{Resenha} Superman - Entre a Foice e o Martelo - Hospicio Nerd

Finalmente!

Depois de anos no aguardo, enfim temos uma das mais icônicas histórias do Homem de aço adaptadas para animação.

O sucesso e a qualidade das animações da DC são inquestionáveis, e há inclusive, quem diga que se a equipe das animações fosse escalada para roteirizar os filmes para cinema, os resultados do “DCU” estariam bem melhores.

A dúvida é: será que esta complexa grafic novel foi bem adaptada para as telinhas? Há quem diga que sim, há quem diga que não.

Fonte: getyourcomicon.co.uk

A Grafic Novel Superman: Red Son é uma história fechada no universo DC, sem qualquer ligação com outras sagas. Dada a maestria do roteirista Mark Millar, o enredo é complexo acima da média, levanta discussões infindáveis e pertinentes e tem um final emblemático.

Se ao invés de ter caído no Kansas nos Estados Unidos, o que aconteceria se o Superman ainda bebê tivesse aterrissado na Ucrânia Soviética, em meio à Guerra Fria?

A animação não tem tempo suficiente para se aprofundar em tantos aspectos e personagens como nos quadrinhos, e assim, economiza tempo, plots e torna algumas coisas mais simplistas. Consequências de uma adaptação.

A obra conta com qualidade visual irretocável. Cenas lindas, traço majestoso, momentos de tensão, tristeza e esperança. A animação é totalmente bem sucedida na questão visual e no enredo como um todo.

Fonte: comicsbeat.com

É em decisões específicas do roteiro que mora o problema. Assim que se dá conta da opressão que o Estado Comunista emprega a certas camadas do povo, o Superman mata Stalin sem hesitação. Essa decisão é plenamente humana, mas oposta ao espírito do Superman da história original, que não mata. A partir desse fato, toda a bondade mostrada pelo Super acaba sendo vazia, pois vimos o que ele faz quando se vê aparentemente sem outra opção.

A Mulher-Maravilha está bem apresentada, fiel ao conteúdo original e com seu arco bem definido. O Batman careceu de um pouco mais de diálogos, um pouco mais de motivação explícita. Os Lanternas Verdes tiveram uma participação pífia, mas quem brilha é o contraponto do herói: Lex Luthor.

Aqui, Lex é tratado de forma ambígua, sempre respeitada a sua obsessão pelo Superman, mas apesar de sabermos que ele é um vilão, de o vermos atacar unilateralmente o mundo pacífico (e ditatorial) criado pelo herói, a animação o trata como a resposta ainda que vilanesca, de um mundo livre e ideal que é a América, melhor do que regime de paz e submissão implantado pelo Superman Soviético.

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Fonte: movies.mxdwm.com

A animação infelizmente peca ao deixar claro que a posição americana é a correta e a do Superman é errada, algo que a HQ deixa em aberto.

Mas a maior decepção da animação é seu final. Um final interessante, sim, mas muito, MUITO inferior ao final épico da Grafic Novel, onde vemos que a história é cíclica e que, na realidade, há uma verdadeira hipocrisia do “evoluído Mundo livre”.

Superman: Entre a Foice e o Martelo tem momentos marcantes e é uma boa adaptação, mas abdicar de um final tão perfeito como o da HQ, principalmente quando o cerne do enredo foi seguido tão à risca, foi sem dúvida, um erro lamentável.

 

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