Se liga!!
O Cine Trash foi mais do que um programa: foi um ritual coletivo de iniciação ao horror.
Ali, o público aprendeu que o cinema não precisa ser perfeito pra ser divertido. Que o grotesco pode ser arte, e que o exagero pode ser encantador. Com o Zé do Caixão no comando, cada sessão parecia uma missa profana do cinema underground.
Depois que saiu do ar, o programa virou lenda. Hoje, é cultuado por cinéfilos, streamers e canais de nostalgia que revivem aquele espírito sem vergonha de ser tosco.
Porque o trash não morre — ele volta, renascido das trevas, com uma serra elétrica na mão e um balde de sangue falso.
A Volta dos Mortos-Vivos (The Return of the Living Dead, 1985)
Esse filme é praticamente o mascote do Cine Trash. Mistura de terror e comédia punk, com zumbis que dançam, falam e correm atrás de cérebros fresquinhos.
O enredo é insano: um vazamento de gás transforma cadáveres em mortos-vivos famintos. A trilha sonora é puro rock oitentista, e o gore… meu amigo, é coisa de outro mundo.
Um marco do terror “divertido”, aquele que te assusta e te faz rir na mesma cena.
A Morte do Demônio (Evil Dead, 1981)
Feito com trocados e litros de sangue cenográfico, Evil Dead virou um clássico instantâneo.
Sam Raimi e Bruce Campbell criaram uma obra-prima do cinema independente: demônios grotescos, câmera nervosa e um clima de pesadelo alucinado.
O Cine Trash amava passar esse tipo de filme — aqueles que pareciam filmados com uma câmera emprestada, mas que tinham alma, ousadia e tripas voando.
O Ataque dos Tomates Assassinos (Attack of the Killer Tomatoes, 1978)
Sim, tomates. Sim, assassinos. E sim, alguém fez isso de verdade.
Um ataque global de tomates mutantes gigantes que devoram pessoas — o enredo mais idiota e genial que já existiu.
O filme é uma sátira absurda ao gênero de terror e às produções B dos anos 50, mas o Cine Trash transformou essa maluquice num ícone cult no Brasil.
Até quem nunca viu o filme lembra do título.
Re-Animator (1985)
Baseado em uma história de H.P. Lovecraft, mas sem nenhuma pretensão filosófica.
Aqui o negócio é o seguinte: um cientista maluco inventa um soro fluorescente que revive os mortos — e a partir daí, o caos começa.
Tem cabeça decapitada que fala, corpos que se mexem sozinhos e um humor negro digno de Zé do Caixão.
Era o tipo de filme que você assistia torcendo pra ninguém da família entrar na sala.
O Massacre da Serra Elétrica 2 (1986)
Se o primeiro já era um choque de brutalidade, o segundo é uma caricatura sangrenta.
Tobe Hooper decidiu zoar tudo e fez um terror que beira o pastelão. Leatherface virou quase uma figura cômica, e o sangue jorra como se fosse uma paródia de si mesmo.
Esse exagero puro era o DNA do Cine Trash — o absurdo elevado à arte.
