Esse filme é muito bem feito e, embora seja uma ficção…
…Consegue provocar uma montanha-russa de emoções — talvez até mais intensas do que se eu o tivesse visto no cinema, porventura seja la na telona uma melhor imersão. Desde o início, senti aquela mistura de tensão e empatia, torcendo junto com o personagem principal e vibrando com cada tentativa dele de vencer o próprio destino, então bora resenhar minha opinião sobre este filme.

*Alô galera de cowboy, alô galera de peão, quem gosta de rodeio bate forte com a mão!!!
Logo de cara, quero deixar um abraço forte pra galera do Texas! Faz tempo que não via o estado norte-americano tão bem representado numa obra. A última lembrança que tive foi com Young Sheldon, que também mostra um pouco daquela cultura texana — familiar, rígida e cheia de valores tradicionais. Apesar disso, esse filme vai além: ele mergulha na alma do rodeio e mostra um recorte bem humano. Embora eu, pessoalmente, não seja fã de práticas que envolvam sofrimento animal (se é que o rodeio entra nesse lugar), reconheço que há um simbolismo muito forte ali. E, sinceramente, mesmo com todos os touros lendários do cinema, nenhum deles chega perto do nosso icônico Touro Bandido — o mito brasileiro, perigoso e derrubador de peão.
Valores de família, isso sim é muito forte
A trama, aliás, gira em torno de um homem simples, pai de família, que precisa recomeçar após a perda da esposa. A partir dessa tragédia, ele se vê diante de uma situação ainda mais delicada: o neto, por um acaso genético, precisa de uma cirurgia urgente no cérebro. Desesperado, o avô decide participar de um último rodeio, mesmo lesionado, para conseguir o dinheiro necessário. E é justamente aí que o filme mostra sua força — porque fala de orgulho, de amor e de superação com um toque muito humano.

Aqui é Texas, não me provoque.
Ao longo da narrativa, a presença do orgulho texano é evidente. No entanto, o que mais me chamou atenção foi a forma como o protagonista lida com a dor física, a pressão psicológica e o peso da responsabilidade. Mesmo após ouvir do médico que não poderia competir, ele insiste — e não por teimosia, mas por amor. Essa resistência emocional cria um contraste bonito entre ele e os competidores mais jovens. Enquanto os novatos desfilam com seus uniformes cheios de logomarcas e patrocínios, o veterano entra na arena com o básico: calça jeans, bota, cinto largo, camisa e colete de couro. Sem glamour, sem marketing, mas com muita verdade.
Mesmo com buracos cênicos a entrega inda é boa
Além disso, tecnicamente falando, o filme é um prato cheio. Os enquadramentos são bem pensados e ajudam a contar a história de forma delicada. Eu, que gosto de reparar nesses detalhes, percebi que o início é propositalmente confuso — fiquei na dúvida se a jovem que aparece era filha, esposa ou mãe. E essa incerteza, curiosamente, ajuda a construir a tensão emocional da narrativa. A esposa do protagonista aparece de maneira sutil e depois some, sendo mencionada apenas no final, num tom agridoce que encerra bem o arco do personagem.

Me senti dentro da historia.
Durante toda a projeção, senti aflição. Seja nos segundos contados da montaria, seja nas cenas de hospital, seja nas crises familiares, a tensão é constante. A contagem dos 8 segundos — regra do rodeio — ganha um significado maior, quase simbólico, de resistência humana. E, enquanto o cronômetro corre, o público sente junto com ele cada segundo daquela luta.
No entanto, apesar de todo o drama, há momentos de respiro. Pequenas interações, olhares e silêncios equilibram o peso da história. Isso torna o filme ainda mais verdadeiro. Afinal, a vida também é feita de pausas entre uma dor e outra. E o diretor entende isso perfeitamente, dosando emoção e silêncio na medida certa.
Compensa ir no cinema?
Pra quem me pergunta se vale a pena assistir no cinema, eu digo sem pensar duas vezes: sim. Vale, principalmente, por discutir valores como família, reconciliação, perdão e fé. Mesmo com alguns efeitos visuais limitados — uns cromas meio suspeitos —, o resultado é honesto e coerente com o propósito do filme. Porque, no fim das contas, o que importa não é o orçamento, e sim a alma da história.
Encerrando minha resenha, posso dizer com tranquilidade: é um filme que emociona, provoca reflexão e merece ser visto. Além disso, mostra como o cinema ainda pode nos conectar com temas simples, mas profundos. Então, se houver público pra sentir, haverá sempre motivo pra produzir. Que venham mais filmes assim — humanos, sinceros e corajosos o bastante pra falar de dor e amor com a mesma intensidade.
