{Resenha - Especial #PrideMonth} Maurice - Hospicio Nerd

Pride!

“Se um homem está amando outro homem, não há como curar, não há prisão que mude tal pensamento, pois não é doença, não é um crime, é simplesmente, amor…”

Ambientado na Inglaterra do século XIX, Maurice é uma história sobre o descobrimento da homossexualidade de um homem, num cenário no qual isto é visto como crime. O jovem Maurice se apaixona pelo seu colega de classe da universidade, Clive, que o corresponde. Porém eles têm de manter tudo em segredo por conta do grande preconceito de uma sociedade que via tal demonstração de afeto como uma heresia às crenças cristãs.

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Com o decorrer da história vemos como a vida de uma pessoa que não seja hétero tem de ser vivida às escondidas, sendo aproveitada nas entrelinhas, sendo vivida à margem da sociedade, pois, caso contrário, não só sua reputação iria por água abaixo, mas você também poderia ser condenado à prisão.

A direção de James Ivory mostra muito bem como os sentimentos do protagonista estão à flor da pele, não podendo ser evidenciados em público. Toda a construção do filme faz com que você sinta o desejo ardente de Maurice por simplesmente querer estar com alguém, estar com um homem, de forma sincera e sem barreiras.

Mas, tal como hoje, o preconceito se torna uma das mais letais armas, pois ela ataca de dentro para fora. Ela faz com que Maurice até tente lutar, se curar de sua doença- tal como a homossexualidade era tratada na época- tentando ser um homem “normal”… Mas não é isso que ele sente de verdade, não é o que ele quer, não é o que ele é.

O destaque fica para James Wilby, Maurice, que transita entre emoções intensas mostradas com suavidade, e uma arrogância típica de um empreendedor comum, carreira que decide seguir ao ser expulso da escola. E embora a história seja em torno do personagem de Wilby, tanto Hugh Grant (Clive) quanto Rupert Graves (Alec), que passa a ser importante na segunda metade do filme, fazem um trabalho muito bom mostrando a insegurança com uma pitada de desejo dos jovens que interpretam.

Trailer Maurice (1987) - Restaurado em 1080p - YouTube

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Ainda que seja um filme de 1987, seu enredo não poderia ser mais atual. Ele mostra a luta diária, tanto interna, de um indivíduo que é diferente, mas que pode ser julgado pelo mundo ao redor por ser assim, e por isso às vezes tenta se encaixar nos padrões socio-culturalmente construídos, mesmo indo contra o que ele sente; quanto pela luta externa contra a rigidez de pensamentos preconceituosos, a ausência da liberdade para com o que é considerado além dos padrões, o medo de sofrer consequências apenas por ser quem você é ao pisar fora de casa.

A própria filmagem é repleta de momentos silenciosos dentro de conversas, ou de takes focados no ambiente, fazendo com que você entenda que estar ali é uma situação delicada, cujas palavras devem ser bem pontuadas para que você não dê margem a interpretações erradas.

Mesmo com tudo isso, há apoio de alguns personagens à identidade de Maurice, especialmente dos membros da família, e isso levanta o questionamento da importância da mesma para a construção de pessoas mais flexíveis e sensíveis para com o outro.

Enfim, é uma jornada de descoberta e aceitação de si mesmo, uma jornada baseada no amor, na busca por um alguém que me aceite como eu sou, uma jornada cujo único objetivo é a felicidade, a qual, para algumas pessoas, só vem depois de muito, mas muito suor e lágrimas, tudo por conta da nossa ignorância.

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