{Resenha} A vastidão da noite – Eles não estão sozinhos... e nós? - Hospicio Nerd

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O Amazon Prime Video acaba de nos presentear com mais uma obra de grande valor narrativo (apesar do baixo valor de custo; aproximadamente 600 mil dólares). O primeiro filme do diretor Andrew Petterson já entra no ramo chutando a porta da frente, mostrando que uma boa ficção científica não precisa de muito dinheiro, mas de uma boa história, bem contada e interpretada. É o que temos aqui, com um roteiro propositalmente lento, mas personagens bem construídos, tensão crescente e perguntas parcialmente respondidas.

(Fonte: Imdb.com)

Para ninguém chegar desavisado, já aviso que se trata de uma ficção científica relacionada a extraterrestres. Nesse caso, pode ser fácil cair no erro de achar que o filme é mais um clichê de sustos, suspense e luta contra extraterrestres malignos, mas fique tranquilo, o filme tem muito pouco ou quase nada disso e vai muito além. Contém um clima de aflição e urgência crescente, toques sutis mas eficazes de terror, mas ainda assim se sobressai um clima aventuresco.

A história se passa nos anos 50, e o longa não esconde a referência à série dos anos 80 “ Além da Imaginação”, aqui chamada de “c…..”. Assim, na pequena e pacata Cayuga, situada no Novo México, um ambiciosos radialista e uma jovem operadora de telefonia embarcam numa aventura atrás de mistérios crescentes na cidade, envolvendo aparições e informações de OVNI’s.

No início o filme é lento, quase arrastado. Tem planos longos e a cinematografia sempre aberta, demonstrando exatamente a vastidão ao nosso redor. Somando isso à uma apresentação de personagens sem pressa o resultado na primeira meia hora pode deixar um expectador desavisado bastante impaciente e entediado. Lembra os livros do Stephen King, onde os personagens são desenvolvidos à exaustão antes que qualquer elemento fantástico aconteça. Mas quando acontece….

Sierra McCormick in The Vast of Night (2019)

(Fonte: Imdb.com)

É exatamente o que temos aqui, a história parece demorar para engatar exatamente para nos fazer nos importarmos com os personagens e nos imergir na trama. Falando em personagens, eles são palpáveis, adoráveis e detestáveis, humanos, muito graças ao excelente trabalho principalmente da dupla de protagonistas Fay Crocker (Sierra McCormick) e Everett Sloan (Jake Horowitz).

À medida que a história avança, nós nos sentimos mais e mais imersos e os recursos utilizados para suprir a falta de dinheiro abrilhantam a narrativa, como telas escuras apenas com a narração de determinado fato, ou o personagem falando sozinho na tela sob alguma luz estranha. Os planos abertos também servem como ferramenta para nos dar a impressão de como somos pequenos na imensidão, além e sempre nos deixar com uma pulga atrás da orelha, olhando em cada canto, temendo ver alguma coisa.

A história se passa praticamente em tempo real, em pouco mais de duas horas, onde a maioria da população de uma cidade está num jogo de basquete, deixando a cidade vazia e propícia a avistamentos e acontecimentos estranhos e inexplicáveis.

The Vast of Night movie review: A gripping old-school sci-fi ...

(Fonte: The Indian express)

A Vastidão da noite é um projeto pequeno, mas compensa muito em criatividade, que aqui está SEMPRE a favor da narrativa, e que após ganhar consideráveis prêmios em festivais de cinema por aí, conseguiu uma bem merecida distribuição em grande escala pela Prime vídeo.

Sem dúvida, é um prato cheio pra quem curte o tema, do mais corajoso ao mais receoso (como eu), agrada e principalmente, recompensa quem consegue superar a lentidão do início. Por tudo isso, dou QUATRO FLAVITOS.

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