Com certeza este é o melhor filme de terror em três anos de Hospício Nerd
E digo isso mesmo depois de ver O Ritual, o primeiro. Já vi vários filmes nessa temática, mas esse específico em minha opinião, me ganhou em todas as camadas. Em certo momento, até fiquei confuso pra escolher as palavras certas pra descrever, porque é muita coisa boa acontecendo ao mesmo tempo. Desde o início, criei várias especulações — e olha que nem vi o trailer. Imaginei, junto com meu colega de cabine, o grande João, que talvez o garoto sobrevivente do primeiro filme (O Telefone Preto, que inclusive tem resenha aqui no Hospício Nerd), pudesse ter se tornado o vilão.

Prometeu nada e entregou tudoooo!
Pensei também que esse novo longa poderia contar a infância do assassino, ou trazer algo sobre o passado dele. Mas o filme já abre mostrando o garoto adolescente, o que foi uma surpresa incrível. Boa parte do elenco original retorna, e é muito satisfatório ver aquele menininho — a antiga vítima — agora crescido, enfrentando o ensino médio, com traumas e dilemas bem humanos. Spoiler: ele se tornou um jovem marcado, e o filme explora isso de forma intensa.
A narrativa se desenrola mostrando também a irmã mais velha, que continua sensitiva e perturbada pelos acontecimentos anteriores. É bonito ver como ambos carregam as cicatrizes do passado, e como o roteiro costura essas dores sem apelar. O telefone preto continua tocando, e o mistério parece longe de acabar.
Merece um Oscar de melhor fotografia
O que mais me encantou foi a fotografia impecável. Se esse filme for indicado ao Oscar, o diretor de fotografia merece demais este premio. Os enquadramentos, a composição de luz e sombra, e a direção de arte são de cair o queixo. A trilha sonora me ganhou fácil: teve rock, teve piano, teve momentos dramáticos bem pontuados. Nada forçado, nada desconfortável. A imersão foi total.

As cenas iniciais, com imagens sangrentas e ruídos estranhos, já entregam o tom sombrio. E o melhor: o terror aqui é estético, bonito na sua bizarrice. A maquiagem, os efeitos práticos e a ambientação me lembraram produções dos anos 80, com aquele charme de película granulada, mas com técnica moderna.
Outro ponto que me pegou foi uma solida imersão relembrando a clássica como A Hora do Pesadelo, por Fred Krueger, uma sacada bem genial por hora. A ideia de um vilão que age entre o plano espiritual e o material ficou muito bem construída. A “batalha espiritual” no final é intensa, mas sem exageros. Tudo é bem dosado, bem interpretado e, principalmente, convincente.
Como Pós graduado em Supernatural, eu acho que tem mais…
E pra quem é fã de Supernatural (tipo eu 😎), vai sacar rapidinho as referências diretas. Segundo o manual Winchester, quando se lida com forças espirituais, é preciso queimar os corpos com sal grosso pra encerrar o ciclo. No caso desse filme, mesmo com o desfecho apresentado, fica a dúvida: será que o mal foi realmente destruído?

Não há cena pós-crédito, mas há aquele cheirinho de continuação no ar. E sinceramente? Tomara que venha! Porque o enredo ainda tem muito o que explorar, e esse universo merece ser ampliado.
Por @henriquepheniato
