Montanhas gélidas, um trem imponente soltando fumaça e campos verdejantes…
Minas Gerais – Brasil???
Logo de cara, o filme entrega imagens de tirar o fôlego. No início, quase parece que estou em Minas Gerais — aquele estado lindo aqui do Brasil — mas, na verdade, a trama se passa na Inglaterra, ainda sob forte influência da monarquia. Confesso que foi sacanagem comigo mesmo assistir ao terceiro filme da franquia numa cabine de imprensa sem ter visto os dois primeiros. Então voltei, cumpri o ritual e comecei pelo início. E aqui compartilho com vocês minha opinião sobre o primeiro filme da saga.

Saudades dos tempos sem internet
Ao mergulhar na história, percebi que há algo especial nos filmes de época. Hoje, estamos tão imersos em produções digitalizadas que, quando surge um longa sobre a realeza, seus figurinos e protocolos, sinto um sopro do “belo de antigamente”. Claro que havia regras rígidas e pouca liberdade de expressão, mas também existia uma elegância e uma forma refinada de viver. Nesse ponto, Downton Abbey acerta em cheio ao retratar o charme das vestimentas, o rigor das tradições e o clima gelado que moldava até a forma de se vestir.
Além do visual, o filme impressiona pela cenografia luxuosa. O castelo é repleto de talheres de prata, porcelanas delicadas (sim, eu quase falei “porcelanato” kkkk), pratarias, louças decoradas… tudo digno da realeza. A produção não economiza em detalhes e entrega um espetáculo visual. Porém, não é só de luxo que vive Downton Abbey. A obra também é didática em vários momentos, trazendo reflexões sobre etiqueta, convivência social e até mesmo sobre as formas de relacionamento dentro de uma família aristocrática. Isso dá ao filme uma camada educativa, sem perder o entretenimento.

Velha guarda presente, me deixou contente
A trama fica ainda mais interessante com a presença de duas atrizes veteranas. Uma delas é ninguém menos que Maggie Smith, nossa eterna Minerva de Harry Potter. A outra, que já interpretou a vilã Dolores Umbridge, também aparece dando um show. Essas atuações elevam o nível da narrativa. Contudo, também senti ausências importantes: não há personagens negros e o único recorte de diversidade surge em uma subtrama sobre homossexualidade. Um personagem, ao visitar um bar gay secreto, vive um momento bonito de descoberta pessoal — até que a polícia invade o local, tratando a cena como um crime. Esse contraste entre o luxo da aristocracia e a marginalização social me deixou dividido entre encantamento e incômodo.
Apesar das falhas, há conflitos familiares e intrigas de bastidores que seguram a atenção. As fofocas dentro do castelo, as disputas entre criados e patrões, e até a chegada do rei com sua própria comitiva de serviçais criam situações caóticas e divertidas. Gostei especialmente do jogo de manipulações entre a equipe fixa da casa e os empregados da realeza. É curioso ver como pequenas tensões se transformam em grandes dramas, mas sem pesar demais o ritmo da narrativa.

No fim das contas, Downton Abbey não é um filme que me deixou desesperado pela continuação. Ele tem início, meio e fim bem definidos. Mas, ao saber da existência de um segundo e terceiro longa, bateu a curiosidade de ver como a história vai se expandir. Quanto à série derivada, admito: não vou encarar. Já tenho filmes demais na fila e tempo de menos na vida. Mas valeu a experiência — foi uma obra bonita, charmosa e com aquele gosto clássico que o cinema de época sabe oferecer.
