E vamos de terror psicodélico hoje!
Depois de perder meu tempo com aquele Longless (que, convenhamos, é uma verdadeira porcaria na minha opinião), finalmente me deparei com um filme que entrega tudo em minha opinião. Ao contrário da decepção anterior, esse aqui é um espetáculo. Apesar de eu não concordar com o pôster que diz “o melhor filme de terror do ano” (porque pra mim esse posto ainda é de O Ritual – um exorcismo católico baseado em fatos reais), não tem como negar: o filme “Juntos” é uma baita experiência audiovisual.
Ótima introdução sem entradas clichês
Desde o início, o filme já me ganhou na técnica. A produção de cenário é de altíssimo nível, a sonoplastia é envolvente e a maquiagem com os efeitos especiais… misericórdia, que deleite grotesco! Inclusive, algumas cenas conseguiram me arrancar bons sustos, daqueles em que a gente até dá risada depois pelo jeito como o personagem reage. Apesar disso, o terror aqui vai além do susto fácil: ele brinca com simbolismos, mitologia grega e a nossa própria ideia de amor e conexão. Ou seja, não é só “boo!” e sangue espirrando; é construção de mundo, de tensão, de reflexão.

Creditos – Diamond Films
Sinopse
A sinopse? Já te dou! Tim e Millie, um casal com o relacionamento na UTI, decidem tentar um recomeço em uma cidade pequena e afastada. No início, parece aquele clássico “vamos nos reencontrar longe do caos”, mas aos poucos a coisa vai degringolando. Isso porque uma força sobrenatural começa a corroer não só o relacionamento, mas também a identidade e até as formas físicas dos dois. A floresta ao redor, os moradores suspeitos, o ar carregado… tudo colabora para uma experiência onde o amor é posto à prova em níveis assustadoramente profundos.
Embora à primeira vista pareça só mais um filme com “trilha misteriosa e caverna no meio do mato”, logo se percebe que o bizarro aqui tem nome, densidade e propósito. A trama mergulha numa teoria inspirada em Platão – a ideia de que, originalmente, éramos um só corpo e que fomos partidos ao meio por deuses invejosos. Desde então, vagamos procurando nossa outra metade. O filme leva isso ao pé da letra, mas de um jeito absurdamente carnal e visceral, quase biológico. A tal força sobrenatural atua como um agente que une as pessoas de forma física e simbólica, e o resultado é ao mesmo tempo aterrorizante e… curioso.
Creditos – Diamond Films
Agradavelmente bizarro, e isso foi legal
O mais insano é que o roteiro faz me pensar: “E se isso fosse possível?” E mais: “E se fosse inevitável?” Em certo ponto do filme, essa ideia de fusão se torna o único caminho. Algo tão fora da curva que me lembrou a quimera de Fullmetal Alchemist kkkkk – bizarro, grotesco, mas coerente com o universo criado. Não é uma explicação médica, tampouco espiritual. É como se o sobrenatural estivesse em outra camada, num lugar que a ciência não dá conta. A cada nova cena, eu pude senti a aflição dos personagens se tornando a minha tbm, e o desconforto cresce, lado a lado com uma atração curiosa e macabra pelo desfecho.
No fim das contas…
A obra propõe uma nova ideia de evolução: algo entre o horror e a completude. Tem um momento (sem spoiler!) em que a fusão ocorre com sucesso, e a gente se pega pensando “é isso… o amor venceu? ou a sanidade foi embora de vez?” É esse tipo de filme que, sinceramente, eu gostaria de assistir com algum date só pra ver o que a pessoa ia comentar. Porque é o tipo de obra que revela mais sobre quem assiste do que sobre os personagens. Enfim, recomendo DEMAIS! Mas reforço: pra mim, o melhor do ano ainda é O Ritual. No entanto, Juntos entra bonito no meu top 10 e leva nota 10 com louvor em produção, conceito e execução. Assiste e depois me conta se você teria coragem de se fundir com alguém assim…
Por @henriquepheniato

É curioso esse filme… há momentos em que causam um certo desconforto, similar aos jogos do silent hill (cujos monstros, alguns deles, são fusões bizarras de seres), e há momentos que senti essa vibe da estranheza, onde o casal não consolidado rastejava até o rapaz, que tentava encontrar a saída p/aquele problema.
A tal igreja/culto do filme, me fez lembrar de algo relacionado à “lei do uno” que existe na filosofia (não acadêmica) da espiritualidade.
E respondendo a pergunta que deixou no final…eu não teria coragem de me fundir assim…insano demais. Metaforicamemte é algo do tipo co-dependencia e me dá a sensação de que gera uma certa anulação. Relacionamento é bom, mas sei lá…manter o equilíbrio é que são elas…