{Resenha - Especial #PrideMonth} Moonlight - Sob a luz do luar - Hospicio Nerd

Se há uma palavra que pode descrever Moonlight: Sob a luz do luar é: Sensível.

O filme de Barry Jenkins é verossímil, brutal, romântico e dramático, mas a sensibilidade expressa em cada cena, cada trilha sonora (e ausência dela) e em cada expressão dos personagens faz o filme falar mil vezes mais apenas mostrando do que em toneladas de diálogos.

Moonlight, assim como Chiron, seu protagonista, fala pouco. Mas diz muito. No olhar, na postura, nas dúvidas não expressas, na fúria e no tumulto interno, não mostrados pelo personagem, mas que qualquer expectador pode sentir só de olhá-lo.

É um filme que fala de muitos assuntos, levanta muitas discussões sobre sexualidade, maternidade e paternidade, solidão, preconceito. Mas novamente, como seu protagonista, não explicita absolutamente nada disso, deixando o audiovisual fazer seu trabalho; mostrar, muito mais do que falar.

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Foto: medium.com

Chiron é interpretado três vezes, em três diferentes momentos de sua vida: infância, adolescência e idade adulta, e foi incrivelmente interpretado nas três por respectivamente (Alex R. Hibbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes). É impressionante com os três atores conseguiram exprimir exatamente o mesmo olhar, postura, entre aspas, podemos ver o mesmo interior do personagem.

Mahershala Ali também está excelente no papel de Juan, um traficante que acaba assumindo o papel de pai de Chiron. Seus melhores momentos são quando confronta seu trabalho com o impacto na mãe de Chiron, uma viciada. O silêncio culpado de Ali e a forma como a cena é filmada comove até o mais bruto de nós. Novamente, sem julgamentos, sem acusações, sem exposições.

Ficamos chocados ao ver que Juan não acompanha Chiron no segundo ato. Um baque para nós, que pensamos que o garoto havia encontrado um porto seguro. O filme não explica como se dá a morte, nem precisa, nos lembrando que apesar de Mahershala Ali no elenco, o filme é de Chiron.

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Foto: medium.com

E o traço paternal deixado por Juan se refletiu em Chiron em sua idade adulta, onde ele emula Juan até mesmo nos enfeites de seu carro. É única referência que teve. Vemos, chocados, que o garoto tímido e perdido se envolveu num casulo de músculos e crime, mas é reconfortante perceber que após a ligação de Kevin, um antigo amigo/crush da escola, Chiron é o mesmo garoto que acompanhamos desde o início.

O final do filme não é apoteótico, tampouco chocante ou extremamente dramático, mas é bonito e significativo. Ver aquele homem de aparência e trejeitos truculentos se desfazer nos braços do amigo, ambos sem mencionar sequer uma palavra desperta sentimentos conflitantes, traz à tona a imagem a palavra chave desse filme: sensibilidade.

Sem dúvida, merece todos os prêmios e indicações que recebeu, pois mostrou uma forma nova de encarar a sexualidade de um personagem, desde a infância até a maturidade e também por mostrar todos os assuntos periféricos de forma verdadeira e crua.

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Assim, o cinema de drama ganhou uma peça que vai figurar na história e não apenas o cinema, mas a comunidade negra, LGBTQ e qualquer pessoa que se sinta vitimizada. Poderemos assistir a esse filme, nos colocarmos no lugar de Chiron, sentir suas dores e amores e entender que mesmo nos moldando em uma casca defensiva, ainda somos o que somos por dentro, e entender e tolerar o próximo, mesmo que não concordemos com sua posição pode evitar que tanta gente realmente precise desenvolver essa armadura e esconder um interior tão meigo e bonito. Como o de Chiron.

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