O que temos para o futuro?
A segunda temporada de Pacificador usa o multiverso para evoluir personagens e cria segredos que levam a um final… insosso?
James Gunn errou pela primeira vez, mas nem tudo foi ruim. A temporada apostou no multiverso para desenvolver a narrativa, usando-o da maneira certa: como fator para evoluir personagens, não como firula. E hoje falaremos da segunda temporada COM SPOILERS
Enredo
A segunda temporada de Pacificador terminou com um gosto amargo, mas a jornada foi boa. Após os eventos da primeira temporada, quando Adebayo expôs na mídia todas as falcatruas de Amanda Waller com o governo americano, a equipe enfrenta dificuldades para encontrar novas oportunidades e recomeçar a vida.
Chris (Pacificador) descobre que a porta do universo de bolso criada por seu pai não é apenas um arsenal, mas também uma conexão com outros universos. Em um deles, sua família está viva e respeitada como os maiores heróis da cidade: o famoso Top Trio formado por Dragão Azul, Capitão Triunfo e, claro, o Pacificador.
Agora, Chris precisa decidir: volta para seu universo ou permanece neste, onde tudo parece perfeito… ou será que não?

Reprodução HBO MAX
Multiverso sendo usado do jeito certo.
O arco de Chris prova como o multiverso pode ser usado uma chave fundamental para o desenvolvimento do personagem e uma ferramenta para levar a trama para frente, invés de mera firula para fanservice. Quando ele reencontra o pai Auggie (que matou na temporada passada) e o irmão Keith (que matou na infância por influência do pai), John Cena mostra um lado sensível do personagem. Isso revela que o Pacificador não era bruto e babaca em Esquadrão Suicida por escolha, mas porque nunca aprendeu a ser diferente. Adebayo foi a referência que mostrou que existe outro caminho.
Enquanto o multiverso desenvolve Chris, ele também impulsiona dois personagens: Emília Harcourt e Rick Flag Sr. Harcourt luta contra os sentimentos por Chris porque ele matou Rick Flag Jr., seu melhor amigo, em Corto Maltese. Isso explica todo o desprezo que ela sente na primeira temporada.
Rick Flag Sr., por sua vez, assume a liderança da A.R.G.U.S após Amanda Waller ser afastada. Ele usa todo o poder para prender o Pacificador, mas não contava com um portal interdimensional. Para rastrear os portais, Flag recorre à ajuda de Lex Luthor.
Esse detalhe é crucial porque, no final, descobrimos que o portal não foi criado por Auggie Smith, mas por algo muito maior algo que nem Chris consegue explicar. E provavelmente nem humano.

Reprodução HBO MAX
Desfecho insosso e as perguntas para o futuro da DC
O final deixa várias perguntas importantes para o futuro da DC. Apesar do erro no desfecho, o último episódio mudou completamente a personalidade de Rick Flag. Ele virou uma caricatura de vilão maldoso estilo anos 80, do nada, quase esquecendo como era focado. Em Creatures Commandos, parece que o personagem foi da água pro vinho em segundos.
Além disso, agora Lex Luthor tem um acordo com o governo dos Estados Unidos, e isso pode ser crucial para nos levar a Superman: Man of Tomorrow. Segundo James Gunn, Superman e Lex terão que se unir contra algo muito maior. Esse grande vilão pode ser Brainiac, já que a tecnologia interdimensional pode ser dele, ou talvez role uma invasão entre universos.
Se a temporada termina com Keith furioso por saber que o irmão e o pai morreram, talvez o novo filme do Superman aborde algo da Terra X.
Checkmate e a nova dinâmica
Enquanto isso, a equipe de Chris cria a Checkmate. Nos quadrinhos da DC, essa organização secreta lida com ameaças globais que nem mesmo a Liga da Justiça consegue enfrentar diretamente. Ela funciona como uma agência internacional de inteligência e operações militares, misturando espionagem, política e estratégias de guerra.
Agora, a equipe do Pacificador assume o controle da situação. Depois de anos servindo ao governo e obedecendo ordens sem objetivo real de fazer o bem, eles finalmente podem mudar esse panorama.
Personagens icônicos como Amanda Waller, Maxwell Lord e Sasha Bordeaux (que, do nada, traiu Rick Flag e entrou no grupo no final da temporada) consolidam a organização como um elemento essencial para tramas mais sombrias e realistas dentro do universo DC. Porém, tudo indica que ela será suavizada para não parecer uma A.R.G.U.S 2.0.
Para onde Chris foi?
No final, Chris é mandado para uma terra que lembra a cena de Monstros S.A. quando Sully e Mike Wazowski são expulsos da fábrica por uma das portas. Mas onde Chris foi parar?
A resposta, meu caríssimo leitor, é Salvação.

