{Resenha} Westworld S03E03 – O mistério de Charlotte - Hospicio Nerd

E Westworld continua com tudo!

Este terceiro episódio foi mais intenso e misterioso que o esperado. Nos dois primeiros, a série ameaçava trilhar um caminho previsível como clichê de SCI-FI e clichê dentro de suas próprias premissas.

Entretanto, “The Absence of Field” trouxe novas e empolgantes questões e reflexões.

O episódio se demora em grande parte explicando e aprofundando Charlotte (Tessa Thompsom). Suas questões, o trauma de família, sua relação com Dolores (Evan Rachel Wood). Peraí, o quê? Sim. O episódio não faz qualquer mistério ao deixar claro que não é Charlotte Hale a pessoa que vemos, mas um anfitrião programado por Dolores para se passar por ela e se infiltrar na Delos.

Westworld Season 3 Episode 3 Tessa Thompson

(Foto: HBO)

Acontece que “Charlotte” tem crises de confiança e de personalidade. Está se imiscuindo demais na vida da executiva e começa a se sentir sendo ela. A dúvida mais interessante é: quem está se passando por ela? A resposta mais óbvia seria Teddy (James Marsden), mas se é óbvio, talvez não seja verdade.

O episódio ainda progride o enredo nos mostrando (na forma de um diálogo MUITO expositivo) que Charlotte estava trabalhando para o misterioso novo vilão Serac (Vincent Casssel), que quer a chave do código de acesso à mente das pessoas que já passaram por Westworld, que está na mente de Dolores, lembrando que ele já recrutou Maeve (Thandie Newton) também.

Por outro lado, vemos a relação de Dolores e Caleb (Aaron Paul) se aprofundando, e percebemos junto com os dois, que Caleb tem uma vida bastante similar à que Dolores tinha: um ser vivo numa gaiola, vivendo como seus mestres lhe ordenam, sem livre arbítrio. Vemos aqui uma aproximação de Dolores, o que talvez lhe faça ter dúvidas quanto à sua fúria contra os humanos, já que um deles é tão parecido com ela.

Westworld' Season 3 Episode 3: The system has taken control and ...

(Foto: HBO)

O episódio 3 ainda nos dá um vislumbre do mundo onde se passa a história, totalmente automatizado com robôs e naves incríveis, mas onde a privacidade é praticamente zero. Onde a vida das pessoas é monitorada dos acontecimentos banais até os mais impactantes de suas vidas e, baseado na personalidade e em suas experiências, a vida profissional da pessoa é controlada pelos poderosos, num paralelo muito estreito com os anfitriões do parque.

Assim, a série faz uma crítica sutil à influência das mídias sociais na vida das pessoas, que recolhem e vendem informações pessoas para interesses escusos, e ainda toca em conceitos de Isaac Azimov, sobre até onde um robô se torna humano e vice-versa.

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(Foto: HBO)

Westworld ainda introduz uma linha de pensamento diferente ao mostrar Dolores sendo muito mais do que mestra e amiga de “Charlotte”. Ela fala literalmente que Charlotte “pertence à ela”, emulando assim, o espírito dos humanos que controlavam o parque e a fizeram sofrer tanto. Isso cria a premissa de Dolores estar se tornando exatamente o que está combatendo com tanto afinco.

É muito bom ver a série se aprofundando em tantas discussões filosóficas, para além da ação, pois este é seu cerne e o que fez os fãs se apaixonarem, e ao que parece, nesta temporada, as coisas vão ficar mais complicadas ainda. O que é ótimo!

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