Vem conferir!
As protagonistas dos doramas têm evoluído de forma impressionante. Se antes a paisagem era dominada pela mocinha indefesa, sempre à espera de um salvador, hoje encontramos mulheres complexas, inteligentes, ambiciosas e cheias de personalidade. Elas não apenas conduzem suas próprias narrativas — como também rompem com estereótipos que insistiram em acompanhá-las por décadas. E isso, para quem acompanha a cultura pop com carinho e atenção, é um prato cheio: porque representatividade importa, e esses personagens mostram que há muitas maneiras de ser forte.
Dorama do Mês: Desgraça ao Seu Dispor (Doom at Your Service) – Janeiro
1. Yoon Se‑ri em Pousando no Amor (Crash Landing on You)
Entre essas protagonistas transformadoras, uma das primeiras que vêm à mente é Yoon Se-ri, de Pousando no Amor. Mesmo caindo literalmente do céu e indo parar em território inimigo, ela está longe de ser uma “mocinha em perigo”. Antes de qualquer romance, Se-ri é uma empresária sólida, que construiu seu próprio império, independente da família, e que chega ao início do dorama sendo até mesmo “pegadora”, desafiando outro estereótipo muito comum. Longe de casa e cercada de riscos, ela se adapta, lidera, negocia, observa e se mantém fiel a quem sempre foi: uma mulher que se vira sozinha.
2. Jang Man-wol no Hotel del Luna
3. Hong Cha‑young em Vincenzo
Seguindo para Vincenzo, temos Hong Cha-young, uma das advogadas mais icônicas do mundo dos doramas. Ambiciosa, afiada, barulhenta e absolutamente brilhante, ela não existe para complementar a história de nenhum homem — e a série deixa isso claro. Cha-young tem sua carreira, suas lutas, seus dilemas éticos e morais, e sua vida não gira em torno de um romance. Mesmo quando o enredo sugere uma parceria com o protagonista, é evidente que ela não está ali para ser salva: Cha-young luta por si mesma, briga por suas causas e tem autoconsciência o suficiente para saber que seu valor não depende de agradar ninguém.
4. Ko Moon Young em Tudo Bem Não Ser Normal (It’s Okay to Not Be Okay)
Outra protagonista inesquecível é Ko Moon-young, de Tudo Bem Não Ser Normal. Autora de enorme sucesso, dona de um estilo marcante e de uma autoestima quase inabalável, ela desafia a ideia de que mulheres traumatizadas devem ser frágeis ou submissas. Moon-young sofre, sim — a vida dela não foi fácil — mas nada disso apaga sua força, seu talento, seu autocontrole e sua determinação. Ela vai atrás do que deseja, mesmo quando todos ao redor tentam enquadrá-la como “louca”, “exagerada” ou “difícil”. E é exatamente por isso que ela é tão importante: porque ela mostra que mulheres não precisam ser “bonitinhas e comportadas” para serem protagonistas poderosas.
5. Hong Hae‑in em Rainha das Lágrimas (Queen of Tears)
E é impossível falar de protagonistas de doramas que quebram estereótipos sem mencionar Hong Hae-in, de Rainha das Lágrimas. CEO temida, respeitada e invejada por muitos, ela é o exemplo perfeito de competência e poder. Hae-in ocupa o topo de uma empresa gigantesca, toma decisões duras e tem uma postura firme — mesmo quando sua narrativa passa por fragilidades emocionais e momentos de vulnerabilidade. E embora exista no dorama um toque do estereótipo da “mulher que precisa ser salva”, aqui o enredo trata isso com nuances: o relacionamento dela não nasce do nada, mas de um casamento de anos, algo real e complexo, sem anular sua identidade profissional e emocional.
O que elas tem em comum?
Quando olhamos para essas cinco protagonistas de doramas juntas, fica claro que elas têm muito mais em comum do que força e independência. Elas compartilham autonomia, complexidade emocional, carreiras sólidas, ambição, e, principalmente, o fato de que o mundo ao redor delas — inclusive dentro da narrativa — tenta rotulá-las como “malucas”, “difíceis”, “mandonas” ou “megeras”. E esse talvez seja o ponto mais importante: muitas vezes, mulheres fortes são percebidas como “demais”, quando na verdade são apenas completas, humanas e cheias de camadas. Essas personagens desafiam essa lógica. Elas existem para além do olhar masculino, para além da função romântica ou do papel de vítima.
E a verdade é justamente essa: é desse tipo de mulher que precisamos ver mais nos K-dramas. Mulheres que lideram, que erram, que amam, que lutam, que incomodam e que não pedem desculpas por serem intensas. Mulheres que mostram que protagonismo feminino pode — e deve — ser plural, imperfeito e cheio de poder.



