Se você acha que casamenteiras só existem em reality show da Netflix… ta enganado
Interpretada por Dakota Johnson – sim, a mesma de Cinquenta Tons de Cinza, só que agora sem algemas – Lucy virou especialista em encontrar os tais “homens unicórnios”: altos, bem-sucedidos, com porte físico de comercial de academia, que não bebem, não fumam, não cheiram (nem rosnam), têm boa renda, vêm de uma família estável e, de quebra, ainda são cavalheiros. Utopia? Pois é… mas o mercado anda exigente.
Ou seja “Amores Materialistas” é uma comédia romântica que joga luz sobre o amor contemporâneo com mais crítica do que doçura. A trama gira em torno de Lucy, uma casamenteira de Nova York em plena ascensão. A mulher tá bombando! 9 casamentos realizados com sucesso e uma lista de espera cheia de solteiros carentes e exigentes.
Conflito mais intenso que triangulo amoroso
Além disso, como toda boa história de romance, o destino resolve pregar uma peça. Lucy se vê dividida entre dois homens. John, o ex-namorado ainda tentando ajeitar a vida, carrega aquele afeto familiar que só quem já amou entende. E do outro lado, Harry, um empresário misterioso, refinado e com todos os pré-requisitos do “homem ideal”. Já dá pra sentir o drama, né?

Minha opinião em mais de 20 anos vendo filmes românticos
O filme começa como qualquer outro romance água com açúcar. No entanto, aos poucos, entrega uma reflexão poderosa sobre padrões, projeções e o que realmente esperamos das relações. Diferente de Hitch – O Conselheiro Amoroso, onde Will Smith ensinava homens a conquistar mulheres com truques e confiança artificial, aqui vemos um mergulho mais profissional e realista nesse ofício de juntar corações.
Por outro lado, o papel da protagonista está a Dakota Johnson, conhecida por interpretar Anastasia em Cinquenta Tons de Cinza. Ainda assim ela surge em uma vibe completamente diferente. Uma mulher decidida, estrategista e observadora, que trabalha como uma espécie de “headhunter do amor”. Seu foco? Perfis extremamente específicos e idealizados – os chamados “homens unicórnios” ou qualquer outro que atenda a expectativa dos seu clientes.
Ainda assim, esses homens, segundo o filme, têm que ser: altos, bonitos, bem-sucedidos, com porte físico atlético, zero vícios, emocionalmente maduros, filhos de boas famílias, e ainda por cima… cavalheiros. Quase um Pokémon lendário do amor. A final, essa idealização toda diz muito mais sobre o desespero das exigências do mercado afetivo do que sobre a realidade.
Nem todo “ex” é uma problema
A história esquenta de verdade quando entra em cena Chris Evans. Ele vive um ator de teatro tentando sobreviver com bicos enquanto enfrenta dificuldades financeiras e familiares. Apesar da aparência encantadora, sua vida é tudo menos ideal. E é aí que o filme começa a nos provocar: será que o amor idealizado vale mais do que o amor vivido?
Mas calma, porque ainda tem mais! Pedro Pascal, o queridinho da atualidade (sim, ele mesmo, o papai do The Last of Us), aparece como um terceiro vértice nessa equação romântica. No filme, ele encarna o próprio arquétipo do homem unicórnio. Rico, educado, sensível, presente e aparentemente perfeito. É fácil entender por que a protagonista se vê em conflito.
E não se engane: essa obra vai muito além de coraçõezinhos e beijos no final. Ela joga na nossa cara várias questões:
– O que homens e mulheres realmente esperam uns dos outros?
– Até onde vai o nosso desejo e onde começa a idealização?
– Será que o “match perfeito” existe mesmo ou é tudo fantasia?

De certa forma, o roteiro brinca com esses dilemas, alternando cenas de encontros ensaiados e momentos sinceros de vulnerabilidade. Lucy começa a perceber que, apesar das estatísticas, planilhas de compatibilidade e traços de personalidade, o amor ainda é um bicho indomável.
Em contrapartida o filme acerta em criar duas tensões diferentes, mas igualmente envolventes. De um lado, o conforto de um amor antigo e imperfeito. Do outro, o apelo do novo, do promissor, do cara que parece ter saído de um catálogo de sonhos. Mas aí entra a dúvida: será que um se sustenta só pela história? E o outro, só pela expectativa?
Uma ótima indicação “terapêutica”
Agora, pausa dramática: e nós, homens héteros, onde entramos nessa conversa?
Com uma pegada meio irônica, o filme também nos aponta como quase uma espécie em extinção. Um hétero emocionalmente disponível, com estabilidade financeira e livre de vícios virou raridade de mercado. E aqui vai minha confissão pessoal: em tempos onde os “unicórnios” são mais buscados que o Bitcoin em alta, a concorrência tá desleal.
Apesar do humor leve, o filme cutuca onde dói. Afinal, viver o amor real dá mais trabalho do que parece. Idealizar é fácil. Conviver? Aí o buraco é mais embaixo, hahaha. Esse filme levanta reflexões profundas sobre a dificuldade de se encontrar, se escolher e se entregar num mundo onde “estar disponível emocionalmente” parece ser mais raro que achar alguém com CPF limpo no Serasa.
