{Resenha} Freud - Só a mamãe Netflix explica! - Hospicio Nerd

SENTA NO DIVÃ E VEM COMIGO TUXAIADA DE PLANTÃO! UHUUU

E mais uma vez nossa amada “Mamãe” vem com mais uma deliciosa produção daqueles de dar água na boca, ou melhor, de nos fazer perder um parafuso! A trama da vez já se explica pelo próprio nome: FREUD! Na contínua aposta em produções estrangeiras, a série austríaca-alemã veio enriquecer o intelecto e claro mostrar uma visão diferente na mistura da realidade do pai da psicanálise com uma investigação de uma série de assassinatos. A ficção ficou bem feita e traz muito da carga de conhecimento do jovem neurologista que mudou o conceito dos tratamentos de doentes mentais. A NETFLIX se uniu a ORF e Satel Film numa produção de Moritz Poletr, direção de Marvin Kren que também é o criador junto de Benjamin Hessler e Stefan Brunner e trouxe uma história que se passa numa Viena de 1886 do Império Austro-Húngaro, época em que nosso amado Sigmund com 30 anos ainda era um estudante de medicina.

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Acho justo listar os personagens e os respectivos atores que os deram vida, já que existem talentos fantásticos nos castings estrangeiros nas produções mostradas na plataforma atualmente, sendo assim confere ai quem é quem:  Sigmund Freud (Robert Finster), Ella Rumpf (Fleur Salomé), Sophia von Szápáry (Anja Kling), Viktor von Szápáry (Philipp Hochmair), Theodor Meynert (Rainer Bock), Martha Bernays (Mercedes Müller), Prince Rudolf (Stefan Konarske), Feldmarschall Franz von Lichtenberg (Heinz Trixner), Georg von Lichtenberg (Lukas Miko), Amalia Freud (Marie-Lou Sellem), Kaiser Franz Josef (Johannes Krisch), Dr. Josef Breue (Merab Ninidze), Arthur Schnitzler (Noah Saavedra), Caspari (Markus Schleinzer) e Herr Lauritz (Martin Weinek). Rica e muito bem escolhida, a equipe de atores desenvolve uma sintonia excelente no desenrolar da trama e nos envolve de tal forma, que conseguimos enxergar vários perfis que compõe os estudos da psicanálise desenvolvidas pelo protagonista da série. Fora isso, fotografia, cenários, figurinos, iluminação, trilhas, edições bem feitas e muita dedicação nos levam numa viagem ao tempo para conhecer a antiga Viena do século 19.

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(Fonte: Netflix/divulgação)

Saber desenrolar um bom enredo misturando ficção com fatos reais baseados em registros antigos é uma arte bem complexa. Esse é o trabalho feito em “FREUD”, Marvin Kren foi minucioso nos detalhes e claro deixou bem claro que não é uma biografia e sim uma obra de ficção, mas o realismo utilizado em seu texto traz uma certa sensação que nosso pai da psicanálise viveu mesmo tudo que é mostrado nos 8 episódios apresentados pela nossa amada “Mamãe”. Numa Áustria complicada politicamente, a capital Viena é cenário de assassinatos variados que parecem ter invadido a sociedade freneticamente, como se um grupo de para nós hoje em dia chamados de psicopatas estivessem todos soltos e realizando todas as suas vontades. Neste mesmo cenário temos Freud ainda como estudante defendendo sua tese de cura pela utilização da hipnose nos tratamentos dos pacientes que demonstram certos distúrbios mentais que acabam se exteriorizando no próprio corpo. Muito além disso, tem também um grupo da sociedade frequentado por ele que faz sessões espiritualistas com as manifestações da médium Fleur Salomé e seus tutores Sophia von Szápáry  e Viktor von Szápáry. Acompanhando o bafão todo a investigação de Kiss, que tenta descobrir quem é o autor dos vários desaparecimentos, sequestros, assassinatos e agressões que estão acontecendo uma atrás da outra. Isso tudo prende conforme os ambientes descritos vão se entrelaçando e dando sentido às nossas prováveis suposições a cada episódio.

