Esse filme para mim é como se fosse um macarrão alho e óleo, sem molho.
Porém ele deixa de ser somente visualmente bonito porque também traz reflexões muito interessantes sobre a moda em si e tudo que envolve essa dinâmica. Além disso, aborda questões da vida, da sociedade, questões políticas, e eu acho isso uma proposta muito legal em minha opinião. Com Ingrid Guimarães como atriz principal — uma atriz fenomenal — Ainda me abre sorriso e me dá vontade de rir quando lembro da interpretação dela em “ De Pernas Pro Ar”; tipo filme erótico, mas muito bem feito.

Quem é a @paulaprattaoficial (nome fictício)
Em seguida, o filme de hoje tem uma perspectiva totalmente diferente: uma mãe solteira blogueira de moda, mulher de 50 anos, trabalhando com marca de vestuário, vivendo intoxicada pelas redes sociais. Mais pra frente, você entende porque fala dessa toxicidade da internet e dessa desconexão nossa com a natureza e com o meio ambiente.
Então, surge uma oportunidade ímpar de trabalho para ela: um ensaio fotográfico renomado, com tema “Dia das Mães”, com fotógrafo de grande prestígio. Ele coloca ela em apuros porque entende que ela precisa do filho, que está no exterior, uma condição de vida da qual essa mãe sempre sonhou pra ele. Contudo, a partir do momento em que ele descobre que o filho está na Amazônia, ela parte de São Paulo para lá, para entender o filho e como trazê-lo de volta para participar do ensaio.

Amazônia, curando a gente como sempre
Quando ela entra em contato com a natureza, com o meio ambiente, esse contraste é muito lindo. Eu elogio muito o desempenho dela como atriz, vestida de salto alto, roupas luxuosas, no barro da floresta, nos cascalhos das estradas — coisa difícil de imaginar. E é uma realidade: as pessoas estão de sandália, botas, coturnos, e algo diferente disso fica totalmente desconfortável. A mãe, neurótica, forçando o filho para um lugar onde ele está se desintoxicando e se libertando, então, dessa forma, é possível ver essas nuanças, esses passos, esses caminhos.
Também há muitos momentos de reflexão que me fazem repensar sobre a sociedade consumista. Esse filme bate de frente com isso. É uma brincadeira pensar que moda é apenas aparência, ou que somos adultos tensionados porque temos uma criança fragilizada dentro de nós — isso me fez lembrar Sigmund Freud. Essa mulher descobre, nesse processo, de onde surgiu essa criança ferida. Dessa forma, há momentos de frustração, mas também palavras-gatilho, conselhos, autopercepção, que achei muito legais.
Ilário, mas todo lixo que expulsamos volta pra nossa boca
Enfim, pensando bem, é um filme que eu diria: vai ao cinema ver esse filme, porque é muito legal. Em minha opinião, o trabalho imagético foi bem feito; o som, os efeitos de áudio, a trilha, tudo contribui. Apesar de ter notado alguns momentos em que o “croma” (efeito de chroma) nas imagens ficou estranha, quase “minha garota”, quase, mas não deixa de haver paisagens belíssimas. Estamos falando da Amazônia, maravilhosa, e fiquei encantado com as belezas naturais que o Brasil tem. Contudo, isso não tira a importância de pensar sobre o consumismo: para onde vão as roupas que compramos, se produzem rápido etc. Nesse sentido, o filme tem essa caminhada de reflexão. Portanto, vale muito para estudo, reflexão, mais do que para entretenimento puro.
