Os jogos terminaram…
Chegamos ao último jogo, e Round 6 chega ao final cansado dela mesma, cheia de furos de roteiro e personagens insuportáveis.
Anteriormente…
A revolta contra os jogos começa, mas dá errado. Isso obriga Gi-Hun a voltar, mesmo sem entender por que ainda está vivo.

Divulgação Netflix.
Pontos positivos
Começando pelo que há de bom: expandir a história para mostrar o ponto de vista de quem administra os jogos foi uma escolha inteligente.
Essa decisão ajuda a série a ter o que contar além dos jogadores e seus desafios. Nada disso funcionaria sem dois pilares fundamentais: o roteiro e o elenco.
Apesar da forte interferência criativa da Netflix, esses dois elementos conseguiram sobreviver — o que já é uma vitória.
O elenco continua sustentando tudo. Desde o protagonista Lee Jung-jae (Gi-Hun) até os personagens mais insuportáveis conseguem entreter.
Lee Byung-hun, que interpreta o anfitrião mascarado também se destaca desde a segunda temporada. Os vilões, em especial, ganham mais espaço e carregam um peso dramático maior.
Eles nos conduzem de episódio em episódio, só para vermos o quão insalubres podem ser com os jogadores.
Os próprios jogadores também funcionam, mesmo com muitas intrigas previsíveis. Apesar de alguns clichês evidentes, o roteiro segura a tensão — ainda que seja nítido o cabo de guerra entre os roteiristas e as exigências da Netflix. O criador puxa para um lado. A Netflix e seus roteiristas, para outro.
Em vários momentos, é fácil notar os clichês típicos da plataforma. E o problema maior é esse: os personagens podem até ser bons, mas seus núcleos narrativos não são.

Reprodução Netflix.
Pontos negativo
A partir da segunda temporada, surgem três núcleos principais: A soldada que quer fugir da ilha; Os policiais tentando localizar a ilha; E, claro, os próprios jogadores.
Mais da metade desses núcleos termina sem qualquer relevância. A história principal (dos jogos e do jogador 456) até recebe um desfecho… mais cuidadoso mas não significa que seja um final bom e nem digno.
Mas os demais núcleos parecem existir apenas para preencher tempo de tela. No final, giram em círculos e não levam a lugar nenhum.
Além disso, o excesso de tramas paralelas gerou furos de roteiro e contradições irritantes. Por exemplo: conseguiram localizar e remover um rastreador escondido em um dente do Gi-Hun, mas não detectaram um competidor usando drogas para melhorar o desempenho, sendo que o local era lotado de câmeras e sensores de movimento. Isso contradiz o que a série nos fala desde a primeira temporada, os jogos são cruéis, sim, mas justos.
Outro furo absurdo: uma recém-nascida é colocada como competidora, e ninguém parece lembrar que os jogos foram feitos para todos terem a mesma chance, era um pilar central da competição desde a primeira temporada. A série decidiu esquecer as próprias regras.

Divulgação Netflix.
Uma série exausta
Revisitando nosso texto da segunda temporada, percebemos algo: foi simples porque a temporada também foi simples. Round 6, que deveria ter sido fechada em uma única temporada, caiu na maldição da Netflix. Lá, tudo precisa ser esticado como chiclete até perder o sabor.
Lá Casa de Papel sofreu com isso. Stranger Things também. Agora, é a vez de Wandinha… e, inevitavelmente, Round 6.
Na segunda temporada, Gi-Hun entra nos jogos claramente insatisfeito e esgotado, está lutando contra um sistema que sabe que não vai vencer. É difícil não imaginar que o criador da série, Hwang Dong-hyuk, também se sinta assim. Desde o início, ele deixava claro que queria fazer apenas uma temporada.
Mas, após muita pressão e uma tonelada de dinheiro, duas novas temporadas foram confirmadas.
A sombra da Netflix
A primeira temporada tinha uma história autoral, personagens bem posicionados e críticas sociais afiadas.
A partir da segunda, tudo isso é engolido por uma fórmula enlatada. O roteiro passou a ser expositivo demais, previsível e cheio de personagens irritantes.
Alguns existem apenas para morrer de forma impactante no final, sem contribuir para nada. As temporadas seguintes viraram quase uma cópia de La Casa de Papel.
A tensão sobe, os personagens somem, e a trama avança sem respiro. Ainda assim, por mais que prenda a atenção, Round 6 virou uma sombra de si mesma.
A série finge que tá nos esganando, a gente finge que ta sendo enganado só para acabar logo.
Conclusão: valeu a pena?
A terceira temporada consegue, ao menos, momentos mais memoráveis que a segunda, mesmo que não de para esconder que a segunda e a erceira na verdade eram uma temporada só dividida em duas metades, pelo menos isso é uma forma mais interessante do que a HBO fez com The last of Us que lançou uma temporada em 2025 com um gancho enorme que só veremos o desfecho em 2027, pelo menos a Netflix grava tudo de uma vez e lança em partes ao longo de alguns meses. Ainda assim, Round 6 repete muitos dos mesmos defeitos e levanta um alerta:
será que é só isso que a Netflix tem para oferecer?
É uma série boa? Sem dúvidas. Mas, como muitas da plataforma, Round 6 começou como uma obra inesquecível…
E termina como mais uma entre tantas outras que chegam ao fim cansadas, esticadas demais e pedindo para acabar.
Round 6 termina assim: cansada de si mesma.
Ainda bem que, mesmo nesse cenário, Hwang Dong-hyuk conseguiu manter o mínimo de qualidade no roteiro.
E mesmo com ele envolvivo, as duas temporadas finais não escaparam da mediocreidade que ta virando rotineiro na netflix.
No fim das contas, os jogos cansaram. Mas a jornada valeu a pena.
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Texto por: David Alves
