{Resenha} Apocalypse V – De boas intenções.... - Hospicio Nerd

O inferno está cheio!

Apocalypse V é uma pretensiosa série do catálogo da Netflix. Ela acerta em fugir da temática batida do misticismo que envolve todos os enredos sobre vampirismo e aposta numa pegada mais científica.

Acompanhamos a saga do cientista Dr. Luther Swann (Ian Somehalder) num mundo onde subitamente, parte das pessoas se tornam vampiros sedentos de sangue. Assim, o protagonista segue tentando descobrir o motivo e a cura para o vampirismo enquanto tem de proteger sua família, ao passo que seu melhor amigo, Michael Fayne (Adrian Holmes) acaba se tornando um vampiro e se torna procurado pela polícia, descobrindo que talvez, sua condição não seja uma doença, mas de fato, uma nova raça humana.

O enredo ainda conta com ação, suspense, toques de terror e uma boa abordagem política social, temas que podem fazer uma história de sucesso.

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Entretanto, por mais que tenha boas cartas na mão, a série peca em diversos aspectos.

Primeiramente no papel do protagonista,(Ian Somehalder), que é entrega a pior atuação da série. É um galã, mas sem qualquer expressão, o que atrapalha a empatia que precisamos ter pelo personagem para acompanhá-lo.

Em segundo lugar e o principal é a pressa. A série tem um argumento interessante, mas precisaria de calma e sutileza ao ser abordado. Tudo o que acontece na história seria muito bom, se tratado com o desenvolvimento e o cuidado necessário, mas a série parece ter pressa para chegar a algum lugar que ainda não está claro, instaurando um caos mas não aprofundando nas camadas que ela mesma criou.

Esta premissa se nota principalmente quando o tema são os vampiros: existem tipos de vampirismos diferentes; os sedutores, os animalescos, mas a premissa é totalmente ignorada, a comunidade vampírica se forma sem qualquer desenvolvimento, suas motivações e habilidades não são explicadas, tornando-os simples animais violentos aos nossos olhos, quando na verdade, não o são, pois a série dedica parte de seu tempo ao abordar sua sociedade e personagens.

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A série faz bem em mostrar o caos que se instaura no mundo (na verdade, num estado dos EUA), mas novamente falha ao não dar a profundidade que cada premissa merece. Existem os caçadores fascistóides, a parte boa do governo, a parte má do governo, os facções de vampiros, cientistas, família, a vampira que se nega a caçar humanos e se torna uma vigilante. Nada disso é bem explorado, sendo simplesmente pincelado de vez enquando no enredo.

Os efeitos especiais empregados não são dos melhores, nota-se problemas aqui e ali, talvez um público mais exigente implique, mas nada que seja terrível.

Por outro lado, existem bons dilemas como a amizade entre Swann e Fayne, a resistência de Mila (Laura Vandervoort) contra a sede de sangue. O lado político da série também é bem explorado, mostrando que há mais vilões do que apenas os vampiros e até piores que eles.

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Assim, a série prende o expectador mais pela promessa do que ela pode ser do que pelo que ela realmente é, e entrega um bom gancho para a segunda temporada, que pode ampliar os conceitos aqui narrados e se tiver a calma necessária, desenvolvê-los. Entretanto, não vai segurar a audiência por muito mais tempo se continuar correndo para chegar a lugar nenhum.

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