o que quiser dos filmes do Quarteto Fantástico, mas uma coisa é indiscutível, eles tentaram várias vezes.
Depois da catástrofe de 1994, que nunca viu a luz do dia, a Marvel ganhou uma nova vida nos anos 2000. Seus direitos estavam fragmentados entre várias produtoras — o Homem-Aranha com a Sony, por exemplo — e a 20th Century Fox ficou com os X-Men, iniciando sua primeira adaptação para os cinemas no começo da década. O resultado? Um sucesso que nem preciso comentar. Mas além dos filhos do átomo, a Fox também detinha os direitos da primeira família da Marvel.

Ioan Gruffudd como Sr. Fantástico, Jessica Alba como Mulher Invisível, Chris Evans como Tocha Humana e Michael Chiklis como O Coisa
Quarteto Fantástico (2005)
Em 2005, a Fox decidiu apostar em outro grupo clássico da Marvel e lançou Quarteto Fantástico, com uma roupagem moderna. No enredo, vemos a história clássica: um grupo de cientistas é atingido por uma tempestade cósmica e ganha superpoderes. Sem grandes segredos. No entanto, nessa versão, Victor Von Doom também participa da expedição, sofre os efeitos da radiação e decide usar seus poderes para o mal.
O filme, apesar de suas limitações, recebeu críticas relativamente positivas na época do lançamento e conseguiu garantir uma continuação — que foi, no mínimo, bizarra.

Divulgação 20th Century Fox
Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007)
redor do mundo, causados por uma força cósmica misteriosa. Por isso, o exército convoca Reed para ajudar, mas ele precisa equilibrar essa missão com os preparativos do seu casamento com Sue. Logo, eles descobrem que os distúrbios vêm do memorável Surfista Prateado. Assim, o grupo percebe que o destino do planeta está em jogo. Afinal, o Surfista é apenas o arauto de algo ainda mais poderoso: o devorador de mundos, Galactus.
No entanto, o filme não agradou nem a crítica nem o público, o que acabou afundando a franquia por quase 10 anos. Por outro lado, um ponto positivo da produção é o elenco. Por mais discutível que seja, o grupo tem carisma: um Senhor Fantástico nerd e meio bobo, uma Mulher Invisível carinhosa — porém bem inútil —, um Coisa de borracha que traz uma certa nostalgia, e um Tocha Humana vivido por Chris Evans — que, mais tarde, se tornaria o nosso querido Capitão América.
Além disso, o roteiro raso dos dois filmes, somado a um tom quase infantil, prejudicou bastante o resultado. Com o tempo, o longa envelheceu mal — diferente dos filmes dos X-Men, que claramente receberam mais atenção na direção e no roteiro.
Até então, achávamos que não tinha como piorar. Mas, tinha.

Miles Teller como Sr. Fantástico, Kate Mara como Mulher Invisível, Michael B. Jordan como Tocha Humana e Jamie Bell como O Coisa // Divulgação 20th Century Fox
Quarteto Fantástico (2015) (Fant4stic)
Fant4stic foi dirigido por Josh Trank e tentou seguir os passos mais sombrios da DC daquela época. A trilogia Batman, de Christopher Nolan, havia acabado de ser concluída, e a DC começava uma nova fase com O Homem de Aço. Naquele momento, o mercado de super-heróis estava obcecado em ser “sombrio e realista”. E, claro, alguém achou que seria uma boa ideia aplicar essa mesma abordagem ao Quarteto.
Josh Trank, que comandou o elogiado Poder Sem Limites — um filme de superpoderes no estilo found footage — chamou atenção suficiente para que a Fox o colocasse à frente de um projeto tão grande. Mas sejamos honestos: ele ainda não tinha experiência para liderar uma franquia tão icônica logo de cara.
Desde o início, Trank e a Fox bateram de frente. O diretor queria algo mais voltado para a ficção científica, um drama denso inspirado no universo Ultimate da Marvel. Já o estúdio buscava um blockbuster tradicional, daqueles bem “pipocão de shopping”. O resultado? Conflitos constantes, cortes de orçamento, refilmagens forçadas e, no fim, a Fox afastou Trank da pós-produção. Eles não o demitiram oficialmente, mas surgiram diversos relatos de atritos com o elenco, comportamento difícil no set e divergências criativas. No fim das contas, Trank perdeu o controle da versão final do filme.
E dá para perceber isso. Na primeira metade, quando os personagens se conhecem e até ganharem seus poderes, o filme mantém um tom mais contido, com a cara do diretor. O sofrimento deles ao lidar com as mutações — sem entender o que acontece — é até interessante. Só que, depois disso, o longa mergulha no genérico: cenas de ação sem impacto, lutas sem ritmo e um vilão que… pelo amor de Stan Lee, que vergonha.

Toby Kebbell como Doutor Destino
Na trama, Reed Richards é recrutado para um projeto que busca explorar outras dimensões. Às escondidas, ele realiza um teste proibido ao lado de seu amigo Ben, do jovem Johnny Storm e de Victor. Eles quase não conseguem voltar da dimensão paralela, e a exposição à radiação daquele universo altera seus corpos de forma permanente.
Reed foge como um covarde, deixando os outros para trás. Já Victor retorna mais tarde como um tipo de C-3PO do mal — só que sem carisma, sem propósito e sem lógica visual. O filme, como era de se esperar, fracassou feio. E mesmo com alguns rumores sobre uma possível continuação, nada de útil saiu dali.
A única coisa que realmente se salvou foi Michael B. Jordan, que mais tarde retornaria ao universo Marvel como o aclamado Killmonger em Pantera Negra.
Disney compra a Fox.
Em março de 2019, a Disney oficializou a compra da Fox. Com isso, a Marvel Studios finalmente ganhou acesso a personagens que antes estavam fora do seu alcance — como os X-Men e o Quarteto Fantástico. Depois de anos de especulação sobre quando e como a equipe seria introduzida no MCU, o novo filme foi enfim confirmado, com um elenco de peso e uma proposta visual completamente nova.
Na nova trama, a equipe vive em uma Nova York retrofuturista, localizada em outro universo. Sue Storm (Vanessa Kirby) está grávida de Reed Richards (Pedro Pascal), e o Quarteto virou uma espécie de grupo de celebridades — quase como os Beatles da ciência. No entanto, tudo muda quando uma figura misteriosa surge do espaço: a Surfista Prateada, que chega anunciando ninguém menos que Galactus.
Diante da maior ameaça que já enfrentaram, o grupo precisa encontrar uma forma de impedir que o planeta seja devorado. A direção fica nas mãos de Matt Shakman (WandaVision), e o filme estreia nos cinemas em 25 de julho de 2025.