DC Comics – Salvation Run de Bill Willingham e Lilah Sturges
Planeta Salvação e implicações para o DCU
Originalmente, no arco dos quadrinhos Salvation Run (minissérie de 7 edições escrita por Bill Willingham e Lilah Sturges), o planeta surgiu como uma solução de Amanda Waller e Rick Flag para deportar e exilar supervilões perigosos para fora da Terra. Até aqui, nada muito diferente do que aconteceu na série.
Contudo, o que parecia um lugar pacífico era, na verdade, um planeta chamado Cygnus 4019. Mas “Salvação” soava melhor para os humanos. Ele era usado como campo de treinamento para os servos de Apokolips, infestado por parademônios de ninguém menos que Darkseid.
Ou seja, o Pacificador pode ter sido enviado para um lugar extremamente hostil. Se ele não sobreviver às ameaças, Chris pode acabar virando um parademônio de Darkseid ou uma vítima das criaturas que habitam aquele mundo.
Então, James Gunn estaria preparando terreno para a chegada do tirano?
O futuro do DCU e a liderança de Lex Luthor
O arco do Planeta Salvação culmina com Lex Luthor assumindo a liderança dos vilões e cumprindo a promessa de levá-los de volta à Terra através de um dispositivo de teletransporte. A aparição desse planeta sugere implicações políticas complexas no DCU, podendo expor a ganância de líderes como Rick Flag Sr.
Além disso, essa menção pode ser um cenário crucial para futuros filmes, como Homem do Amanhã, previsto para estrear em 8 de julho de 2027 (data sujeita a alterações).
O problema da temporada
O grande problema da temporada foi não ter muito a dizer. Uma história que poderia se resolver em quatro episódios maiores acabou se estendendo por oito. Às vezes, James Gunn perde a mão no que gosta de fazer e esquece o que precisa entregar. Isso mostra um leve desgaste no método, porque em 2025 tivemos três aventuras da DC e todas foram dele. Por mais benéfica que seja a visão dele, vai cansar rápido se outras pessoas não assumirem.
Nossas esperanças estão em Supergirl, dirigida por Craig Gillespie e escrita por Ana Nogueira, e na série Lanterns, com roteiros de Damon Lindelof, Chris Mundy e Tom King, enquanto Gunn atua nos bastidores, liberando os projetos assim que os roteiros estiverem prontos. Podemos sim gostar do trabalho do Gunn mas não podemos nos dar ao luxo de idolatrar ele como uma figura que nunca erra, como fãs podemos e devemos mostrar nossas frustrações para com projetos, e isso não nos torna menos fãs.
Valeu a pena?
Sim! A série pelo menos diverte e não é cansativa porque Gunn está construindo uma narrativa com começo, meio e fim bem definidos. Esse zelo faz diferença. Mas, no final, Pacificador só enche barriga não porque o prato é bom, mas porque a gente estava com fome.
Pacificador está disponível na íntegra na HBO Max.
Não se esqueça de seguir o Hospício Nerd para mais novidades como essa nos seguindo em nossas redes sociais!
Texto por Caio David Alves.
