Pensa num filme que entrega tudo que vai além da imagem de um ator consagrado
No caso Keanu Reeves. Eu ainda tenho flash na memória da última vez que assisti um filme com esta temática, Cidade dos Anjos com Nicolas Cage — um filme dramático e maravilhoso, cheio de emoção, daqueles que te fazem encher os olhos de lágrimas quanto a logica é: um anjo se comportando como humano, interagindo com humanos. Se não é terror, é drama, e me vinha aquele filme na cabeça. Era difícil imaginar que algo pudesse superar isso — e este filme supera muito bem em minha opinião aqui nesta resenha.

Sem cerimônia, apenas sonso e fofo, hahaha
Não tem morte abrupta, em caso de morte o filme se trata de uma comédia mais fantástica, com muito aprofundamento filosófico. Após essa onda de John Wick e todo mundo olhando para o assassino atirador perigoso cheio de ação, tiro, porrada e bomba, neste filme ele é um bobo incantável (literalmente), um anjo — não é qualquer anjo. O filme coloca escala: dos mais avançados ao intermediário e o básico — no caso aquele anjo da guarda pequenininho, feito pra proteger as pessoas no trânsito, livrar quem mexe no telefone de acidente. Essa é a missão dele. E um anjo querendo fazer mais do que foi escalado? É possível imaginar todo tipo de estripulia.
E aí começa o filme. Ele leva dois personagens principais a mudar de histórias. O filme é um contraponto maluco. O título não é “Quando o Céu se Engana” (mas poderia ser) — será que ele se engana mesmo? Ou será que tem um “chefão” que previu o futuro e tinha certeza de que essas coisas podiam acontecer? O filme tá cheio dessas vivências. Essa temática de troca de vida, de perspectiva, não é novidade — há no Brasil por exemplo Se Eu Fosse Você — mas aqui ela vem com mordida social forte, entende?

“Meio que fique rico ou morra tentando…
Contraste bem apresentado, rico que viaja, esbanja e vive aos poderes contrasta com o outro lado: alguém que vive com centavos, batalhando no dia a dia, e essa dinâmica o filme aborda. Temos o trabalhador de apps, motoboy, entregador, pessoa na base da sociedade; e do outro lado, um desafortunado, o “imigrante” que veio de fora ou não, com sotaque, cultura enraizada. Ainda assim, o filme mostra impostos, transporte, “5 estrelas ou 3 estrelas ou sem gorjeta” — ele reflete a vida real. Eu ficava pensando no motoboy debaixo de chuva, enquanto o cliente tá quentinho em casa. Aí o filme pega a gente pela garganta.
E não ficou só na temática. O filme entrega cenas, transições, montagem de olhar, humor misturado com dor, entrega essa questão: “ser rico ou pobre, qual é o significado disso?” Mesmo quem ama ação pode se assustar — imagina um anjo fofo, meio engraçado, fazendo esse rolê. E mesmo assim: o filme tem poder, porque ele questiona. Uma pessoa rica troca de vida com uma pessoa pobre? Por mais inteligente que seja, começar do zero de novo não é fácil. O filme mostra essa dificuldade.

Um filme que te faz se colocar no lugar
O roteiro faz com que a gente se identifique com o “lado base” da sociedade e, ao mesmo tempo, veja o outro lado e então se pergunte: “será que eu trocaria?” Além disso, ele provoca: “quem é você na cadeia de valor?” Ele “alfineta” empresas gigantes, fast-food, apps de entrega… E assim, ele mostra esse mundo de forma leve, engraçada, mas ainda assim com gravidade. Ademais, o filme brinca com o espiritual, com o anjo que cuida de celular no trânsito, e de repente, quer mais: ele quer salvar vidas, mexer com destino, e por isso se complica.
Gostei muito desse filme, sobretudo por todas as camadas, pela ousadia, pela proposta. Sobretudo pelo carisma de Keanu Reeves como Gabriel — um anjo que sai das asas, entra na vida real, e ri, sofre, tropeça, come hambúrguer pela primeira vez e então acha delicioso, além de entender o que é “viver de verdade”. Se você gosta de comédia com alma e igualmente de fantasia com crítica social, então este filme é a indicação certeira.
Vale a pena ir no cinema ver este filme?
Sim!: vale sair de casa pra assistir ou ligar o streaming e se entregar. Hilário, sensível, provocativo. Conseguiu me deixar emocionado, rir, pensar, e ainda me senti abraçado pela ideia de “aquele que me guarda”. Foi muito bom ver. Muito mesmo.
Essa é minha resenha. Eu sou Henrique Pheniato, do Hospício Nerd — e se você for assistir esse filme, comenta aqui: te emocionou ou fez chorar de rir? O que você achou desse trabalho? Até a próxima!
