Bora ler!
Convenhamos: eu fui ao cinema achando que seria apenas mais um filminho infantil bobo, só pelo nome. Mas, como diz o ditado, “não julgue o livro pela capa”. Foi exatamente o que eu fiz — e, felizmente, me enganei. Acabei caindo no “conto do vigário” e me surpreendi com um suspense muito bem construído, que em alguns momentos chega a causar verdadeira agonia nos espectadores.
Vamos começar do começo: aqui conhecemos Amber e Jake, dois irmãos que, ainda muito jovens, precisam lidar com a perda da mãe. Uma dor imensa para qualquer um, e ainda mais para crianças que não sabem bem como expressar seus sentimentos. Para extravasar suas emoções, Amber passa a desenhar em um caderno misterioso, criando ilustrações extremamente macabras. No entanto, em determinado momento da trama, esse caderno cai em um lago — e, a partir daí, os monstros ganham vida no mundo real.
Agora, os irmãos precisam correr contra o tempo para derrotar os monstros antes que seja tarde demais. Do outro lado, vemos um pai desesperado, ainda profundamente abalado pela perda do grande amor da sua vida e sem saber como amparar os filhos diante da ausência da mãe.
O filme trata do luto — um sentimento doloroso, mas necessário de ser vivido. Se Amber tivesse encontrado outra forma de expressar essa dor, nada disso teria acontecido. Já Jake, por ser menino, acaba sendo deixado de lado. Ele precisa proteger a irmã, mas seus próprios sentimentos são esquecidos.
Quanto ao CGI, não tenho do que reclamar: os monstros são criados para parecer feitos de giz de cera, e o resultado realmente impressiona. Alguns chegam até a causar pavor no público. É uma história bem construída, mas senti falta de um aprofundamento maior no passado dos pequenos com a mãe — talvez alguns flashbacks a mais fossem suficientes para dar mais emoção à narrativa.
Em resumo, o filme surpreende ao ir muito além do que aparenta ser à primeira vista. Sob a roupagem de uma fantasia sombria, entrega uma narrativa envolvente sobre dor, perda e amadurecimento, trazendo reflexões profundas sobre o luto e a importância de dar espaço aos sentimentos. Apesar de alguns pontos que poderiam ser melhor explorados, a obra cumpre bem seu papel: emociona, prende a atenção e deixa uma marca no espectador.
