Era além do que eu imaginava
Salve, meus queridos hospicianos nerds! Cheguei trazendo mais uma resenha, mas dessa vez não será vinda das telonas do cinema. Hoje vamos para a queridinha dos malucos por séries: Netflix.
A série que me pegou de jeito foi O Santuário do Sumo. Meu interesse por ela surgiu de forma inusitada: comecei a assistir a um campeonato de sumô no YouTube e fiquei intrigado com alguns comportamentos dos atletas. Isso despertou em mim a vontade de entender mais – não só sobre o esporte, mas sobre a realidade dura e intensa dos seus praticantes.
Então vambora nessa viagem! Mas já deixo o aviso: essa pílula em forma de resenha cinematográfica pode causar efeitos colaterais devido à alta dose da substância chamada MINHA OPINIÃO.

SINOPSE:
Santuário do Sumô é uma série japonesa de drama que acompanha Saruzakura (Wataru Ichinose), um jovem delinquente que decide se tornar um lutador de sumô. Porém, o interesse de Saruzakura pelo esporte é puramente financeiro, com o objetivo de ganhar dinheiro e aclamação. O elenco também conta com Pierre Taki, que interpreta o treinador de Saruzakura e, apesar de acreditar no potencial do jovem, se preocupa com o seu modo inconsequente de agir. Com direção de Kan Eguchi e roteiro de Tomoki Kanazawa, a proposta da série é mostrar os sonhos e desafios dos lutadores de sumô, além da beleza por trás do esporte tradicional milenar.
Por que me interessei:
Em um dia comum da minha vida, com rotina aleatória, enquanto eu buscava por alguma música para poder despertar minha criatividade no YouTube, me deparei com um campeonato de sumô. Fui logo dando play pra assistir com entusiasmo, por conta do meu imaginário sobre aqueles caras imensos disputando força bruta — e também por causa de um anime em que havia um lutador de sumô competindo com outras modalidades.
Ao iniciar minha imersão no esporte pra valer, pelo campeonato, observei o comportamento sisudo e frio dos atletas: sem expressões de dor física, sem euforia diante da vitória e nenhuma reação negativa perante a derrota. Esses comportamentos me causaram um impacto e curiosidade. Quem aqui se lembra da cena do filme Street Fighter, onde o Edmond Honda está sendo chicoteado, porém não demonstra sentir dor? Pois é…
Foi aí que me lembrei que tinha a série “Santuário do Sumô” na Netflix e fui assistir.
Ao iniciar a série, a primeira cena já começa com momentos de tensão e agressões brutais do personagem principal, chamado Kiyoshi Oze, que passa por fortes momentos de frustração durante a série. Por sua forma desregrada e desrespeitosa perante os colegas lutadores, ele sofre constantes ataques e bullying no ambiente.
Mas a série não é apenas sobre o sumô. Logo em seguida, nos mostra que aquelas agressões não chegam nem perto de ferir Kiyoshi, diante da sua vida problemática em família. A série trata de nos dar esse choque de forma rápida e eficiente, que nem dá tempo de a gente lembrar da porrada que ele estava levando no treino de luta.
Na minha opinião, a série consegue usar o personagem principal como gancho para mostrar que cada personagem ao redor passa por questões individuais intensas — um drama interno pesado — sem precisar adentrar na vida de cada um, apenas mostrando comportamentos específicos e sutis através de Kiyoshi.

Essa forma de construção de roteiro me deixa extasiado, tamanha a profundidade que isso entrega para todos, sem subestimar a nossa capacidade de entendimento. Nessa série, não há um pingo de diálogo ou cena expositiva querendo deixar tudo explicadinho. Você terá que usar sua percepção — ou, senão, ficará apenas esperando pelas lutas… e te garanto: a série não será tão interessante assim.
Mas a série é boa?
Eu gostei muito. O roteiro, a estética, a condução da direção de Kan Eguchi e o texto de Tomoki Kanazawa me pegaram de verdade.
O drama é o que mais se destaca nessa obra, com alguns alívios cômicos bem colocados. Além disso, a semelhança com a linguagem dos animes japoneses nos faz criar uma conexão ainda mais forte com os personagens e suas vivências.
A série usa o sumô como objetivo principal na busca pelo sucesso do personagem principal, mas também como um fio condutor de transformação interna. Ela nos apresenta o “garoto problemático”, completamente denso em suas convicções e personalidade, e disposto a superar seus obstáculos com disciplina através do esporte.
Eu me senti muito satisfeito com a série, principalmente por ter encontrado exatamente o que eu queria entender desde aquela ingênua assistida que comecei no YouTube.
