Os indicados do Emmy foram anunciados e vamos falar de uma série que já tem 4 indicações e todas elas são merecidas.
Enredo
Após eventos catastróficos que devastaram a Terra, uma comunidade dos Estados Unidos vive em uma cidade subterrânea pacífica e sem armas. O agente Xavier Collins (Sterling K. Brown) é surpreendido quando o presidente Cal Bradford (James Marsden) é assassinado dentro de seu quarto, sem nenhuma testemunha próxima na hora do crime. Xavier entra na lista dos principais suspeitos e, enquanto precisa descobrir a verdade, nota que é cada vez mais difícil saber em quem pode confiar.
Divulgação Disney +
Personagens profundos
Xavier nos é apresentado na trama como um agente frio e calculista. Antes de reportar a morte do presidente, ele prefere investigar os arredores por quase 30 minutos, sabendo que isso o tornaria um suspeito. E até nos faz lembrar aqueles filmes de ação do personagem que fala pouco, mas sabe de tudo e ninguém pode com ele. Mas Xavier aos poucos se mostra muito mais do que um agente sem expressões. Quando vemos a história dele, sua amizade com o presidente e outros agentes — e principalmente com a família — percebemos que Xavier é um personagem extremamente focado, mas consegue ser empático e sensível. Ele é firme e determinado quando precisa, mas quando está com sua família e amigos, ele se permite abaixar, mesmo que só um pouco, os seus escudos.
E Sterling K, Brown com apenas um olhar consegue passar tudo o que o personagem sente ou pensa em cena tendo um domínio muito grande de um personagem muito rígido.
Do outro lado temos o presidente Cal, interpretado por James Marsden, que começa sendo aquele personagem que todo mundo tinha motivos pra odiar, inclusive Xavier. Mas aos poucos Marsden nos entrega um personagem muito complexo. Ele tenta ser bem-humorado ao mesmo tempo que as circunstâncias não permitem. Tão sensível e afetivo quanto Xavier, mas às vezes consegue ser indigesto também pelas escolhas que faz durante os episódios. É difícil saber quem brilha mais em cena, se é Brown ou Marsden, mas a sorte é que ambos dividem um espaço muito bom na trama, deixando que eles brilhem individualmente, já que são poucas as cenas onde os dois estão juntos — com um clima mais pesado que só chega no final.
Além deles, Julianne Nicholson, que interpreta a antagonista Samantha Redmond (codinome Sinatra), também concorre como Atriz Coadjuvante. Ela vive a mulher mais rica do mundo, uma figura vilanesca digna de vilã da novela das 9, que vai rivalizar com Xavier a temporada inteira. Pois se a cidade não tem mais um presidente, ela tem todos os recursos e influência para tomar conta do lugar ela mesma. Uma personagem raça ruim, ardilosa, espírito opaco, alma sebosa — pois não tem nada que irrite mais do que uma empresária perturbando a vida do presidente e quase tomando a presidência pra si. Ainda bem que é só ficção.
Sterling K. Brown como Xavier em Paradise // Reprodução Disney +
Política e conspiração
Política + ficção científica. À primeira vista, pode parecer difícil combinar gêneros como política, drama, conspiração e sci-fi. Mas aqui tudo funciona porque cada elemento respeita suas próprias regras. O roteiro mantém a ordem, sem atropelos ou confusão.
A trama traz críticas políticas bem construídas e é sustentada por seus personagens — até os menores brilham. O texto se leva a sério, mas reconhece seus momentos de leveza. Em alguns episódios, os personagens são tão interessantes que até esquecemos o cenário político em volta. Isso é mérito do roteiro de Dan Fogelman e do elenco.
Se o nome não lhe soa familiar, vale lembrar: Fogelman é o criador e roteirista de This Is Us. E quem conhece essa série já sabe que ele desenvolve personagens com tanta profundidade que, muitas vezes, eles importam mais que a trama. Ele entende uma regra básica: personagens bons conseguem sustentar histórias ruins; mas personagens ruins não seguram nem as melhores histórias. Aqui, temos uma boa história e personagens fortes atuando em sintonia.
O melhor: a série vai além dos personagens “do bem” ou “do mal”. Em Paradise, quase todos têm tons de cinza. Aos poucos, entendemos o que fazem, por que fazem e como chegaram até ali.
E sobre os prêmios: Sterling K. Brown está indicado ao Emmy 2025 como Melhor Ator. James Marsden disputa como Melhor Ator Coadjuvante, e Julianne Nicholson concorre como Melhor Atriz Coadjuvante. A própria série também está indicada como Melhor Série — todas as indicações muito merecidas.
Suspense crescente e o valor do roteiro
A série tem uma pegada de sci-fi que aparece de vez em quando, quando mencionam o que fez os moradores precisarem se mudar para a cidade subterrânea. Em 8 episódios, a história foca bem mais na trama política e nas conspirações de quem matou o presidente e qual o sentido de todos ao redor de Xavier estarem muito coniventes com tudo — de maneira que o protagonista, mesmo sendo focado, precisa trabalhar o dobro para conseguir algumas informações, sendo que ele não sabe nem em quem confiar além da própria família.
E quando nos damos conta do panorama, parece que tudo fica mais claustrofóbico e, aos poucos, o suspense vai crescendo. A cada episódio, uma carta nova é mostrada, até o final, onde acharíamos que mais nenhuma informação cabe ou encaixa — mas o roteiro faz tudo parecer tão natural que a gente só aceita isso.
A série está atualmente no Disney+ e uma segunda temporada já está confirmada para 2026
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