Ai sim!
James Gunn segue acertando com pacificador, e se um dia ele errou, foi querendo acertar! porque ele provou como usar o multiverso do jeito certo!

Divulgação HBO MAX
Retcons e novos rumos
Sim, meus pacificadores multiversais, a nova temporada de Pacificador chegou, e James Gunn ainda consegue dar mais camadas para um personagem que nasceu para ser odiado. Aqui falaremos dos três primeiros episódios com spoilers, então tenha cuidado.
Chris e a equipe, depois de salvar o mundo, não conseguem boas oportunidades para nada — com exceção de Economos, que ainda trabalha na Argus. Já Harcourt e Adebayo tentam novas vidas, mas Amanda Waller parece dificultar a situação de todos. Até Chris, que sonha em entrar na Gangue da Justiça, sofre com isso.
Chegamos a pensar que o universo que o Pacificador visita seria o novo “campo” para um crossover com o Superman… mas não. James Gunn fez um retcon e simplesmente declarou que desde sempre esse era o universo com a Gangue da Justiça do Lanterna Verde e da Mulher-Gavião. Ainda assim, é possível teorizar que se trata de outro universo com pequenas diferenças, já que algumas pontas não foram amarradas.
Por exemplo: em O Esquadrão Suicida, Waller afirma que Sanguinário mandou o Superman para a UTI com uma bala de kriptonita. Na época, acreditamos que era o Superman do Henry Cavill. Mas Gunn decidiu fazer esse retcon sem cerimônia, praticamente dizendo: “Agora é assim, aceite”.
O multiverso como ferramenta narrativa
Aqui chegamos à melhor parte da temporada até agora: o uso do multiverso. Já comentamos sobre isso em outro texto, mas vale destacar com calma.
Na primeira temporada, conhecemos o pai do Pacificador, um supremacista neonazista, e descobrimos que Chris matou o próprio irmão por acidente, depois que o pai forçou os dois a lutar em rinhas. Em O Esquadrão Suicida, o Pacificador parecia apenas um babaca arrogante, mas a série revelou que suas piadas pesadas e atitudes questionáveis nasceram da falta de outro modelo de vida.
Adebayo equilibra a história ao questionar constantemente o comportamento de Chris. Já o Vigilante reforça esse contraste ao agir de forma ainda mais fria e sem noção. Esse recurso funciona porque mostra que o protagonista não é tão ruim quando comparado a alguém pior.
O episódio 3 e o ouro do multiverso
No terceiro episódio, acompanhamos um dia inteiro na vida de Chris em outro universo. Lá, seu irmão está vivo, junto com o pai, e os três são considerados heróis da cidade, respeitados como o próprio Superman. Porém, esse Pacificador lida com vícios sérios em remédios e mantém um histórico problemático de relacionamentos, incluindo um romance fracassado com Emilia Harcourt.
A grande sacada está no diálogo entre Harcourt e Chris. Ao falar sobre o comportamento desse outro Pacificador, ela descreve alguém muito parecido com a versão que vimos em O Esquadrão Suicida: egocêntrico, excêntrico e difícil de conviver. O Chris que conhecemos percebe isso e entende que o verdadeiro problema das amizades e relacionamentos está nele mesmo.
Mesmo tendo matado sua versão alternativa, ele não se sente deslocado. Pelo contrário, considera viver nesse universo uma oportunidade. As cenas com Harcourt são boas, mas os momentos com o irmão — alguém que ele mesmo matou em sua realidade — trazem peso emocional. Essa jornada mostra como Chris encara suas falhas e dá valor à trajetória.

Reprodução HBO MAX
O multiverso da certo!
Em apenas três episódios, James Gunn conseguiu usar o multiverso melhor do que a Marvel em três anos, quando o recurso foi explorado quase só para piadas, referências e reciclagem de personagens antigos. A exceção é Loki, que, assim como Pacificador, usou o conceito para desenvolver personagens. Ambos mostram como versões alternativas obrigam protagonistas problemáticos a confrontar seus defeitos, permitindo um arco de redenção.
Isso é usar o multiverso com propósito, não como fanservice. É transformá-lo em uma ferramenta para enriquecer a história e aprofundar personagens. O tema pode parecer saturado, mas talvez o problema não seja o conceito em si, e sim o mau uso dele — algo que vemos em 8 de cada 10 produções.
O fato é que Gunn está construindo um universo sólido, com personagens bem definidos e camadas a explorar. Em 2025, já vimos Creature Commandos, com Rick Flag Sr. liderando a nova equipe de Amanda Waller. O personagem apareceu em Superman como secretário de defesa e agora, em Pacificador, é o novo líder da Argus, após a saída de Waller. Tudo indica que ele terá longa vida nesse universo.
Talvez seja exagero falar tão bem do James Gunn? talvez. Mas enquanto ele continuar acertando, a gente vai continuar elogiando.
Texto por: David Alves
