Bonito, porém problemático!
No dia 25 de setembro deste ano, chegará ao mercado o título A.I.L.A, produzido pela Pulsatrix Studios e publicado pela Fireshine Games.
Em torno do seu lançamento temos um hype bastante elevado por parte da comunidade, fazendo com que o game esteja no topo se tratando de lista de desejos na plataforma Steam.
Será que ele fará jus? Vem comigo que eu te conto em um texto sem spoilers. Esta análise foi realizada em uma gameplay no Xbox Series S antes do seu lançamento oficial. Em nome do Hospício Nerd, agradeço a chave gentilmente cedida.
Premissa/Narrativa
Por aqui nós conheceremos a história de Samuel, um beta tester que acaba de receber uma missão bastante especial. Nosso protagonista ficará a cargo de auxiliar A.I.L.A (inteligência artificial), alimentando o seu banco de dados, repassando suas opiniões negativas e positivas para que ela se torne a mais completa/assertiva possível.
E o que era para ser uma simples tarefa acaba se tornando um verdadeiro pesadelo. A cada login e logout realizado, já não conseguimos distinguir mais o que é realidade e o que é ficção. As coisas estão se misturando, estamos simplesmente perdendo a nossa sanidade? A.I.L.A te guiará com boas doses da café no caminho.
Gameplay/Jogabilidade
Neste game teremos como base a visão em primeira pessoa, tendo ao longo do projeto momentos de combate corpo a corpo (melee), combate a distância, pequenos momentos de fuga e pinceladas de stealth.
Temos 2 cenários do qual o game irá utilizar como pano de fundo, temos o apartamento de Samuel, onde realizamos pequenas atividades, como: alimentar o seu gato, pegar encomendas na varanda, tomar café, montar circuitos e etc.
E o nosso mundo virtual, funciona assim: simplificando bastante a A.I.L.A nada mais é do que um videogame, temos o hardware, um óculos em realidade aumentada e o aplicativo que vai no nosso computador da Pichau.
Ligou o PC, acessou o aplicativo e colocou o óculos: Temos a mágica! Somos teletransportados ao mundo virtual assim como em Sword Art Online, por exemplo. A diferença é que aqui, nós teremos experiências individuais do qual são criadas com base em medos e temores.
Variedade: Um baita aspecto do qual define este game definitivamente é a variedade, seja ela para o bem mas também para o mal. Em seu pontapé inicial teremos um cenário com bastante enfoque em terror, salas claustrofóbicas e uma atmosfera de arrepiar. Um começo muito bom do qual me animou bastante.
Terminado os cenários criados por A.I.L.A, sempre somos questionados a realizar uma determinada ação do qual será lembrada posteriormente, como é o caso de: deixar um personagem viver, fugir, confrontar e similares.
A inteligência artificial tenta meio que criar o perfil do jogador dando a impressão que as novas experiências levarão em conta as suas escolhas passadas, aspecto bem interessante por aqui. Entretanto o salto que as histórias dão de uma para a outra são bem questionáveis.
Se a primeiro momento a tensão tomou conta, a segunda “missão” já fez o trabalho de sumir com o medo, com o horror, eu já não sentia mais nada. E a cada avanço isso ia diminuindo cada vez mais.
Me perdoem os amantes deste série, mas sabe qual foi o nome que me veio na mente enquanto eu jogava? Simplesmente American Horror Story, explico. Uma baita primeira temporada, encantadora e dava um suspense legal, como comparativo temos o primeiro cenário. Já na segunda temporada para frente, só desacerto e a empolgação e o suspense já não existia mais (mesmo sentimento que tive durante a jogatina).
Combate: Temos aqui o ponto mais baixo disparado! O combate simplesmente não flui, seja nas armas brancas ou principalmente nas armas de fogo. Falando um pouco dos armamentos temos por aqui: espadas, maças, machados, pistolas, bestas, espingardas, sinalizadores e fuzis.
No corpo a corpo podemos defender, dar um ataque leve ou um ataque pesado (segurando a ação). Esse ataque carregado inclusive na versão do qual eu joguei estava bugada, o personagem não conseguia realizar a ação, ficando com o braço levantado e completamente indefeso.
Na distância fiquei muito com as pistolas pois geralmente era a arma com a munição mais encontrada, guardando a espingarda para os momentos de maiores desafios. E por falar em desafio… Quero falar um pouco sobre hitbox.
Trago a tona uma batalha de chefe presente no game, sem dar muitos detalhes falo da luta no lago, vocês irão saber quando chegar lá. Como dica nós sabemos que 1 dos personagens é vulnerável a arma sinalizadora, como um bom survival horror temos poucas munições e devemos ter bastante sabedoria na utilização de tal recurso.
E se eu te contar que o recurso que você guardou vai atravessar os personagens? Pois na arma sinalizadora principalmente, os tiros simplesmente não pegam. Não para por aqui, ataque dos mobs comuns, ataque de chefes, tudo que teoricamente parecia que não iria te atingir, no final das contas acaba acertando. Você erra bastante e é constantemente atingido de uma maneira desanimadora.
Se fugir fosse uma opção, a todo momento vocês podem ter certeza que eu utilizaria, o problema é que não é. Muitas lutas são obrigatórias, são chatas, são demoradas e completamente quebradas (chefes e subchefes principalmente – por favor atualizem isso o quanto antes).
Perdido: Um outro aspecto do qual eu senti falta por aqui é um guia, um mapa. Não só dentro das simulações, no próprio apartamento do Samuel isso ajudaria bastante. Vá para o escritório, vá para o banheiro, vá para tal lugar… Então, onde é mesmo? Com o tempo você meio que memoriza os locais mas isso poderia ser facilmente contornado com um gps ou o próprio mapa citado anteriormente.
Direção de arte/Aspectos técnicos
Sobre o motor gráfico da Unreal Engine 5 temos aqui um belo gráfico mas grandes ressalvas. Em minha jogatina no Xbox Series S não tive nenhum crash mas tive que lidar em grande parte do tempo com quedas de frames, principalmente no cenário do castelo, acredito ser a parte mais problemática durante minha gameplay.
Mais cedo comentei sobre o bug que o personagem tinha ao tentar realizar um ataque carregado, ele não foi o único. Tive problemas ao ficar preso em inimigos mortos, inimigos mortos que ficam rodando no cenário e inclusive em uma batalha de chefe eu não conseguia sacar a minha arma (fui trocar da espada para a espingarda), não consegui contornar o problema e infelizmente tive que dar reload, recomeçando o duelo do 0.
Conclusão
A.I.L.A é um game que começa muito bem e termina muito bem. Agora a trajetória, o meio deste game foi algo que deixou bastante a desejar. O clima dos locais é sempre tão prazeroso iniciar a fase, mas quando chega no combate dá a sensação que já não estou jogando mais o mesmo jogo criado pelos desenvolvedores, parece outra coisa.
Muito deste sentimento também vem dos inimigos, é uma brochada tão forte quando vem aqueles mobs para o nosso lado, tão sem sal, tão sem graça, posso voltar no momento onde eu simplesmente não conhecia os monstros?
Infelizmente esta versão disponibilizada também não estava 100%, bugs de colisão, hitbox imprecisa e quedas de frames marcaram a minha experiência de uma maneira negativa. Já para o lado positivo temos a própria A.I.L.A, uma baita personagem (odiável), atuada muito bem inclusive, ela e o ator do Samuel estão de parabéns, gostei bastante.
5/10
