Mais um nacional encantador
Estamos em uma segunda-feira, 18h33 da tarde, num bairro qualquer da zona noroeste de Belo Horizonte, e eu queria muito estar na Bahia, em Arraial d’Ajuda, pulando de parapente.
Mas a Hospício Nerd não me dá sossego e me coloca na função de trazer essas pílulas cinematográficas. Será que algum dia um animal divino vai aparecer, tipo um tigrinho, e me fazer ganhar muito dinheiro pra comprar minha liberdade?
Pois bem, é mais ou menos nesse clima que O Último Azul transita para contar sua história: às vezes cativante, às vezes entediante. E cá estou eu para dar minha opinião sobre essa obra.
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SINOPSE
Em O Último Azul, um Brasil distópico impõe uma política de exílio forçado contra os idosos. A justificativa é simples (e cruel): liberar os jovens para produzirem sem se preocupar com os mais velhos. Assim, o governo transfere os idosos para colônias habitacionais, onde supostamente podem “desfrutar” de seus últimos dias.
É nesse contexto que conhecemos Tereza, uma mulher de 77 anos que vive numa cidade industrial da Amazônia. Quando chega sua hora e ela recebe a ordem de abandonar sua casa para viver na colônia, Tereza decide realizar um último desejo antes de ser compulsoriamente expulsa. Ela embarca, então, numa viagem pelos rios da região — sem imaginar que esse caminho mudará o rumo de sua vida para sempre.
O FILME É BOM?
Sem dúvidas, é um filme muito bom — mas que poderia ter se explorado mais. O roteiro de Gabriel Mascaro e Tibério Azul é envolvente e traz aquela ideia de: “a ficção é a mentira que mostra a verdade”.
Enquanto denuncia o descarte dos idosos, também fala sobre a exploração massiva da juventude, que alimenta um sistema aparentemente amigável, mas que na real funciona como uma verdadeira “máquina de louco”, como já canta o BaianaSystem.
A direção opta pelo aspecto ratio 4:3. Imagino que seja uma escolha para dialogar com a sensação de antiguidade que permeia o argumento. Mas, sinceramente, achei uma pena, porque a fotografia deslumbrante e as paisagens desse filme são um dos pontos que mais me mantiveram imerso. Ainda assim, não chega a comprometer a experiência.
No fim, é um filme que consegue se levar de forma leve, apesar do clima tenso dessa verdadeira “caça aos velhos”.
É um filme que mostra que até no fim da vida ainda dá pra existir começo. E isso, pra mim, já vale o ingresso.
