EDOM – O curta que te atravessa inteiro
Assisti a um filme que me atravessa em dimensões diferentes — em realidades que estive, estou e talvez venha a estar. Realmente, é algo poderoso. E Edom é exatamente isso: um curta-metragem que, em poucos minutos, comunica dor, realidade e situações vividas por muitos — e talvez por você também. Para ilustrar, trata-se de um espetáculo audiovisual que mostra um jovem comum, como eu, como você, enfrentando uma crise de ansiedade provocada por um gatilho extremamente desconfortável. Consequentemente, a narrativa traz um episódio tão constrangedor e real que toca diretamente quem já passou por situações parecidas. Inclusive, mesmo quem nunca viveu isso consegue sentir a aflição do personagem. Isso, sem dúvida, é a força do cinema bem feito. Então entenda minha opinião sobre este curta.

A gostosa arte do cinema em Edom
Nesse contexto, portanto, percebe-se a gostosa arte de cinema. O curta-metragem entrega tudo em pouquíssimo tempo: dor, empatia, tensão e profundidade. Além disso, e de forma notável, a direção conseguiu extrair o máximo da atuação e da ambientação sonora. Com efeito, o cinema é áudio, é vídeo, é enquadramento, é fotografia — e Edom acerta em cheio em todos esses aspectos. Isso é tão evidente que eu comentei com um dos diretores, ao final da exibição, que se eu fosse cego, só com o que ouvi ali eu teria conseguido imaginar o filme por completo. Para ilustrar ainda mais, e mesmo sem a necessidade de audiodescrição, o trabalho sonoro foi tão bem executado que o som conduziu minha imaginação para dentro da narrativa — simplesmente, senti a aflição do personagem pelos ouvidos.
Imersão que fala?
No que tange à imersão, a trilha sonora foi um elemento decisivo. De fato, e concordando essa ideia, ela caminhou junto com o drama vivido pelo protagonista, especialmente nos momentos de tensão, tal como se observa, por exemplo, quando ele foge de seus acusadores. Assim, nesse sentido, é notável que dá pra ouvir o coração do personagem bater rápido — aquele tum tum grave, aflitivo — que pulsa no peito de quem assiste. Tudo isso é, inegavelmente avassalador, sensorial. Para complementar a experiência de imersão de maneira completa, e, indo além, continuando minha observação, vale pontuar também a excelente qualidade técnica da sala de cinema, Galpão Cine Horto, (lugar incrível que vale o esforço para visitar) a qual, por sua vez, dispunha de caixas bem equalizadas que permitiram uma experiência ainda mais imersiva. Consequentemente, e como resultado direto, o som chegou ao espectador como deveria: limpo, intenso e necessário.

Teve muito “molho” na fotografia
Outro ponto que merece destaque é a fotografia. Tive o prazer de conversar com o diretor e elogiá-lo pela formatação visual da obra. Diferente de muitos curtas que se prendem a enquadramentos clichês ou sem ousadia, Edom explora ângulos, planos e transições com muita competência. A edição visual se compromete com a narrativa e entrega mais do que o básico. Isso, pra mim, é o que eleva o trabalho a outro patamar. É quando a linguagem visual se junta ao roteiro e diz: “tamu junto nessa dor”.
Curto e objetivo, vale a reflexão
Finalizo dizendo que Edom é um curta que vale ser visto, sentido e refletido. Ele nos coloca frente a frente com as dores do outro — e as nossas. Infelicidades acontecem, e o filme traduz isso com dignidade, com respeito e com potência. Parabéns a todos os artistas envolvidos, em especial aos atores, que entregaram com alma. Um trabalho que me tocou profundamente, e que agora deixo registrado aqui, nessa resenha — com o coração ainda acelerado.
Direção por Claudio Marcio e Breno Santos
Por @henriquepheniato
