Mais uma série da Marvel …
Chegamos ao final da série esquecível que veio sem ninguém ver e vai embora do mesmo jeito, sem graça e sem sabor.
Enredo
Riri Williams (Dominique Thorne), uma brilhante estudante do MIT, tenta retomar sua vida em Chicago após sua breve passagem por Wakanda, mostrada em Pantera Negra: Wakanda Para Sempre.
Enquanto Peter Parker buscava honrar o legado heroico de Tony Stark, Riri segue por outro caminho: deseja continuar a missão tecnológica do herói. Seu objetivo é claro — melhorar a qualidade de vida das pessoas por meio da ciência.
Porém, as coisas rapidamente saem do controle. Expulsa da faculdade, ela se vê obrigada a se envolver com um grupo de criminosos para financiar seus projetos. Aos poucos, Riri percebe que entrou em algo muito mais perigoso do que imaginava.

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Mais do mesmo
Infelizmente, Coração de Ferro é mais uma série da Marvel que cai no esquecimento. Ela apresenta o básico: uma nova heroína, agora situada em Chicago em vez de Nova York, com alguns poucos momentos de brilho — especialmente no núcleo tecnológico, onde Riri se destaca como uma jovem prodígio aos moldes de Tony Stark.
No entanto, se a proposta era mostrar um verdadeiro legado do Homem de Ferro, a série ficou distante disso.
Logo no início, Riri afirma que sem dinheiro Tony Stark não teria conquistado nada. A crítica até faz sentido, considerando que ela vem de uma família humilde e precisa se esforçar muito mais.
Contudo, o comentário ignora que Tony Stark construiu sua primeira armadura com sucata no deserto do Afeganistão, além de ter criado o reator arc para manter-se vivo e alimentar a armadura ao mesmo tempo. Em Homem de Ferro 3, ele invade a mansão do “Mandarim” usando bugigangas compradas em loja de conveniência.
Ou seja, por mais que o dinheiro tenha facilitado o caminho de Stark, ele era mais do que isso. Riri, por sua vez, também tem essa capacidade de improviso. A série até mostra uma ou duas cenas onde ela resolve problemas sem a armadura, usando sua inteligência e raciocínio rápido.
Outro ponto positivo é o retrato da ansiedade da personagem — algo inédito entre os heróis da Marvel até agora.
Esses detalhes a tornam mais humana, mas a série não explora tudo isso com a profundidade que merecia.
Carisma em falta
A tecnologia sustenta bem o roteiro. Porém, a atuação de Dominique Thorne como Riri Williams não vai além do básico.
Nas cenas de maior carga dramática — estresse, pânico, tristeza — ela entrega boas performances. Mas, nos momentos mais “naturais”, falta brilho e carisma e a personagem é incoerente o tempo inteiro e parece muito ingênua vindo de uma personagem que deveria ser genial.
Isso pesa ainda mais quando lembramos do histórico da Marvel em acertar no elenco: Iman Vellani em Ms. Marvel, Hailee Steinfeld em Gavião Arqueiro, Oscar Isaac em Cavaleiro da Lua. Todos esses atores souberam sustentar suas séries com presença de tela e carisma. Comparada a eles, Riri foi subaproveitada e merecia mais.

Reprodução Disney +
O núcleo mágico: um erro de encaixe
Em contrapartida ao avanço tecnológico, a série introduz um núcleo de magia, que parece totalmente deslocado.
Esse tema funcionaria muito melhor em WandaVision, Doutor Estranho, Loki ou principalmente em Agatha desde sempre onde a trama magica cairia como uma luva. Aqui, em Coração de Ferro, parece que duas séries com propostas diferentes tentando se misturar e resultando em algo totalmente sem sabor.
O vilão Parker Robbins, interpretado por Anthony Ramos, é genérico: um cara atrás de dinheiro que usa um capuz mágico da Sheila da caverna do dragão para ficar invisível e fazer cara de mau… e para por aí. Ele não convence. Não é ameaçador. E tampouco impõe presença.
É inverossímil que, após anos de invasões alienígenas e multiversos na Terra, as pessoas ainda reajam a artefatos mágicos como se fossem piadas. E o roteiro mergulha de cabeça no misticismo, citando Dormammu e Doutor Estranho, como se estivessem prestes a aparecer.
O maior problema? Magia e tecnologia não se conectam na trama. É possível? sim, precisamos lembrar que nos quadrinhos o Doutor Destino usa tanto seus conhecimentos em tecnologia quanto em misticismo para se manter no poder e funciona. Em coração de ferro não. Ao invés de se complementarem, esses dois elementos brigam por atenção no roteiro e acabam se prejudicando e prejudicando o resultado final.

Divulgação Disney +
Ela não é ruim.
Coração de Ferro não chega a ser uma série ruim, pra ser ruim ela ainda precisa melhorar muito. Ela pisa nas prórprias regras, nãp consegue se sustentar no carisma da personagem ou consegue misturar elementos divergentes em um roteiro coeso sendo que o universo da Marvel permite que vários elementos se misturem como já vimos várias vezes.
E, ao final, nos deixa com uma dúvida incômoda:
Por que perdemos nosso tempo com isso, quando há tantas séries melhores por aí?
Não sei. Só sei que foi assim.
Todos os 6 episódios de Coração de Ferro estão disponíveis no Disney+.
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Texto por: David Alves
