O marketing fez o trabalho dele muito bem, porque o filme em si não é nenhuma obra-prima.
Ainda assim, valeu demais a pena assistir. Dei boas risadas com várias sacadas, algumas ingênuas, outras completamente sem noção. Logo de cara, adorei a forma como apresentaram tanto personagens antigos quanto os novos. E, como já era esperado de Todo Mundo em Pânico, o filme que passa o tempo inteiro provocando, tirando sarro de culturas, gêneros, tendências e estereótipos sem poupar absolutamente ninguém. O próprio marketing já deixou claro que a intenção era desagradar a Geração Z, e a produção realmente distribui piadas para todos os lados de maneira igual. (ESSA RESENHA É BASEADA NA MINHA OPINIÃO – HENRIQUE PHENIATO)

Uma boa edição, com efeitos clássicos de terror, mesmo cômico
Uma das coisas que mais me impressionou foi o trabalho de edição. As transições, os cortes e, principalmente, as constantes quebras da quarta parede ficaram sensacionais. Em vários momentos parecia que os roteiristas de Deadpool tinham dado uma ajudinha, enquanto outros me lembravam muito o humor absurdo de Uma Família da Pesada, hahaha socorro!

A interação entre os personagens, as referências a outros filmes e até os olhares diretamente para a câmera criam uma cumplicidade muito, mas muiro divertida pra mim. Dá para perceber que a essência da franquia continua viva: trocadilhos ruins, piadas forçadas, humor politicamente incorreto e situações tão idiotas que acabam funcionando justamente por serem absurdas. Tem uma cena em que um personagem tenta esfaquear alguém, erra o golpe, acerta um desenho na parede… e o desenho grita de dor! É um nível de besteirol que não faz o menor sentido, mas que me arrancou boas gargalhadas.

Tantas referencias, parecia até um episodio do Family Guy
A história não traz grandes reviravoltas, mas também não parece preocupada com isso. O foco é costurar piadas e referências o tempo todo. Para mim, a principal inspiração parece ter sido Premonição 6, usando aquela ideia de perseguição inevitável, só que misturada com elementos de outros clássicos do terror. Em vários momentos a trama lembra um jogo de “quem morre agora?” enquanto encaixa referências, easter eggs e sátiras de dezenas de filmes diferentes. Acho que uma das maiores graças da experiência foi justamente reconhecer essas homenagens. Tive a sorte de já ter assistido boa parte dos filmes citados e consegui pegar muitas das piadas internas. E quando eu não entendia alguma referência, o próprio filme brincava com isso. Em uma cena, um personagem comenta algo como: “Lógico, um filme ruim que ninguém assistiu”, olha diretamente para a câmera… e pronto, a piada funciona mesmo para quem ficou perdido.
Quebra da quarta parede…
Nem todas as piadas acertaram comigo, é verdade. Em alguns momentos senti até um certo tédio e pensei: “Será que falta muito para esse filme acabar?”. Só que bastava acontecer mais uma sequência completamente maluca para eu voltar a rir. A sátira envolvendo A Substância foi ótima, e a brincadeira com uma suposta ideia de As Branquelas 2 me pegou completamente de surpresa. Quando um dos próprios atores praticamente manda um “Nem fudendo!”, eu simplesmente perdi tudo. Ri alto. Não consegui acreditar que eles realmente fizeram aquilo… e fizeram mesmo. Além disso, o filme ainda guarda algumas participações especiais de pessoas muito conhecidas, daquelas que você jamais imagina que vão aparecer, mas aparecem e ainda entram na brincadeira mantendo o clima de insanidade até o fim.
Politicamente incorretos com verdades discretas
Talvez o maior mérito de Todo Mundo em Pânico 6 em minha opinião, seja justamente esse ninguém escapa da zoeira. O filme tira sarro de negros, brancos, asiáticos, religiosos, influenciadores, cultura pop, movimentos sociais, celebridades e até do próprio cinema. Inclusive há piadas envolvendo o filme do Michael Jackson lançado este ano e referências a temas delicados, como o caso da ilha de Epstein. Em vez de transformar esses assuntos em discursos, o longa usa o humor para provocar reflexão sem perder a identidade da franquia. É claro que muita gente vai se incomodar, principalmente porque hoje existe uma cultura muito mais sensível a esse tipo de piada. Mas, dentro da proposta do filme, ninguém recebe tratamento especial: todo mundo vira alvo. E talvez seja exatamente por isso que a sátira funcione tão bem. No fim das contas, gostei bastante da experiência. Talvez, revendo o filme, eu encontre ainda mais camadas de referências escondidas no cenário, nos diálogos e nas pequenas piadas que passam despercebidas na primeira sessão.
Teve 2 cenas pós créditos, é muito cedo pra falar do 7mo filme da franquia??? aguardemos…
