“Fruta” que partiu! Que filme bom pra “baralho” foi esse?
Dois reais ou um filme misterioso com um cachorro protagonista?
E lá estava eu, em casa, ligando o notebook na TV de 50 polegadas, achando com todas as minhas forças que ia assistir um drama fofo de cachorro. Porém, ao seguir de algumas coisinhas — e digo “pelo enredo” e “pela história” — o filme se revelou como terror. Adoreeeeeei! E, como bom filme de terror (por todos os que já assisti), raros foram aqueles que entregaram tudo de uma vez já nos primeiros dez minutos — explosões de som, monstros na cara. Esse, entretanto, começou devagar, bem dosado. Esse tipo de construção me fisga total. Em minha opinião gostei, veja minha resenha sobre.

Eu gosto muito desse trabalho cuidadoso dos diretores quando o terror não é despejado de imediato, mas sim aparece aos poucos: a coisa espiritual, a criatura fictícia, está lá, bem longe, e vai-se aproximando — quase imperceptível. E como isso foi colocado em cena? Esse filme me deixou babando. Fora os sustos que eu tomava porque, diferentemente de algumas edições de cinema em que os volumes são altos, aqui os volumes estavam baixos, a qualidade parecia a desejar — o que só aumentou o nervoso. Mas em casa eu pude aumentar o som e assistir sozinho, com meus dois cachorros no colo — isso foi sinistro porque, simultaneamente, os cães olhavam para o lado e os meus também — fiquei pensando: “será que eles veem algo que eu não vejo?”

Inovação que fala?
O filme se impôs como, para mim, o melhor terror dos últimos dez anos, pela inovação da história, pela perspectiva e pela exploração dos personagens. E ressalto: não houve tortura ou qualquer tipo explícito de maus-tratos ao animal — importante e felizmente observado. Porque o cenário estava chovendo e o cachorro não se molhava — detalhe estranho, não? Se o dono está tomando chuva, o cachorro também se molha. Ou seja: o cachorro ficou seco. Um cachorro muito bem adestrado, um trabalho muito bem feito, muito cuidadoso. As transições de câmera me deixaram muito encantado — mostravam olhares, silhuetas, sombras, ambientes “estranhos”.
Num filme de terror bem feito, as dinâmicas são essenciais — e aqui elas funcionaram: a trilha sonora (uma obra de arte à parte) se misturava com o silêncio, com o som ambiente, com o latido, com o sussurro. O que dizer sobre esse filme? Simplesmente vale cada centavo, valer sair de casa, andar dez quilômetros, pagar um Uber absurdo, comprar pipoca caríssima ou simplesmente ligar o aparelho em casa se for o caso com som alto hahaha. Porque a ansiedade vai estar ON. E os gatilhos? Muito bem aplicados. E por todos os trabalhos e elementos que se desenvolvem nele — que filme gostoso!
Ainda perplexo, oh filme bom, to aqui com tds as possibilidades de futuros filmes sobre
Eu nem sei o que dizer direito. Tem cenas e mais cenas tão bem feitas, tão bem trabalhadas, que o filme me deixou babando. Fora a construção da criatura bizarra do terror, né? A perspectiva sobrenatural está lá — e o monstro não é exibido de cara: aparece como silhueta desfocada no fundo. A forma como o cenário foi montado foi muito eficaz porque ele trabalha com a nossa visão periférica, com como a mente nos engana sobre objetos — você acha que é algo na cena ou parte da história, mas não é; é um objeto deixado propositalmente. Por exemplo: dois objetos cobertos com lençóis bem organizados no cenário — você olha e pensa “nossa, parece que tem uma pessoa ali embaixo” — mas não, era objeto. O jeito da montagem chama atenção.
E quando a criatura finalmente se manifesta no espaço, ela não vem de cara, ficou discreta, à margem. E o olhar do cachorro para aquilo, os cortes, as transições: tudo muito bem orquestrado. Porque o cachorro precisa receber comandos, precisa olhar, o cinegrafista precisa captar o movimento natural dele, “-esse tipo de cena exige precisão. E funcionou, eu gostei demais”. E quando vieram os sustos. Mesmo tendo visto muitos filmes de terror, há cenas que não me assustam mais, mas aqui me fizeram rir (lá estava eu rindo nervoso), por cada cena e cada elemento desenvolvido na obra.

O pacote perfeito, maquiagem, trilha sonora e cenografia.
E ainda por esse trabalho segue-se a cena-destaque: som, maquiagem, efeitos visuais me fizeram pensar “primeira impressão: esse filme vai longe”. Eu cheguei ao ponto de olhar para os lados — acabei de ver o filme, ficava olhando para os lados, me questionando: “será que tem alguma coisa aqui?” Eu me questionei muito. E não foi pouco não. Eu pensei bastante sobre locais, percepções, e como o filme foi trabalhado. A sacada do diretor — colocar o cachorro como protagonista — abriu uma nova perspectiva: geralmente são homem, mulher, casal, família; aqui é o animal. Como isso foi desenvolvido? Eu fiquei muito encantado.
O animal via as criaturas, interagia com o ambiente que a gente nem percebe direito — a criatura interagir com o animal, o animal ter percepções sobre vidas passadas, memórias antigas daquele espaço? Sim, talvez. Eu não sei se o animal era descendente direto dos cães que passaram pela casa ou se o espírito manifestante era hereditário ou não. E embora em outro personagem da mesma história tenha morrido pelo mesmo caso — permanece a observação. O filme pode dar continuidade: se aconteceu com o pai, aconteceu com o filho; há mais filhos, há mais cachorros no enredo futuro.

Minha conclusão sobre…
Mas enfim: este filme subiu no ranking para mim como o melhor filme de terror do ano. Está entre os top 5 nos últimos dez anos da minha vida — e simplesmente pela ousadia, pela proposta. Foi muito bem feito — não só pela fotografia, pela maquiagem, pelos efeitos especiais — mas pela ousadia de incluir uma perspectiva diferente: no lugar, nesse lugar, o cachorro; e como o cachorro interagiu com isso, como foi abordado. Eu gostei muito do que vi. Gostei muito do que assisti. E tenho em mente o desejo de ver uma continuação, entender pra onde a história pode seguir.
Essa é minha resenha. Eu sou Henrique Pheniato, daqui do Hospício Nerd — e se você assistir esse filme, comenta aqui: te assustou ou não? O que você achou deste trabalho? Quero saber. Até a próxima resenha! 🍿🐶

