Eu pensei que ia assistir esse filme só pra pegar no sono… Mas no meu caso aconteceu exatamente o contrário. Não tive uma boa noite de sono — e digo isso no melhor sentido possível. O filme foi tão bom (Em minha opinião) que eu passei boa parte da madrugada acordado, refletindo sobre tudo que ele apresenta.
“Como assim justiça Artificial?”
Pra você que está chegando agora ou pesquisando na internet sobre o que se trata esse filme, a história gira em torno de um possível futuro (ou talvez nem tão distante assim… vai saber como as coisas andam nesse mundo).
A ideia central é simples e assustadora ao mesmo tempo: terceirizar o sistema de justiça para uma inteligência artificial.
Nos Estados Unidos — claro, né? — decidem criar um sistema onde os julgamentos deixam de passar por todo aquele processo lento envolvendo juízes, promotores, advogados, coleta de provas, recursos e burocracias intermináveis. Em vez disso, entra em cena uma IA que funciona como juíza, promotora e executora ao mesmo tempo. chamada de Mercy, a meritíssima, advogada, promotora e executora. Mais insana que o STF daki do Brasil.

O que faz essa Versão unificada do GeminI?
Ela analisa todas as provas possíveis: fotos, vídeos, arquivos, depoimentos, registros digitais… tudo. Com um processamento absurdo, a máquina cruza os dados e determina o grau de culpabilidade. E o sistema promete algo que parece perfeito demais para ser verdade: 100% de taxa de sucesso nas condenações.
Se o algoritmo determina que a pessoa tem 97% ou 99,99% de culpa pelo crime… a sentença é executada na hora. Literalmente. A pessoa é executada ali mesmo. Só que existe uma chance, 90 minutos para provar a inocência.
E é aí que o filme começa a ficar tenso. Pelo menos pra mim foi assim, se o acusado tiver algum conhecimento jurídico ou conseguir usar bem os mecanismos do sistema, talvez exista uma mísera chance de defesa. Mas imagina uma pessoa comum, desesperada, tentando argumentar com uma inteligência artificial fria e lógica… sem entender direito quais recursos pode usar.

Aí que mora o perigo e ainda caio nisso…
A história fica ainda mais interessante quando descobrimos que o próprio detetive que ajudou a implementar esse sistema acaba sendo acusado de matar a própria esposa. E isso não é spoiler — aparece no trailer e na sinopse do filme, blz?
No início, a primeira pessoa julgada pelo sistema foi condenada com 99,99% de certeza e executada. Resultado? A criminalidade despencou na região, o que fez o governo querer expandir ainda mais essa tecnologia. Mas quando o detetive cai na cadeira de julgamento… a coisa muda de figura. E aqui eu preciso elogiar muito a direção e a edição do filme.
Porque enquanto a IA apresenta as provas, os fatos e a reconstrução do crime… eu comecei a pensar:
“Caramba… esse cara é culpado mesmo.” Tudo parecia apontar para isso. Mesmo ele dizendo que era inocente. Só que aos poucos começam a surgir pequenas inconsistências. Dúvidas. Detalhes que não batem perfeitamente. E como o personagem é um detetive, ele conhece os caminhos da investigação. Mesmo com o tempo correndo contra ele — porque 90 minutos passam voando — ele começa a tentar reconstruir os acontecimentos.
O mais angustiante pra mim, é que muitas coisas que poderiam ajudar na defesa são extremamente burocráticas: falar com testemunhas, acionar registros, acessar pessoas presas, validar provas… Coisas que no mundo real demorariam horas ou dias. Mas ali não. Você tem menos de uma hora! seu tempo esta acabando! dizia Mercy.
E o mais interessante é que a própria IA, em alguns momentos, toma decisões práticas para acelerar processos que normalmente demorariam muito. Não sei dizer se aquilo seria ético… mas dentro da lógica da máquina, fazia sentido.

Quase acreditei que o cara era de fato culpado
E quando o filme começa a abrir uma pequena possibilidade de que o detetive talvez seja inocente, a história ganha outra energia. As reviravoltas começam a aparecer e a tensão cresce de verdade. Teve momentos em que eu fiquei tipo: “Nuuuuuuuu… não acredito nisso!”
Porque o roteiro consegue brincar com a percepção do espectador. Uma hora você tem certeza da culpa… na outra você começa a duvidar de tudo. No final das contas, Justiça Artificial é um filme muito interessante, especialmente pra quem gosta de histórias envolvendo tecnologia, ética e os perigos da automação total das decisões humanas.
E eu super recomendo assistir — gostando ou não da temática. Principalmente se você é uma dessas pessoas que ficam pensando nas teorias sobre inteligências artificiais dominando decisões humanas ou nas possíveis “guerras tecnológicas” do futuro tipo a Sky Net.

Deu roer as unhas de tanta tensão
Confesso que eu não fico desesperado com essas coisas… mas elas me deixam bem pensativo, sou do tipo que da bom dia pra IA, vai que neh… E se eu perdi uma noite de sono por causa desse filme… foi no melhor sentido possível.
Porque quando finalmente dormi, dormi bem. Mas sonhei que estava dentro da história, observando tudo de perto, tentando entender como aquele sistema foi criado e até onde aquilo poderia chegar. Mesmo com um elenco relativamente enxuto e algumas soluções tecnológicas meio improvisadas na narrativa, o filme consegue sustentar bem a tensão e a reflexão.
No fim das contas, é aquele tipo de obra que te faz sair pensando: “Será que um dia a gente vai confiar nossa justiça… a uma máquina?” Eu espero que não. Mas depois desse filme… fiquei bem menos confiante nessa resposta.
