{Resenha} Os Irmãos Willoughby! Animação com história para gente grande! - Hospicio Nerd

INHAIMMMMM TUXOS E TUXAS FAMILIARES!!! QUEREM BAFÃO??? KKKK

Vamos que vamos, que dessa vez o papo é familiar, vem em formato de animação, traz uma realidade possível e de certa forma ironiza os padrões de criação dos pais de hoje em dia, que com certeza podem estar acontecendo por aí, “Os Irmãos Willoughby” (The Willoughbys), chegaram na plataforma da nossa amadíssima “Dedicated Mammy” NETFLIX e é claro que eu não ia deixar passar, nunquinha, não não, sem chance! Com direção de Kris Pearn, aquele mesmo moço que arrasou em “Tá chovendo hamburger” e “O bicho vai pegar”, essa produção canadense-americano de 2020 tem a co-direção de Rob Lodermeier e enredo de Pearn junto de Mark Stanleigh que deram um toque final de irreverência merecida, e claro vai cativar o público jovem e adulto que aderiu ao hábito de consumir streamings nessa quarentena. Com 92 minutos de duração, desde o dia 22 de abril nossa Mom e a Bron Studios produziram a história baseada na obra homônima de Lois Lowry que retrata a visão distorcida de uma família em pleno século 20 que não condiz com as convenções consideradas “normais”. O diretor Pearn arrasou em suas escolhas, desde o casting à trilha sonora que foi criada por Mark Mothersbaugh. Vem comigo que você entender melhor!

O elenco é de dar gosto e faz do filme um show de talentos, começando por Ricki Gervais, como o gato narrador sarcástico e acompanhado de Alessia Cara (Jane), Will Forte (Tim), Maya Rudolph (Linda), Martin Short (Pai), Jane Krakowski (Mãe), Sean Cullen (Gêmeos Barnaby) e Terrry Crews (Comandante Mellanof) que simplesmente usaram com maestria o poder de suas vozes. A direção de dublagem foi perfeita, sem sombra de dúvidas o longa se enquadra aos padrões novos da comédia de animação que vem sendo apresentada nos novos formatos. O roteiro chama atenção pelo contraste entre a inocência infantil gerada pela falta de informação e diálogos fortes e cheios de um realismo bem estruturado que traz um certo ar de maldade nas cenas de destrato dos pais. Com certeza, cada um dos atores fez seu dever de casa nos dando uma visão bem definida de cada personagem sem exageros e de maneira bem natural. O destaque vai para o gato que está presente o tempo todo na trama narrando a história e nos dando a impressão de que a sua visão felina tem tudo a ver com o que às vezes pensamos realmente se tratar do que se passa na cabeça do animal. O restante dos atores, a maioria pelo menos já está acostumado à fazer comédia e isso enriqueceu o contraste, o gato e suas lamúrias e a babá e seu otimismo elevado.

Por ser animação, a criançada vai assistir, e mesmo porque não tem restrição nenhuma, já que a censura é livre, mas mesmo assim temos uma realidade no enredo, não é uma daquelas “historinhas bonitinhas” e cheias de mensagens fofas. Logo de cara você se depara com o narrador, que é um gato irônico e de humor ácido deixando bem claro que o que você vai ver sai fora do seu conceito de uma família típica. Praticamente trancados em um casarão antigo no meio da cidade grande, os Willoughbys parecem estar no século passado, e os pais se mostram em uma espécie de distúrbio “egoísta” que os prende num eterno romance, ignorando tudo o mais que a vida lhes deu, a não ser as próprias vontades e a sua riqueza nata. Tim o mais velho que sonha em ter um bigode como seus ancestrais, Jane que acredita no poder da música e os inteligentíssimos gêmeos Barnaby estão confinados numa espécie de ciclo dependente e usufruem tudo que sobra dos pais, já que é tudo que recebem dos progenitores que só dão amor um ao outro, fazendo com que eles sobrevivam por si mesmos. Tudo vira uma bagunça quando eles encontram a bebê que passam a chamar de Ruth na porta de sua mansão e são obrigados a sair de casa para se livrar da criança para não perderem de vez o lar. É assim que eles vão parar na fábrica de doces do Comandante Melanoff, ao decidirem que aquele é o lar perfeito para a garotinha, no caminho de casas eles tem a ideia mirabolante de se tornarem órfãos e mandarem seus pais para uma viagem muito bem planejada. Ao ficarem sob os cuidados da babá Linda que fica assustada com o tipo de vida que eles levam, os quatro irmãos acabam se metendo em muito mais confusões do que imaginavam. Mas a história não ficar por aí, porque os personagens se unem por um motivo maior e o enredo fica mais intrigante do que parece.

A produção de Brenda Gilbert, Aaron Gilbert, Luke Caroll, Jason Cloth e Richy Gervais não deixou a desejar, os desenhos tem traços finos o que deixa tudo muito mais divertido e leve e além disso a técnica stop-motion nas cenas traz um clima retrô super agradável ao filme que foi feito com cortes exatos gerando ao enredo acontecimentos grandiosos a cada momento, sem furos ou dúvidas sobre os acontecimentos. Além da trilha sonora ser muito boa como já foi mencionada, ainda tem o paradoxo de cores com uma iluminação muito bem feita, onde dentro da casa da família é mais mórbida, fria, escura e toda ambientada em móveis antigos, quadros com retratos da família e escadarias e porões bem característicos e fora dela se apresenta um mundo tão colorido que o fato de existir um dirigível feito de doces com combustível de açúcar capaz de suportar temperaturas baixas se torna natural aos nossos olhos, mesmo porque acho que esse foi o segredo para aliviar as cenas de desconforto nos tratamentos abusivos que os quatro irmãos sofrem o tempo todo. Temos que tirar o chapéu para essa galera que brilhou fazendo as escolhas certas na montagem e na caracterização do material, como por exemplo, cabelos de lã, bigodes de algodão doce e corpos modelados em massinha, como se tudo fosse feito de brinquedos.

Um filme muito bem feito e produzido que aborda assuntos delicados como o abandono e abuso familiar de crianças, o tratamento de órfãos e as estruturas dos orfanatos, entre outros, também traz a visão do que realmente pode se chamar de família. É um projeto arriscado já que tem a necessidade de ser mostrado de forma não muito agressiva, mas que pelo visto deu certo pelos elogios que tem recebido pela crítica e pelos telespectadores da nossa linda “Mamãe”! Mas o melhor da trama é que você chega aos ápices do filme acreditando que aquele é o momento clichê que tudo vai dar certo e  com mensagens discretas, bem humoradas e engraçadas, você se surpreende com verdades que te deixam na dúvida se tudo aquilo terá ou não um final feliz. Considero que ganhei meu tempo vendo essa animação irreverente que marca como segunda produção desse gênero da NETFLIX depois de Klaus também de sua produção, que por sinal me agradou da mesma forma! Super indico e como falei no último “BLITZ Pipoca” confere e me conta se você também pensa assim! ADOROOO #CHOCOBJS #FIQUEEMCASA

 

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