Gibi de Menininha 1 e 2 - Não tem nada aqui para menininhas boas! - Hospicio Nerd

Só para as malvadas!!

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Primeira foto:  Roberta Cirne, Renata CB Lzz; Segunda foto: Germana Viana – todas as fotos tiradas (na base da tietagem rs) na CCXP 19.

Essas moças incríveis criaram o título mais revolucionário dessa época com o nome (irônico até) de Gibi de Menininha. Esse quadrinho possui uma grandeza tão significativa que levamos a determinar o tom de ironia do diminutivo do título, afinal durante muito tempo (e até há casos atualmente) tudo que era relacionado ao feminino poderia ser inferior, ignorável, insignificante. Mas essa HQ mostra uma gama visceralmente violenta do que é ser uma artista mulher em um mundo predominantemente machista, sustenta o potencial significado de qualidade, é bom de ler, é divertido.

A boa sacada começa pelas capas:  imagens que remetem à arte sacra, mas com muito gore. Figuras femininas. Santas para a igreja. Santas monstruosas para a gente.

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A introdução do primeiro volume – Historietas de Terror e Putaria – é por conta de Germana Viana, com a sua personagem Jellybean, que brinca com estereótipos de masculinidade e ri da cara do machismo com um sarcasmo sem igual durante as páginas de apresentação para as histórias das demais autoras. A personagem é cativante, um prato cheio para as meninas que gostam de meninos obedientes (delícia!!), S&M, voyerismo, recheado de putaria, afinal é disso que o povo gosta (eu gosto rs).

Já no segundo volume, Jellybean possui uma história própria, mas ela não é mais a apresentadora das histórias da HQ: Deus, representada por uma mulher negra, gorda e voluptuosa, é a apresentadora. Ela está bem acompanhada pelo Diabo (deliciosamente voluptuoso também) e eles mantém um relacionamento que mais lembra uma amizade colorida.

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A série é feita por uma espécie de coletivo constituído apenas por mulheres e que apresentam suas histórias em tirinhas de forma muito bem construída. A seguir, apresentarei a ordem do primeiro volume.

Carol Pimentel roteiriza a primeira história do Historietas de Terror e Putaria. Os belíssimos e leves traços da recifense Roberta Cirne guiam o leitor a um lullaby com notas musicais e rapazes belos. E sofrimento. Muito sofrimento.

Clarice França e Mari Santos seguem uma história de vampiros. Os traços delicados combinam tão bem com o tipo de história que se segue que chega assustar no final. As expressões dos personagens são o ponto chave da história.

Germana Viana retoma mais uma vez, porém em uma história com criaturas fantásticas quadrinizada por Renata CB Lzz. Os traços de Renata, a meu ver, mais parecem rascunhos de tão sujos. Confesso não ter entendido a proposta do seu desenho, que não evoluiu muito no segundo volume também.

A próxima história é um faroeste saído do início do século passado. A linguagem cinematográfica, o fundo chamuscado, além das belas expressões dos personagens, nos leva a crer que Ana Recarde e Talessa K se inspiraram em uma daquelas boas histórias com John Wayne. Milena Azevedo, Fabiana Signorini e Kátia Schittine fizeram uma belíssima releitura do clássico João e Maria com o título: Doce Inocência. O maior destaque para essa história são os desenhos do cenário, além da própria história em si, que ocorre nos dias atuais.

Sabe aquela história de videntes que fazem amarração do amor? Pois é, Camila Suzuki e, novamente, Germana Viana finalizam a HQ com uma clássica trama que sempre começa com uma mulher desesperada por um boy lixo, e que ainda por cima é comprometido. Acho que todo mundo conhece alguém que já se encantou assim, né? Mas todos sabem também que esse tipo de história nunca acaba bem. Aqui não poderia ser diferente!

Voltemos a falar da segunda HQ: A safadeza prossegue desde o início com uma história em que Deus, acompanhada do Diabo, conta sobre a ressurreição ou o aparecimento de Mama Jellybean – antes de morrer na fogueira era uma freira não muito convencional que aprontava poucas e boas no convento. Destaque para o deboche dessa musa em plena fogueira, pois ela não perde tempo de tirar onda com a madre, uma dos seus algozes – que também foi queimada.

A segunda história chama-se Sob Nova Direção com o roteiro de Dane Taranha e arte de Sueli Mendes. Assim como o título desse volume chama-se Gibi de Menininha- o faroeste é mais embaixo, essa trama também se passa no faroeste, assim como as demais terão esse cenário. O enredo começa no Bar do Frank, um cara que aparentemente fez o trato com uma entidade maligna feminina para que o seu negócio prosperasse. Deu certo. Deu tão certo, que o negócio prosperou toda vez que o tributo fora pago…até que chegou a vez de Frank pagar com a sua própria vida pelo trato.

Luna de Sangue é a terceira história em quadrinhos desse volume. O roteiro de Camila Suzuki é muito bem desenhado por Roberta Cirne, com as suas expressões impecavelmente desenhadas em cada personagem. O subtítulo “aquela coisa, o mundo dá voltas, queridinho! A lua também!”, explica bem o teor da trama, pois se trata de vingança, gratidão de seres místicos com humanos, além de, é claro, ter bastante putaria e terror. O destaque vai pelos cenários muito bem trabalhados com requinte e com ideias de diferentes textura.

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A quarta trama roteirizada por Clarice França e com os desenhos de Renata CB Lzz possui uma atmosfera bem tenebrosa, até mesmo pelo plano de fundo entre os quadros, pois está sempre em negro ou tons de cinza escuro. A proporção dos desenhos me parece um pouco infantilizada, lembram muito a proporção das bonecas Lol. O destaque vai para a história, pois tem uma dramaticidade que prende a atenção e que ajuda os desenhos a fazerem mais sentido.

Delilah, a rubra é a melhor história desse volume dois. Uma grande fuga envolvendo religiosos para salvar crianças, algumas lutas contra demônios e um plot twist maravilhoso são o que você pode esperar dessa trama com roteiro e arte feitos por Fabiana Signorini e Kátia Schittine. Mas é claro, não poderia faltar a boa dose de putaria para nos fazer deliciar.

Vingança é uma história com pouquíssimos diálogos, e mesmo sendo uma das mais violentas, o plano de fundo é surpreendentemente claro, o que não deixa a trama menos assustadora. O roteiro foi feito por Rebeca Puig e a arte por Germana Viana. Mato a cobra e mostro o pau com desenhos de Juliana Loyola e o texto de de Milena Azevedo é o último desse volume.  Taipan é uma índia à procura de todo ouro (amaldiçoado) que custou a vida dos antepassados da garota. Ela mata, geralmente enquanto transa com os caras com uma paulada na cabeça. Os traços lembram um pouco a Turma da Mônica Jovem, mas á também alguns recursos de mangá.

É importante dizer que em todas as histórias, as mulheres são protagonistas, afinal isso daqui é pra mostrar que mulher não é sexo frágil porra nenhuma! E quem dá o recado final é a Mama Jellybean:

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