A extinta DCEU nos trouxe o esquadrão suicida, só que diferente da versão do James Gunn, aquele filme não tinha roteiro.
Esquadrão Suicida do DCEU
Hoje, o Pacificador conquista cada vez mais fama e público, graças ao roteiro afiado de James Gunn, que também dirigiu o último filme do Esquadrão Suicida (2021). No entanto, em 2016 chegou aos cinemas o primeiro longa da equipe, mas boa parte de sua história acabou ignorada ou deixada de lado, enquanto outra seguiu adiante.
O filme trouxe alguns acertos marcantes, como Viola Davis no papel de Amanda Waller e Margot Robbie como Arlequina. Mesmo assim, desperdiçou grande parte do seu potencial no restante da produção.
A versão original nunca estreou oficialmente, mas o roteiro inicial acabou vazando na internet. E se a versão lançada já parecia fraca, o material engavetado conseguiu surpreender por ser ainda pior.

Esquadrão Suicida (2016) material de divulgação Warner.
David Ayer chega à DCEU
Antes de assumir Esquadrão Suicida, David Ayer já era conhecido pelos roteiros de Dia de Treinamento e pela direção de Corações de Ferro (Fury). Por causa desse histórico, sua escolha para comandar o filme parecia promissora. No entanto, a expectativa inicial acabou sendo um erro.
Em 2016, a Warner Bros. lançou o longa nos cinemas, mas não apresentou a versão que Ayer havia planejado. O estúdio decidiu alterar completamente o tom da obra que originalmente seguiria um caminho mais sombrio e dramático. Para atingir esse novo objetivo, contratou a produtora Trailer Park a mesma responsável pelo trailer exibido na Comic-Con e solicitou uma edição mais leve e divertida.
O resultado final uniu trechos do corte de Ayer com a versão do estúdio. Essa gororoba, entretanto, gerou uma narrativa confusa e pouco consistente. Além disso, a recepção da crítica e do publico foi majoritariamente negativa, o que consolidou a imagem do filme como um grande desperdício.
A polêmica do “Ayer Cut
Insatisfeito, Ayer revelou que escreveu o roteiro em apenas seis semanas, sob pressão do estúdio, que já havia definido a estreia antes do texto ficar pronto. Ele também afirmou que sua versão nunca foi exibida em sessões de teste, ao contrário do que muitos rumores sugeriam.
Em 2021, com o lançamento do Snyder Cut de Liga da Justiça, os fãs iniciaram a campanha #ReleaseTheAyerCut. O diretor então publicou uma carta aberta defendendo que seu corte era mais profundo, emocional e com personagens mais desenvolvidos.
Essa posição foi reforçada em entrevista ao podcast The Real Ones, apresentado por Jon Bernthal, onde Ayer desabafou:
“Eu saí de Corações de Ferro (2014), certo? Eu tinha a cidade nas mãos — eu poderia fazer qualquer coisa, e fiz qualquer coisa. […] O grande problema é Esquadrão Suicida. Essa coisa me quebrou. Ela me deu uma surra.”
E completou:
“O estúdio queria uma comédia. Eu fiz um drama. A loucura aconteceu.”
Ele ainda contrariou rumores de que seu corte teria sido rejeitado em exibições:
“Meu corte nunca foi testado ou exibido para o público.”
Fonte: Ovicio
Essas falas mostram como a Warner apressou e interferiu diretamente no tom e na montagem final do filme, especialmente após o sucesso de Deadpool, Guardiões da galáxia e as críticas negativas a Batman vs Superman. A ideia era se afastar do estilo sombrio de Zack Snyder e apostar num visual mais leve e adolescente. O curioso é que o primeiro trailer, exibido em 2015 na Comic-Con, foi elogiado justamente por seu tom intenso e sério, bem diferente do que chegou aos cinemas.
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Jared Letto como Coringa em cenas deletadas de Esquadrão suicida (2016)
Vazamento do roteiro e a nova era DC
Entre 2023 e 2024, James Gunn assumiu o DC Studios, e David Ayer revelou que Gunn lhe disse que o Ayer Cut “terá seu momento”. No entanto, nenhum plano oficial apareceu. Em setembro de 2025, o roteiro original de Ayer surgiu online e rapidamente se espalhou em fóruns e grupos de fãs. A Warner tentou conter o vazamento, mas, como sempre, a internet agiu mais rápido.
A recepção, por outro lado, não foi nada positiva. Muitos leitores descreveram o texto como tão ruim ou até pior que a versão exibida nos cinemas. A estrutura caótica, os diálogos fracos e as cenas bizarras marcaram o documento. Um internauta chegou a comentar: “Estou na página vinte e isso é uma completa bagunça. Agora entendo por que a Warner não quis lançar isso.”
Apesar das críticas, o roteiro trouxe algumas mudanças importantes em relação ao corte oficial. Por exemplo, El Diablo sobrevive no final. Além disso, o Coringa aparece em mais cenas e até surge um romance entre Pistoleiro e Arlequina. Um completo caos narrativo que ia e voltava entre a narrativa no presente e flashbacks.
Pouco antes do vazamento do roteiro, Ryan Reynolds confirmou em uma entrevista para a EW ter vazado o teste de Deadpool em 2014. A revelação aconteceu durante o Festival Internacional de Cinema de Toronto, em 4 de setembro de 2025, encerrando anos de especulação sobre quem havia divulgado o vídeo que impulsionou a produção do longa.
Em tom bem-humorado, Reynolds disse em entrevista à Entertainment Weekly:
“Algum idiota vazou isso na internet e eu fiquei, sabe, olhando pro cara no espelho enquanto escovava os dentes. E pensando: ‘Cara, o que você fez? Isso pode até dar cadeia!’”
O Esquadrão Suicida (2021) material de divulgação Warner.
Uma nova era para a DCU
No dia 10 de setembro de 2025, a internet pegou fogo com o vazamento do roteiro de Esquadrão Suicida. Não existe confirmação oficial sobre o responsável, mas alguns acreditam que o próprio Ayer liberou o texto para reacender o interesse pelo seu corte.
Apesar disso, a DC vive outra fase. James Gunn criou duas temporadas de Pacificador e agora comanda todo o universo transmídia da marca. Nesse cenário, insistir no Ayer Cut parece inútil.
Particularmente, acredito que Ayer tinha direito de lançar sua versão, assim como Snyder conseguiu. Porém, o momento passou. Talvez seja hora de ele seguir em frente.
Como já dizia Marisa Monte: “É só isso, não tem mais jeito, acabou, boa sorte.”
Texto por: David Alves

