Isso mesmo: um dorama sem japonês, com um elenco completamente russo!
E eu, com meus 30+, assistindo a isso com uma vontade quase física de vomitar. Não por ser algo fofinho, mas porque é um romance adolescente que, sinceramente, não me agregou muita coisa em termos de história. Estou quase achando que estou pagando pelos meus pecados. (Digo tudo isso nessa resenha, baseada na minha opinião sobre o filme). Que vai estrear no dia 20/08/2026

O filme conta uma história bonitinha, baseada em uma obra que eu ainda não sei se vou pesquisar melhor, porque confesso que não consegui entender exatamente qual foi a proposta original. A historinha em si funciona, mas não tem aquele TCHAN! de “uau, que filme interessante!”. É praticamente uma releitura de vários clássicos do cinema adolescente: garota muda de cidade, começa uma nova vida com os pais, entra em uma escola nova, tem aquela situação de família, relacionamentos e bulling, pronto, temos o pacote completo. O problema é que o filme apresenta algumas perguntas interessantes e, quando você começa a pensar no que está acontecendo, ele simplesmente se prolonga até entregar absolutamente todas as respostas.
Bem Netflix (tem que explicar pra geração “Z” que o assiste)
E aqui está uma das coisas que mais me incomodaram: o filme parece ter medo de que eu seja burro. Quando você acha que vai acontecer uma reviravolta ou que determinada cena vai deixar alguma coisa para você interpretar, o roteiro vem e explica. Explica de novo. E, se bobear, coloca uma placa dizendo: “É ISSO QUE ACONTECEU, ENTENDEU?”. Eu não precisava disso! Cinema também é deixar o espectador pensar, deduzir e interpretar.
Pode até existir uma dúvida durante a história, e isso é interessante, porque dá vontade de pesquisar depois, entender melhor a obra e descobrir até onde aquilo foi baseado no material original e onde entrou o dedo do roteirista. Só que o filme parece não confiar no próprio público. Quando eu começava a, formular uma teoria, ele já entregava a resposta, sentia uma dúvida, ele resolvia, começava a apreciar a poesia de uma cena, vinha o roteiro e dizia: “Relaxa, eu explico!”. Obrigado diretor, mas eu sei pensar.
Deu tédio, mas se salvou
Confesso que em alguns momentos comecei a achar que ia dormir. Algumas cenas são tão clichês e tão pouco aprofundadas que parecia que eu estava assistindo a uma versão russa de alguma mistura de romance adolescente com Crepúsculo. Porém, quando eu estava quase desistindo, a fotografia me puxava de volta. O diretor de fotografia manda muito bem em alguns momentos, utilizando ângulos mais ousados e, em outros, enquadramentos extremamente simples, mas muito bem executados. Foram poucos momentos, é verdade, mas foram justamente aqueles que conseguiram recuperar minha atenção quando o roteiro começava a ficar forçado demais. A trilha sonora também ajuda bastante.
É curioso que o filme conseguiu mexer com minhas emoções, mesmo com todos os problemas: eu senti ódio de personagem, torci por outro, fiquei tentando entender determinadas atitudes e, por alguns momentos, realmente quis saber onde aquela história iria chegar. O problema é que, justamente quando eu queria descobrir sozinho, o filme já me dava a resposta mastigada.
Fui fraco, o diretor me manipulou por um momento
E aí chegamos ao final. Por um breve momento, eu achei que o diretor tinha conseguido me manipular de uma maneira genial. Existe uma cena que me fez lembrar A Origem, aquele filme do Leonardo DiCaprio em que ele gira o pião e fica aquela dúvida maravilhosa: o pião caiu ou continuou girando? O personagem estava sonhando ou não? Eu queria acreditar que o final de Coração Partido estava fazendo algo parecido.
Queria acreditar que o diretor tinha preparado uma última cartada para me deixar pensando depois dos créditos. E, por alguns segundos, eu realmente comprei essa ideia. Só que não. O filme resolveu entregar um final feliz, bonitinho, fofinho e explicadinho. Os personagens entregam a história, a história entrega a resposta e a magia vai embora. Eu queria acreditar que havia algo muito maior por trás daquela cena final, mas a realidade é que provavelmente fui eu tentando encontrar poesia onde o roteiro decidiu colocar um laço de presente.
No fim das contas, Coração Partido não é exatamente um filme ruim, mas também está longe de ser bom. É um trabalho que poderia ter sido muito mais bem desenvolvido, principalmente no aprofundamento dos personagens e na construção da narrativa. É um filme muito “doramizado”, desde o desenho jovial dos personagens até a maneira como os conflitos são apresentados. Eu confesso que torci para acabar logo em alguns momentos, mas também reconheço que ele conseguiu provocar algumas reações em mim — ódio, raiva, curiosidade, torcida e até uma certa expectativa pelo final. Se eu tivesse que dar uma nota de 0 a 10, ficaria em 4/10. Esses quatro pontos vão para a fotografia, a trilha sonora e algumas poucas ideias interessantes no roteiro.
O restante deixou bastante a desejar. Para uma sessão de cinema, sinceramente, não acho que valha muito a pena. Talvez funcione melhor em casa, numa sessão da tarde entre adolescentes, principalmente se alguém indicar muito bem. Mas gosto é gosto. Entre os filmes que já assisti aqui pelo Hospício Nerd, já teve filme que eu não gostei e que acabou ganhando Oscar — e é justamente isso que torna esse hospício divertido: cada um dá sua opinião, expõe seus gostos, seus desejos e suas loucuras. No final, eles estão ganhando dinheiro e eu continuo pobre. Hahahahahaha!

