Logo de cara, confesso…
A minha decepção com esse filme. Entrei na sessão empolgado, principalmente porque o elenco é recheado de atores que eu respeito demais: Benedict Cumberbatch, Olivia Colman, Andy Samberg e Allison Janney. Todo mundo mandou bem na atuação, sem sombra de dúvida. Mas, mesmo com esse time de peso, a comédia romântica não me convenceu. Não rolou aquele riso escandaloso, tampouco um impacto capaz de marcar a memória. A sensação que fica é de um projeto que nasceu mais de oportunidade do que de criatividade: tinha grana, tinha ator famoso querendo brincar, e pronto, saiu o filme. Esta resenha se trata de minha opinião.
Nada de novo por aqui, é um Remake…
A trama acompanha Ivy e Theo, um casal aparentemente perfeito, mas cujo casamento desmorona depois que os sonhos profissionais dele vão por água abaixo. Theo, arquiteto de carreira, vê tudo ruir quando um projeto importante se desfaz literalmente diante de uma tempestade. A partir daí, sua vida profissional se estagna, e ele se vê obrigado a cuidar de casa e filhos. Enquanto isso, Ivy deslancha no ramo da gastronomia, construindo um verdadeiro império de restaurantes, conquistando reconhecimento e viajando mundo afora. Esse contraste gera a fagulha que move a narrativa: um jogo de ressentimentos, provocações e uma competição nada saudável dentro do relacionamento.

O que mais me pegou foi a comparação involuntária com outro filme que também tem um arquiteto como protagonista: O Brutalista. Lá, a história me atravessou pela profundidade e pela beleza da construção simbólica. Já aqui, a sensação é que a base do enredo até poderia render algo grandioso, mas acaba ficando rasa. As farpas trocadas entre Ivy e Theo soam mais como repetições do que como diálogos afiados, e a comédia ácida prometida se dissolve em um vai e vem que não entrega reviravoltas nem grandes momentos de surpresa.
Apesar disso, dá pra notar um esforço da obra em mostrar como casais reais podem se perder entre as conquistas individuais e a convivência diária. As brigas, os silêncios incômodos e até as pequenas tentativas de reaproximação parecem bem familiares a quem já viveu uma relação duradoura. Há humor, claro, mas é daquele humor que mais arranca um sorrisinho de canto de boca do que gargalhadas. Nesse ponto, talvez seja um filme que funcione melhor para quem gosta de se ver refletido em situações corriqueiras, sem esperar grandes picos de emoção.
Final aberto, mas sem tempero, ainda pensando aqui se foi premeditado ou não…
O final até tenta entregar um caos digno de clímax: o divórcio iminente, as disputas extremas, a recusa de ceder, e depois uma rendição mútua. No entanto, até esse ápice soa previsível. Fica uma ambiguidade proposital no ar, deixando para o espectador decidir se o desfecho foi mesmo um final feliz ou apenas mais uma pausa em uma guerra interminável. Essa abertura até tem seu charme, mas não é suficiente para salvar a obra de cair na categoria do “filme ok, mas esquecível”.
No fim das contas, não é um longa que eu pagaria para ver de novo no cinema, nem indicaria como aquele programão de casal. É o típico filme que você pode até assistir no streaming, em casa, sem muito compromisso, mas dificilmente vai marcar. Cada um tem seu gosto, claro — opinião é igual umbigo, todo mundo tem o seu. No meu caso, “A Guerra dos Roses” versão 2025 ficou mais no território da curiosidade do que no da recomendação.