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(Fonte: Netflix/divulgação)

A NETFLIX deve ter tido uma intuição quando apostou na direção de Marvin Kren e na produção de Moritz Poletr. Podemos notar o empenho com que foi realizado esse projeto através do resultado rico em detalhes. A série tem todos os elementos que caracterizam a época com uma harmonia agradável e temos que realmente elogiar o nível com que nos foi apresentado já que se trata de contrastes bem paradoxos de ambientes, noites obscuras e dias com uma claridade bem natural casando com figurinos um tanto quanto “góticos”, parece que todo mundo só usava preto. Os costumes e hábitos da sociedade no período foram muito bem representados desde as locações até os objetos de cena. Medos, segredos, intimidade e peculiaridades, como o uso da cocaína líquida pelo doutor neurologista estudante acompanhado dos saraus promovidos com todos os tipos de regalias cheias de prazer e luxúria, aparecem com um força de imagem intencional que ficou bem editada. Com o tempo muitas coisas consideradas erradas pela sociedade parecem ficar normais na vida dos personagens mudando o foco do primeiro susto para a famosa sensação que fica em nossa mente: “O que vai acontecer agora?”

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(Fonte: Netflix/divulgação)

Senta agora no divã e vamos tentar fazer o que ele mesmo criou, uma espécie de psicanálise usando a  hipnose das palavras para tentar te mostrar alguns pontos de vista que podem te levar a ter mais e mais suposições interessantes sobre a série. Em cada episódio mais um ingrediente é acrescentado na receita desse bolo saboroso servido no consultório da nossa imaginação. Os perfis iniciais já nos levam a crer que até mesmo o próprio Freud era um paciente potencial para a teoria de sua autoria quando aparece completamente aletrado por psicotrópicos químicos e o consumo de bebidas alcoólicas. Em seguida, temos a apresentação dos outros personagens que iriam seguir movimentando os acontecimentos da primeira temporada, dentre eles o relacionamento dos oficiais da polícia com o trabalho inovador do estudante Sigmund apesar de criticado pelos próprios professores como um profissional que se baseia na fantasia e teses imaginárias sem lógica. A classe de pessoas envolvidas são os mais abastados e influentes do período, apesar de que a situação do protagonista estar bem complicada e paupérrima. Observando mais, vemos o uso da técnica de hipnose pelo toque com certo realismo dentro do espectro fictício escrito por Kren que apresenta resultados satisfatórios tanto para o lado de quem quer tratar quanto para os manipuladores. Questões políticas, tabus sociais, precariedades, grupos com pensamentos perigosos e com alto teor de maldade, atitudes únicas mostradas por cada um dos descontrolados dessa primeira fase, caso você leia um pouco mais das teorias freudianas, se encaixam nos estudos e conclusões realizados pelo psicanalista. Gente é um babado complexo, mas delicioso de assistir!

Não tem como não gostar de uma produção que traz a lógica e a razão científica para explicar que a maioria das coisas pode ser resultado de uma indução mental, claro respeitando os fatos inexplicáveis ainda, até mesmo pelo vocabulário humano, como a mediunidade da Senhorita Salomé, quem momento é apresentada como uma farsa. Gente, eu comecei, e sempre digo, se o primeiro episódio não fizer manifestar em você uma vontade de ver o que vai acontecer no próximo, com certeza não é tão bom. No caso de FREUD, acontece exatamente algo mais, quando você se dá conta, você jã está no quinto. Um último atrativo são os títulos de cada um deles: Histeria, Trauma, Sonâmbulos, Totem e tabu, Desejo, Regressão, Catarse e Supressão, dão a impressão que são na verdade pautas de estudo de psicologia, ou psiquiatria, e claro que promovem no último episódio uma analise final do espectador, que eu aconselho a ver ao menos duas vezes tudo se não entender muito bem de primeira. Nós continuaremos nossa jornada observando o que tem de novo fora dos parâmetros a que estamos acostumados e conferir com muito carinho tudo que é estrangeiro na plataforma de nossa amada “Mamãe”! Corre gente, confere e comenta, quero saber o que vocês acharam tá! #CHOCOBJS #FIQUEEMCASA

 

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