E vamos de um filme completamente bizarro, mas visualmente agradável.
Expressando, desde já, em minha opinião, o que sinto e comento sobre este filme se dá justamente quando encontro um visu tipo Longlegs. Não há semelhança entre atores ou diretor, são pessoas completamente diferentes; entretanto, quando eu abro comparando com esse filme, é porque Longlegs é completamente bizarro na sua construção de imagens, roteiro e esse terror psicopático psicodélico. Assim, onde aquele filme errou em parte imagética, este do Goat super acertou; digo isso porque o filme ficou muito bem feito, exceto o roteiro, que ficou estranho.

Que bagulho doido foi este?
No enredo, vemos um jogador de futebol americano no ápice do seu sucesso — literalmente um deus futebolístico — idolatrado num jogo de poder, e, além disso, entre pensarmos em aposentadoria e em passar sua vaga titular para um novo aspirante. Vemos um jogador em campo com grandes prospecções e possibilidades de desenvolvimento dentro da obra; entretanto, o filme mostra uns devaneios, umas bizarrices visuais. Por exemplo, fico muito confuso assistindo: não sei se é neurose psicótica do personagem ou se são criaturas sobrenaturais que somente esse personagem consegue ver, ou seja, visualizar.

Você não entende se é ficção ou se é uma retratação de uma seita; ao mesmo tempo, o filme brinca com essas idolatrias — não de divindades, mas trazendo outro lado dessas pessoas que dirigem o mundo do esporte. Por sua vez, vemos como ricos, super ricos ou pessoas com alto poder aquisitivo se envolvem em organizações de esportes que parecem, por tédio ou passatempo, criar esses contextos para dar uma outra imagem, digamos ritual. Pode-se falar que é cultura da diretoria; contudo, a bizarrice toma conta de nós, espectadores.
Ta em coma ou a historia seguiu conforme a linha dramática
Enquanto assisto à obra, ainda duvido se toda essa história acontece numa maca de hospital, se o personagem alucina em coma ou se realmente existem aquelas tratativas narradas. A história, porém, mostra SIM um início, um meio e um fim; mesmo assim, o foco do filme permanece confuso.
Eu esperava um terror bizarro daqueles que me assustam ou tiram meu sono — ou qualquer coisa típica de terror; mas ele opta por uma bizarrice completamente diferente.
Um filme visualmente bem feito, tinha muito molho (essência afro centrada)
Digo de novo: o filme exibe fotografias incríveis — do início ao fim impressiona visualmente; ele encanta em variadas formas e expressões. Ele revela beleza imagética nos personagens, nos corpos, nas paisagens. Trabalhando com audiovisual, percebo que a cenografia aprofunda temas como esporte e poder.
O melhor jogador do mundo assume protagonismo: eu acompanho sua jornada, sua pressão de manter-se número 1. Sinto o peso dos acordos que ele sofreu, entendo quais desafios ele aceitou para permanecer no pódio.

Por fim, a obra apresenta uma seita e mais uma dose de bizarrice — inclusive transfusão de sangue — fundamentada em fatos históricos sobre as loucuras da humanidade. Ela provoca: faz sentido em algumas culturas; porém, a Vigilância Sanitária e a Organização Mundial da Saúde rejeitariam esse tipo de apresentação.
Esse filme pede uma nova sessão; ele exige que você reveja, reflita sobre o que foi mostrado, entenda o que foi apresentado. Ele merece ser estudado de novo, para captar tudo o que transmite.

Filme com multifacetas, tem que ver mais de uma vez
É um filme para ser estudado, assim como músicas do Racionais MC’s. A bizarrice da cena — aquele trecho grotesco — parece nonsense, quase fora de lugar; mas essa estranheza provoca reflexão: observo imagem, sinto trilha sonora.
Também vejo obras de arte, museus, quadros e monumentos; analiso o que escuto e o que assisto em paralelo. Entendo que o filme apresenta uma seita visual que desafia expectativas e abre espaço para questionamentos profundos.
Então, considero que este filme constrói camadas sobre camadas. Ele vale para analisar, para estudar, para entender as informações — ou mais — que ele transmite.
Por fim, gostei muito deste filme.
Por @henriquepheniato
