Salve, salve, Hospicianos!
Chego com mais uma pílula disfarçada de resenha, naquele nosso velho esquema de cinematotráfico. E já fica o aviso: essas pílulas vêm carregadas de OPINIÃO — uso sem moderação pode causar efeitos colaterais.
Hoje é dia de falar de Segredo Obscuro, dirigido por Max Minghella, com roteiro de Jack Stanley.

E vamos direto ao ponto: Segredo Obscuro não é um bom filme. Já SHELL… esse sim entrega o que promete.
E aqui começa o problema. Essas traduções de título simplesmente sabotam a experiência. Você entra esperando uma coisa e recebe outra completamente diferente. Isso, pra mim, quebra o entendimento — ainda mais quando estamos falando de um filme com identidade forte, claramente autoral, com proposta bem definida.
Esse é o segundo trabalho do Max Minghella como diretor, e preciso admitir: ele me ganhou no começo. Nos primeiros minutos, meu sensor crítico (aquele bem ranzinza) ficou quieto. E isso é raro. Fiquei imerso até mais ou menos a metade do filme — o que, por si só, já é um bom sinal.
Visualmente, o filme é uma homenagem escancarada aos anos 80. Aquelas tecnologias que hoje são banais, mas que naquela época tinham um charme quase futurista. A estética funciona, e funciona bem.
O problema é que, apesar dos acertos, dá pra sentir o peso da indústria. Parece que o filme foi comprimido, espremido até perder parte do impacto. Não é uma obra redonda.
Ainda assim, é bem dirigido e fiel à própria proposta. Não é um filme que vai mudar sua vida, mas deixa momentos interessantes — inclusive alguns em que eu ri de nervoso, o que, convenhamos, é sempre um bônus.
Só que, quando chega no final… desanda. A conclusão é apressada, quase desesperada, e isso me tirou completamente da imersão. Aí sim, meu lado ranzinza acordou sem dó.
No fim das contas? Não é memorável, mas também não é descartável.
Dá pra assistir.
By: Ranne Artur.
