{Resenha} ADÚ! Uma jornada de superação e força! - Hospicio Nerd

NHAIMM TUXOS E TUXAS QUE GOSTAM DE UMA BOA HISTÓRIA!!!!

Ainda bem que temos uma plataforma que sabe nos proporcionar o melhor nesse tempo de pandemia e isolamento social, é assim que Adú, um filme espanhol de uma história africana chega na nossa amada Má NETFLIX! Histórias de superação nos deixam sempre mais felizes, e é assim que essa narração de um trajeto numa trilha tão difícil se tornou uma proposta em que você encontra também um monte de abordagens sociais, além dos três idiomas: francês, inglês e espanhol! O excelente trabalho de direção de  Salvador Calvo, que como voluntário da CEAR (Comissão Espanhola de Ajuda aos Refugiados) conheceu várias histórias que o levaram a fazer seu recente sucesso, deram vida ao roteiro impecável de Alejandro Hernández que traz histórias como a de um garoto de seis anos que conseguiu chegar em um barco com uma mulher e duas filhas, mas que depois foi descoberto que ele não era filho da mulher e sim estava sendo levado para ser vítima de tráfico de órgãos e a de outro garoto de 15 anos da Somália que sofria abusos de seu tio e que foi aconselhado pelo seu pai a fugir, atravessando todo o deserto do Saara e chegando na Líbia como escravo. Ele conseguiu escapar para o Marrocos e ao chegar nas Ilhas Canárias, faleceu vítima de AIDS. Mostrado em três momentos o filme é uma amostra da realidade e do sofrimento impostos às crianças africanas que se tornam verdadeiros heróis quando partem em uma jornada solitária para alcançar uma vida digna e pacífica.

Um elenco muito bem selecionado com atores espanhóis, africanos e franceses fizeram do filme um conjunto de nacionalidades unidas em prol de um apelo que chama a atenção para a realidade do norte da África, é assim que os amadinhos Anna Castillo, Álvaro Cervantes, Jesús Carroza, Miquel Fernández, Luis Tosar, Moustapha Oumarou, Adam Nourou, Zayiddiya Dissou, Ana Wagener, Belén López, Issaka Sawadogo, Marta Calvó, Miquel Fernández e Nora Navas deram vida aos personagens do drama. A interpretação de Tosar e Castillo em meio ao ativismo do pai e a rebeldia da filha ficou impressionante, mostra com clareza a distância na cultura espanhola entre pai e filha que parecem não ter um convívio como família, mas que enfatiza que mesmo assim um pai se sente responsável pelas atitudes dos filhos. No cenário de injustiças é impecável a atuação de Cervantes que vive o soldado que é protegido pelo sistema militar para não ter que justificar a morte de um refugiado na fronteira, mostrando assim, que é mais fácil inocentar do que acusar um funcionário do governo por sua irresponsabilidade. Por último temos o trabalho de Moustapha e Zayiddiya, apesar de atores precoces, eles é quem movimentam quase todo o começo do filme como Adú e Ali, os irmãos fugitivos que tentam de todas as formas chegar na Espanha para encontrar seu pai. Isso só comprova que Calvo como diretor soube realmente fazer seu papel dando as coordenadas certas para o grupo de atores que transformaram o filme em um movimento contra as injustiças, matanças e sofrimentos no Norte da África.

Divulgação / Netflix 

Não se trata de só uma trama, na realidade temos três histórias que passam por várias adversidades no extremo norte da África. logo de cara temos temo a fronteira da África, onde um policial que barra a entrada dos refugiados diariamente se vê envolvido em um processo contra ele ao ser acusado de ter participação na morte de um dos refugiados que se prendeu na cerca de arames farpados ao tentar saltar a cerca. Em outro cenário, temos o ativista que defende a fauna e aflora africana e que se depara com a terrível cena de um elefante morto em uma área de reserva, o que o deixa indignado, mas para complicar sua vida ele também vai ter que conviver com a chegada da sua filha considerada problemática e viciada em drogas que resolve passar um tempo com ele. Por último temos o que move toda o enrede, Adú e sua irmã Ali que ao presenciar o ato ilegal de caçadores de elefantes na floresta fogem para sua casa e deixam para trás uma prova que estavam no local, sua bicicleta, logo após tendo sua mãe assassinada pelo grupo de caçadores eles decidem fugir de avião na tentativa de conseguir chegar à Espanha e ir ao encontro de seu pai. Nessas três histórias há muito sofrimento, tensão, injustiças e claro muita emoção, e tudo caminha para chegar a um ponto onde todos os personagens se conectam. Não é um daqueles filmes que tudo dá certo e todos vivem felizes para sempre, ao contrário, mostra a realidade na mais pura e crua visão do que realmente acontece dentro dos três ambientes, e o mais importante é que você chega ao final sem aquele sentimento de que é um filme que não agrada, mesmo porque fica bem mostrada que é uma produção que ao mesmo tempo consegue abrir nossos olhos para a verdade, também presta homenagem aos vários refugiados e sua injustiças, ao movimento contra a matança ilegal de animais selvagens e principalmente ao drama vivido pela maioria das crianças no norte da África!

Divulgação / Netflix 

A produção de Álvaro Augustín, Edmon Roch e Ghislain Barrois associado as empresas Escine Espanhol, Telecinco cinema, La Terraza films, Ikiru films e Un mundo prohibido ficou realmente bem feito, com o apoio e financiamento do governo espanhol ficou maravilhoso. Cenários do Norte da África enriqueceram o projeto de tal forma, que podemos dizer que muito do que foi usado como locação tornou os custos bem mais baixos, mas por outro lado mostra como uma equipe bem estruturada para pensar em fazer cálculos de trajetória que num determinado momento culmina numa interseção entre as três histórias. Os figurinos foram executados depois da excelente observação dos produtores através das visitações a pequenas aldeias norte-africanas registrando seus costumes e tipo de vida dos aldeões. A trilha sonora acompanha harmonicamente o desenrolar dos fatos que movem todo o drama, e ficou tão bom que todas as cenas parecem estar muito bem sonorizadas. Os cortes ficaram bem feitos e não deixaram nada sem solução, o resultado disso foi o conjunto final que você nem sente que ficou 119 minutos de olhos vidrados em frente a TV. Com certeza eles contaram com o apoio dos governos da Espanha e da África que numa espécie de acordo cinematográfico, onde a região norte-africana concordou em ceder as áreas fronteiriças para os takes direcionados ao drama dos refugiados. Uma obra prima da sétima arte que merece nossa atenção com certeza!

Divulgação / Netflix 

Para minha pessoinha foi uma experiência fantástica, me surpreendi em vários momentos completamente emocionado com as histórias mostradas de uma forma tão realista. Temos que convir que a realidade tem feito muito sucesso como enredos nas produções do gênero drama da atualidade e isso parece também ser um alerta para a humanidade, mostrando para todos que tem muito mais sofrimento no mundo do que podemos imaginar. Adú com certeza é uma obra prima atual, além de trazer os questionamentos do amor incondicional também joga na cara da sociedade a necessidade de uma humanidade mais sensível perante ao cenário de pobreza e dificuldades que vários países enfrentam. Foi uma higiene mental ver as imagens da África com suas belezas naturais e por outro lado traz aquele sentimento de indignação regada de uma vontade grande de lutar pela justiça mundial! Se nós indicamos para você? Só digo isso: Vocês TEM QUE VERRRRRRRR e depois vir aqui para me contar quantos litros você chorou tá!!!!! ADOROOOOOO #CHOCOBJS #FIQUEEMCASASEPUDER #MARMOTANDO

 

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