Vamos de três curtas-metragens dentro de um filme…
…conectados de uma forma maravilhosamente absurda. É um longa que atravessa várias camadas, trazendo dados e situações que se aproximam do nosso mundo real. Ele nos lembra daquilo que já sabemos, mas que muitas vezes esquecemos nas distrações do dia a dia: onde realmente estamos nesse mundo. Foi isso que eu assisti hoje — A Vida de Chuck. O filme é dividido em três partes: presente, passado e futuro. Ele me atravessou de um jeito muito louco, porque já é cansativo acordar todo dia sabendo que somos apenas um suspiro na existência do microcosmo. Esse longa traz essa pegada de olhar para o céu, entender o relógio do universo e refletir sobre a passagem do tempo dentro da história do personagem. E eu acho isso muito lindo em minha opinião.

Distopico? só que não.
Não é um filme utópico ou distópico, mas ele atravessa várias camadas. Além de um elenco maravilhoso — com atores conhecidos e outros nem tanto —, o filme tem uma qualidade imagética interessante. É preciso ter atenção para assisti-lo. Não é daqueles que dá pra ver em casa com gente conversando na sala, porque a experiência se perde. Já no cinema, acredito que a coisa mude de figura: ambiente escuro, telão, pipoca… uma combinação perfeita. Esse filme brinca muito com a galera de humanas e, ao mesmo tempo, flerta com a de exatas, juntando filosofia e reflexão sobre a existência com matemática e raciocínio lógico. Ele te leva a uma crise existencial contemplativa, mas não de forma a surtar pelo que está fora do nosso controle — e sim de entender o momento presente, o que controlamos e o que não controlamos.
Tem umas coisas muito loucas, como quando o filme fala sobre ficar sem internet. É insano. Ele trabalha com múltiplas realidades, mas sempre orbitando o personagem principal, Chuck. O mote “obrigado Chuck pelos seus 39 anos” aparece bastante e dá a dimensão de uma vida se esvaindo. É sobre alguém em estágio terminal de câncer, mas também sobre tudo o que foi aprendido ao longo dessa vida. O filme mistura memórias, reflexões e micro-histórias que atravessam o personagem. É daqueles que você termina em silêncio, num estado reflexivo. Pelo menos foi assim comigo.
Cheio de referencias, uma homenagem atrás da outra
Eu, particularmente, não recomendaria para quem tem psicológico mais frágil. Pode ser pesado demais e suscitar questões subjetivas fortes — talvez até seja um filme para se ver acompanhado de um terapeuta, dependendo do caso. O longa fala de romance, vida e passado, sempre criando conexões muito legais entre cada um dos três capítulos. E teve dança. Como eu gosto de dança, achei especial perceber como isso foi colocado no filme. Quem tem essa sensibilidade vai notar as passagens ligadas à dança, com referências e homenagens a coreografias icônicas: Pulp Fiction, Michael Jackson, Charlie Chaplin, samba brasileiro, salsa cubana, xaxado, música latina e muito mais. Foi gostoso perceber como esses elementos passaram pela história do personagem.

Meio Forest Gump, e muito show de Trumam
Apesar de parecer que são três curtas separados, existe uma conexão entre eles. Elementos de um capítulo retornam no outro, quase como atos de teatro costurados em sequência. Isso foi muito bem pensado. Saí satisfeito com a obra como um todo, sem nada a reclamar. É um filme reflexivo, filosófico e matemático ao mesmo tempo, com toques numerológicos e cronológicos que exigem atenção tanto visual quanto de raciocínio.
No fim, é um filme leve e pesado ao mesmo tempo. Denso. Ele pode te deixar baqueado ou te elevar, depende muito do seu estado de espírito ao assistir. Quanto à pergunta clássica: vale a pena pagar a bilheteria? Na opinião deste humilde cabineiro: sim. É um bom filme, eu gostei
