O Rock Sem Sangue de Springsteen
Salve, meus hospicianos nerds favoritos! Tô chegando com mais uma pílula cinematográfica em forma de resenha pra você. E já vou logo avisando: usem com moderação. Pode causar efeitos colaterais, por causa da grande quantidade da minha OPINIÃO na composição desse medicamento, ok?! Então, vamos nessa!
Sinopse
Springsteen: Salve-me do Desconhecido é a cinebiografia musical de uma das lendas do rock americano.
A trama acompanha a jornada criativa do compositor Bruce Springsteen durante a criação de seu sexto álbum de estúdio, o aclamado Nebraska (1982).
Considerada uma das obras mais sinceras e pessoais do artista, Nebraska foi gravado em um gravador cassete de quatro faixas, no quarto da casa dele, em Nova Jersey. Durante o processo de criação, Springsteen luta entre as pressões do sucesso e os fantasmas do seu passado.
Na época, ele vivia o auge do estrelato global. Nebraska acabou se tornando um ponto de virada em sua carreira — um dos álbuns mais crus e reflexivos que ele já fez.
O filme é bom?
Eu não conhecia a carreira nem a figura de Bruce Springsteen até assistir ao filme. Cheguei com uma certa expectativa, por se tratar de uma biografia. Também por causa do título impactante e convidativo, que transpira um ar misterioso e de busca sobre-humana.
Mas o filme ficou a desejar. Foi algo parecido com o que vi no biográfico da Amy Winehouse. Ali, a preocupação em não “manchar” a imagem da personalidade em tela gerou uma sensação de artificialidade. Em vez de explorar o ser humano, o filme se apoia apenas nas semelhanças físicas dos atores. Em Springsteen, isso é ainda mais evidente. O ator está sempre polido. As reações são artificiais. Falta profundidade diante dos conflitos.
Além disso, notei uma suavização dos dramas — e, convenhamos, o universo do rock raramente é tranquilo. Só lembramos que se trata de rock nas cenas de show. Fora delas, o filme parece se esquecer do próprio gênero. Há uma tentativa de construir um conflito na infância de Bruce, algo que o afetaria na vida adulta — tanto nos relacionamentos quanto na criação do álbum.
Mas o trauma é tão raso e mal explorado que me distanciou completamente do personagem. Passei a enxergá-lo como um grande mimado, sem nenhum pingo de inteligência emocional. O drama de infância se resume ao pai chegando bêbado, brigas com a mãe e o pai o obrigando a treinar luta. Infelizmente, isso não contribui em nada pra trama. Ainda mais pra quem, como eu, cresceu vendo biografias como Ray, Get On Up (James Brown), Respect (Aretha Franklin), Nina, Elvis, Tim Maia, Wilson Simonal e por aí vai.
Nessas histórias, os obstáculos são tão intensos que, quando o artista vence, o público entra em catarse.
Faltou isso em Springsteen: Salve-me do Desconhecido. O que o filme de Robbie Williams (Better Man) teve de sobra — coragem pra mostrar as fragilidades do artista — aqui falta completamente. Lá, o resultado foi uma obra potente. Aqui, só superfície.
Conclusão
É um filme que poderia ter se aprofundado mais. Parece feito com as primeiras ideias de roteiro. As atuações carecem de densidade. Os conflitos são rasos e não justificam as atitudes do personagem. Por isso tudo, eu não embarquei na proposta do projeto!
Obrigado por ficar aqui comigo ate aqui!
forte abraço!!
