Meu eu adulto e minha criança interior aplaudiram de pé…
Se for juntar todos os momentos passa de dez minutos ao longo desse filme maravilhoso. De verdade, em minha opinião. A minha criança interior saúda a sua, caro leitor do Hospício Nerd. Logo de cara, o filme vai direto ao ponto, sem rodeios — mas abre espaço pra uma introdução lindamente provocante, cheia de cutucadas no sistema capitalista e explorador.

Sobre o que é este fofo terror infantil?
A história gira em torno de uma trupe de circo das antigas, daquelas em que se vendia bilhete pra ver “aberrações”: pessoas diferentes, fora do padrão. Em certo momento, o contorcionismo já não dá dinheiro, a mulher barbuda não atrai mais o público, e os gêmeos siameses deixam de ser novidade. O filme mostra uma cidadezinha fria, sem cor nem emoção, contrastando fortemente com a chegada do circo — uma locomotiva soltando fumaça, colorida e poluidora, mas cheia de vida.
Essa diferença entre os ambientes escancara como o sistema de consumo se aproveita da inocência e transforma até o espanto em produto vendável.

Chega de palavras difíceis e bora direto pro que eu senti vendo esse filme:
Já se passaram mais de 24 horas e ainda tô tentando achar as palavras certas. Foi uma experiência gostosa do início ao fim. A trama é profunda, o personagem principal é bem construído e o filme é cheio de referências — principalmente a Freud. É insano o quanto isso é bem feito! Quando o “monstro” é criado e se vê diante do espelho pela primeira vez, rola um espelho simbólico ali: o nascimento da identidade. É literalmente Freud em animação.
Se vocês quiserem, eu posso listar as referências que eu entendi depois, porque tem muita coisa boa escondida ali. Mas já adianto: o Frankin (como aparece na capa e nos trailers) parece uma mistura entre o Príncipe Zuko, de Avatar , e o Freddy Krueger — aquele pijama listrado não foi coincidência, não! O filme é pensado visualmente e cheio de detalhes.
Assisti dublado, e foi ótimo pra reparar melhor nas expressões, roupas e cenários — algo que a legenda às vezes distrai.

Uma mistureba de produtores dos 4 cantos do mundo
Outra coisa que me chamou atenção foi a produção global. Gente do mundo inteiro meteu a mão nesse projeto: Japão, Coreia, Rússia, Alemanha, França, Itália, Brasil… uma mistura que faz sentido, já que o filme fala de monstros de várias culturas. E sim, eu juro que vi uns easter eggs com referências a Toy Story e E.T. — tá tudo lá, se olhar direitinho!
Agora, confesso que uma parte me incomodou: o uso do circo como vilão.
Sou apaixonado por circo, mas reconheço que historicamente ele carrega essa imagem pesada de exploração — artistas presos, exibidos, forçados a trabalhar. O filme retrata bem isso: o dono do circo é o típico aproveitador que transforma “diferença” em lucro. Quando descobre que há mais monstros escondidos, o olho dele brilha igual o do Seu Sirigueijo do Bob Esponja — ganância pura.

Apesar disso, o filme é lindo. Me trouxe nostalgia, vontade de rever clássicos e pensar sobre o que faz de nós “monstros” ou “espetáculos”.
A estética lembra Tim Burton : um toque de Noiva-Cadáver , um tanto de O Estranho Mundo de Jack , e até ecos do Pinóquio recente (aquele do Oscar).
Por fim…
No geral, é uma animação extremamente bem construída, emocionalmente profunda e visualmente marcante. Na minha opinião, tem força pra concorrer ao Oscar, principalmente em categorias como Melhor Animação e Melhor Roteiro.
É o tipo de obra que dá gosto de ver e orgulho de indicar. Vale nota 10 e algumas estatuetas de brinde.
Encerro essa resenha felizão — parabéns a todos os envolvidos nessa produção monstruosamente linda.
By: @henriquepheniato
