{Resenha} Hamilton - A evolução do storytelling - Hospicio Nerd

Tão legal que merece duas!

Hamilton: An American musical é um musical estreado na Broadway em 2015. Foi recordista de indicações ao Tony Awards (o Oscar dos musicais), totalizando 16 indicações e, destas, levou 11 incluindo Melhor Musical. Ainda conquistou outra penca de prêmios, incluindo Grammy, Prêmio Pulitzer e Desk Awards. Agora, o show volta aos holofotes com força total ao ser exibido no streaming Disney+, onde está atingindo um público muito além de suas expectativas.

O musical conta a história de Alexander Hamilton, um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos e dito por muitos ser o menos lembrado. Lin-Manuel Miranda, a mente que criou as letras, protagoniza e desenvolveu o espetáculo como um todo, parece ter resolvido mudar esta condição do personagem histórico, e conseguiu.

Hamilton musical comes to the big screen next year, Entertainment News & Top Stories - The Straits Times

(Fonte: Timeout)

Muitos torcem o nariz quando falam do gênero “musical”, mas a meu ver, o musical é o ápice da performance de um ator. Não basta apenas atuar, ao vivo, sem chance de reencenar, eles têm de cantar, dançar, se posicionar, além de ter um imenso carisma e capacidade de improviso. Em Hamilton, é incrível perceber que absolutamente TODOS, do ator principal até o menos exposto coadjuvante desempenham estas tarefas com espantosa perfeição.

A forma de contar a história também é inovadora. Sendo o pai fundador um imigrante, Lin-Manuel Miranda, filho de imigrantes, resolveu investir num espetáculo que valorizasse e priorizasse a cultura das minorias, que no final das contas, construiu os Estados Unidos. Assim, o musical tem uma predominância de cultura negra e imigrante, além de esmagadora parte do elenco. Não bastasse isso, o show é completamente cantado, sem qualquer momento de “fala normal”, além das músicas de fato. Essa premissa pode parecer cansativa, mas o ritmo de rap construído, permeado por canções em vários estilos, a história com um roteiro conciso, a produção que investe mais em figurinos que em cenários mirabolantes, e as coreografias, sutis mas tão verossímeis fazem quase as 3 horas de espetáculo passar despercebidas. Isso sem falar nos personagens.

King George (Jonathan Groff) All three songs from Hamilton - YouTube

(Fonte: Timeout)

Os personagens são, de fato, o que leva o show para outro nível. Carismáticos desde o herói, Alexander Hamilton, passando por seu fascinante adversário Aron Burr (Sir), interpretado por Leslie Odom, Jr. (que também foi indicado ao prêmio de Melhor Ator, perdendo apenas para Miranda), sua doce mas forte esposa, Eliza (Phillipa Soo, Melhor Atriz), e toda a vasta gama de personagens, com destaque para Lafayette e Thomas Jefferson (Daveed Diggs), Angélica Schuyler (Renée Elise Goldsberry) e o Rei inglês George III (maravilhosamente interpretado por Rory O’Malley).

How to Watch Hamilton on Disney+ This Weekend

(Fonte: Timeout)

As músicas também não poderiam ficar de fora da análise, e merecem um imperativo destaque. São vigorosas como em “My shot”, divertidas como “Schuyler Sisters”, românticas como “Helpless” e divertidas como “You’’ll be back”. Ainda transmitem exatamente a forma de pensar e agir de seus personagens detentores como a excelente “Winter Ball” de Aron Burr, a chocante “Satisfied” de Angelica Schuyler e a sarcástica “What’d I Miss” de Thomas Jefferson. A personalidade de cada um se reflete no ritmo de sua canção e isto permeia por todo o espetáculo. Uma excelente escolha para quem quer conhecer a premissa é a canção inicial: “Alexander Hamilton

Hamilton é, na minha opinião, a evolução da forma de contar histórias. Combinando música e cultura, sem deixar cair a narrativa por um segundo sequer graças a seus personagens tão maravilhosamente escritos, torna uma história que muitos considerariam enfadonha num verdadeiro jovem clássico que reverberará pelos anos vindouros. E como diria A.Ham: “Just wait… Just wait…”

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