Embora, com um filme recheado de fofura animalística,O filme Grande Prix seja sobre corrida e sobre animais fofos, ele exibe um design aparente e metade do filme está cheia de efeitos visuais, cortes e transições.
Por mais que seja classificação livre, hoje, com o filme dublado no meu idioma natal, eu pude observar com mais carinho todos os detalhes desse filme que é para crianças e público infantil. E digo para você, caro leitor que nos acompanha aqui no Hospício Nerd, que em minha opinião, posso te informar se esse filme está aprovado em alguns parâmetros do cinema para o seu filho ou sua filha ou seu filhe.

Fofo e com design atraente
Eu achei esse filme muito fofo. Lógico: várias transições, cortes, por se tratar de um filme de corrida; a dinâmica de transe-sono de velocidade não é tão suave visualmente, por assim dizer, por se tratar de cenas de corrida, não é muito suave visualmente. Quanto ao Mario Kart — é um filme-jogo onde é uma corrida e os elementos de sabotagem dificultam os outros jogadores. Mas, ao contrário desse, no Grande Prix, todos os jogadores correm, “corretamente, honestamente”.
Porém, é dos próprios criadores do jogo/organizadores da corrida — ali de um filme onde os desafios nas pistas dificultam os jogadores de chegar até o final. Isso é muito interessante.
E temos uma ratinha muito fofa: ela mora no circo — ou melhor, um circo quase parque de diversões — onde assume responsabilidades de ajudar o pai a cuidar daquele lugar. No entanto, ela é uma mocinha muito atrapalhada, um filme de entender com a menina todas as dificuldades de ter foco, de até mesmo cuidar dessas habilidades por várias atrapalhadas que ela tem naquele local.

Um bom ou péssimo exemplo pra criançada?
Ela tem seu hiperfoco em corrida, sendo apaixonada, uma fã lunática acerca do corredor número 1 desta corrida — onde é o jogador, o corredor mais famoso daquela temporada desse esporte. E o filme, ele tem algo que achei muito interessante: ele não aborda tanto essa questão de patrocínios, né? Porque corridas têm muita aquela coisa de marcas patrocinadoras. Não sei se essas marcas não quiseram patrocinar este filme ou não sei por que, mas talvez por ser para criança então as marcas ficaram respeitosas quanto à participação nisso.
O merchan foi censurado aqui, e gostei disso
Então, nesse filme, os personagens não tiveram aquela coisa de hard patrocinada por fulano, beltrano ou ciclano e variados — foi muito respeitoso quanto a isso. Mas o filme traz essa coisa de “lutar pelos seus sonhos”. Ele brinca muito com essa dinâmica de “quem tem um rosto bonzinho é a pessoa boa”, o Gui (o personagem que tem um rosto, uma presença carregada) é um vilão perigoso — e achei muito maravilhoso que o diretor conseguiu me enganar também. Embora o personagem tenha um corvo todo escuro, todo de jaquetão, todo paramentado, todo negro, pá, fala devagar, voa silenciosamente como é o corvo na vida real.
É o 13 que é o M de maluco?
Um detalhe que me chamou muita atenção foi o número 13 na jaqueta de couro do corvo, que me lembrou muito sobre uma das insígnias presentes nos motoclubes do mundo afora, onde o 13 tem uma característica específica dessas pessoas. Pelo menos eu, que circulo no motoclubismo, pude perceber essa referência. E comecei a ficar desconfiado: poxa, como que eles pegaram esse elemento, colocaram neste personagem que era o corvo e o pintaram como vilão? Conforme vai passando o enredo e a gente começa — pelo menos eu assistindo o filme — comecei: poxa gente, o corvo é vilão mesmo. Eles colocaram “bicho” como maldoso (e eu gosto dos corvos).

Plot twist cênico? Sim!
E mais — no final do filme, descobre-se que o vilão não era o corvo, era outro: era um urso que aparentemente era muito fofo, sempre ganhava o segundo lugar, e era quem as pessoas nunca imaginariam que poderia ser o vilão de fato que estaria sabotando as corridas, o que era algo totalmente contra as regras. Para criança que assiste isso é muito legal: trazer a criança para refletir que nem sempre aquela pessoa que sorri demais — o tempo todo, com cara de fofo/bonzinho — é uma boa pessoa; pode ser uma pessoa muito ruim disfarçadamente. É um tipo de coisa legal para mostrar para as crianças.
E então, qual é o parâmetro? O corvo que pareceu ser uma criatura do mal, mas não era. Mesmo que, no final da corrida, quando ele ganha o primeiro lugar, ele tem um momento de reconhecimento muito grande com a personagem, a ratinha do circo que, por uma infelicidade, machucou o rato principal — “Ratinho” — isso, o rato principal que era o número 1, tal do Ed. Ela fez boas corridas no lugar dele. E ele também traz essa coisa do trauma: ter crescido em orfanato, não ter perdido os amigos, ter se tornado uma pessoa arrogante e ter ficado longe disso.
O filtro da infância foi bem preservado
No filme, você olha para o filme e pensa: a ação, quase que criaturas infantis — elas foram infantilizadas, por assim dizer — são animais “infantilizados”. Você olha de um olhar fofo imaginando “são todos criancinhas”, como se fosse, mas de fato todos são adultos. Eu entendo isso porque tem uma foto do Ed, do Ed com uma outra — tinha “empre…” seria dizer grávida, qual é a melhor descrição? — e tem um olhar triste quando se olha para aquela foto e ele não está mais, ele está sozinho, não tem uma aliança. Esses detalhes foram muito colocados no cenário e muitos também estão… entende que todos os animais ali são adultos e conscientes. O filme mostra sobre agiotagem, mostra como os animais são presos, mas o trabalho foi muito delicado, muito atencioso.
Conclusão? Classificação livre
Você vê que é um filme de classificação livre, mas super atende também a bons e vários critérios da produção de cinema. Então para criança epiléptica: tome cuidado por causa de muitos feixes de luzes e essas transições rápidas — visualmente é um filme muito visualmente agradável, o enredo agradável. E então eu posso dizer que eu gostei muito desse filme que eu vi hoje — “Oscar fora de cogitação”, mas é um bom filme para se levar a criança, dá para assistir no cinema com pipoca e todo o combo que tiver disponível quando se fala “vou no cinema assistir um filme”.
