TA NA HORA DO QUE?
Finalmente temos um filme do Quarteto Fantástico à altura da equipe e dos criadores. Eu acredito que eles estariam muito satisfeitos.
E não se preocupe: sem spoilers por aqui.
Enredo
No universo retrofuturista número 828, quatro anos após terem o DNA alterado por uma tempestade cósmica, os Quatro Fantásticos se tornaram os maiores heróis e celebridades do planeta.
No entanto, uma nova ameaça surge quando uma Surfista Prateada (Julia Garner) anuncia a chegada de Galactus (Ralph Ineson), que pretende devorar a Terra.

Divulgação Marvel Studios
Coração no lugar certo
Os estúdios trataram o Quarteto de forma brutal em todas as adaptações anteriores. Desde 1994, com um filme que nem chegou a ser lançado oficialmente, passando pelos longas dos anos 2000 e chegando ao fundo do poço com a versão de 2014.
Agora, com a Mãe Marvel no comando, o estúdio parece finalmente ter entendido a importância dessa equipe para a marca. Afinal, os Quatro Fantásticos foram os primeiros super-heróis da editora, criados por Jack Kirby e Stan Lee — que, sem dúvidas, ficariam muito felizes com o resultado.
Além disso, o filme ultrapassa o gênero de herói e entrega uma ficção científica sem medo de ser exagerada.
Sem vergonha de ser colorido
Com referências a Star Trek, Interstellar e até Os Jacksons, Quarteto Fantástico mergulha no colorido e no extravagante. O universo retrofuturista aposta na ciência como guia da humanidade, e lembra bastante a visão de futuro que Tony Stark apresentou em Homem de Ferro 2.
Mesmo assim, o filme mantém a essência do gênero de super-heróis. E é justamente aí que ele acerta em cheio no coração da Marvel.
Por outro lado, o longa abandona o tom sombrio e realista que Nolan popularizou, que Josh Trank tentou copiar e que Snyder saturou. A Marvel mergulhou o Quarteto num balde de tinta: uniformes vibrantes, robôs, carros voadores, uma batalha épica contra um vilão gigantesco.
A equipe, no entanto, tem uma missão mais íntima: salvar a família. Essa é a palavra-chave. Reed e Sue agora são pais e enfrentam perigos extremos para proteger o pequeno Franklin Richards. Portanto, a trama nos prende pela emoção — queremos ver essa família vencer.

Julia Garner como Surfista Prateada // Reprodução Marvel Studios.
Elenco afiado
O elenco está perfeito. Pedro Pascal entrega um Sr. Fantástico rígido, mas focado. Joseph Quinn interpreta um Tocha Humana carismático — não tão mulherengo quanto o esperado, é verdade — mas com um papel funcional e bem definido na trama.
Em contrapartida, quem realmente brilha é Vanessa Kirby. (Apesar do nome, não é parente de Jack Kirby.)
Estamos acostumados com versões de Sue Storm que pouco impactavam a trama. Jessica Alba, por exemplo, era tratada como um símbolo sexual, constantemente colocada em situações de nudez involuntária e era apenas a esposa invisível. Mesmo quando tentava agir, acabava relegada ao papel de “rosto bonito”.
Já Vanessa Kirby vira esse jogo. Ela canta, dança, sapateia — e quase nos faz esquecer os outros integrantes quando está em cena. Agora, Sue não é apenas parte da equipe: é uma mãe disposta a tudo para proteger o filho. Inclusive, se necessário, enfrentar o próprio marido.
Enquanto Reed é o líder racional, Sue é o coração. Ela é o elo emocional da equipe, quem mantém todos unidos — e quem segura o público até o fim do filme.

Divulgação Marvel Studios.
Conclusão
Quarteto Fantástico: Os Primeiros Passos é uma pérola da Marvel.
Ele não reinventa a fórmula da casa, nem tenta se apoiar em nostalgia barata. Também não exige que o espectador tenha assistido a mil filmes e séries antes de começar.
Mais importante: não constrói grandes pontes forçadas para sequências. Em vez disso, o foco está no essencial — os Quatro Fantásticos. E o filme prova que ainda é possível contar boas histórias de herói contra vilão (Que poderia ter sido melhor aproveitado), sem medo de ser alegre, com uma trama simples, mas poderosa o suficiente para nos fazer torcer pelo final feliz.
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Texto por: David Alves
