Ainda estão vivos?
The Walking Dead completou 15 anos desde sua estreia na televisão, e hoje é uma série morta-viva.
A televisão antes de TWD
O ano era 2010, e o que dominava as televisões estadunidenses eram reality shows como American Idol e Dancing with the Stars. E várias séries que estavam em ascensão ou no seu auge, como Modern Family, The Big Bang Theory e Two and a Half Men.
A AMC (American Movie Classics) é um canal norte-americano que se tornou uma potência em séries originais, sendo responsável por duas das séries mais bem avaliadas da história: Mad Men (lançada em 2007 e finalizada em 2015) e Breaking Bad (lançada em 2008 e finalizada em 2013).
>Por falar em Brasil, essas duas séries chegaram por aqui na TV fechada antes de entrarem no streaming e expandirem seu público.
>A emissora já havia se consolidado como uma marca poderosa no audiovisual por se tratar de uma emissora de TV a cabo que estava nos planos básicos das operadoras, então a quantidade de público que ela alcançava era muito grande. Diferente da HBO, que estava presente em pacotes mais caros tanto nos EUA quanto no Brasil.
>Por falar em Brasil, essas duas séries chegaram por aqui na TV fechada antes de entrarem no streaming e expandirem seu público.
>A emissora já havia se consolidado como uma marca poderosa no audiovisual por se tratar de uma emissora de TV a cabo que estava nos planos básicos das operadoras, então a quantidade de público que ela alcançava era muito grande. Diferente da HBO, que estava presente em pacotes mais caros tanto nos EUA quanto no Brasil.
Aposta no diferente
Por mais que a emissora tivesse sucesso de crítica, ainda faltava um sucesso de público, algo que pudesse criar um fandom e virar um fenômeno de massa.
Quando receberam a ideia de The Walking Dead, uma série de gênero popular (terror/zumbi) e com forte apelo de público, pois tinha uma camada de violência e a história focava nos humanos: como a sociedade viveria em uma nova realidade, tendo um tom dramático bem forte.
The Walking Dead já possuía fama nos quadrinhos em 2010, com mais de 70 edições lançadas até aquele momento, então a série já teria uma fanbase segura se fosse para outras mídias.
Quando receberam a ideia de The Walking Dead, uma série de gênero popular (terror/zumbi) e com forte apelo de público, pois tinha uma camada de violência e a história focava nos humanos: como a sociedade viveria em uma nova realidade, tendo um tom dramático bem forte.
The Walking Dead já possuía fama nos quadrinhos em 2010, com mais de 70 edições lançadas até aquele momento, então a série já teria uma fanbase segura se fosse para outras mídias.
A série caiu na mesa da HBO e da NBC, que queriam mudar muita coisa do material original para se adequar ao público que eles tinham. A AMC, pelo contrário, não queria alterar, mas dar mais liberdade para o time criativo que trabalharia na produção, sendo fiel aos quadrinhos originais do Robert Kirkman. Com a emissora tendo conseguido a marca prometendo isso, encomendou uma primeira temporada de 6 episódios com um potencial de se tornar duradoura (até demais).

The Walking Dead, material de divulgação.
DON’T OPEN, DEAD INSIDE
A primeira temporada de The Walking Dead foi lançada nos EUA em 31 de outubro e no Brasil em 2 de novembro pelo Canal FOX. Foi a série dramática mais assistida da TV a cabo em 2010, com uma audiência de 5,35 milhões de espectadores nos EUA.
A maior estreia da AMC até aquele momento, que só foi batida por Better Call Saul, um spin-off de Breaking Bad, em 2015, com aproximadamente 6 milhões.
No enredo, acompanhamos Rick Grimes (Andrew Lincoln), um policial que, durante o trabalho com seu amigo Shane (Jon Bernthal – que mais tarde se tornaria o Justiceiro da Marvel), é baleado e entra em estado de coma por um mês. Quando acorda, o mundo já é outro: o hospital está abandonado e agora os humanos estão sendo caçados por mortos-vivos.
Rick parte em uma jornada para reencontrar seu filho e sua esposa (que foi muito bem protegida pelo Shane, esse cara é um amigão de verdade).
No enredo, acompanhamos Rick Grimes (Andrew Lincoln), um policial que, durante o trabalho com seu amigo Shane (Jon Bernthal – que mais tarde se tornaria o Justiceiro da Marvel), é baleado e entra em estado de coma por um mês. Quando acorda, o mundo já é outro: o hospital está abandonado e agora os humanos estão sendo caçados por mortos-vivos.
Rick parte em uma jornada para reencontrar seu filho e sua esposa (que foi muito bem protegida pelo Shane, esse cara é um amigão de verdade).
Referencia na cultura pop.
Antes da série, o genero de zumbi estava parado no tempo, algumas obras haviam causado um burburinho no inicio dos anos 2000, mas cada um dele abordando o tema de um jeito, alguns mais aventuresca e gótica como Resident Evil, outras mais violentas como Madrugada dos Mortos, mas no geral era um nicho bem especifico.
The Walking Dead dominou e redefiniu o genero de zumbi na TV para uma nova geração. A franquia expandiu para além da tela com livros escritor por Robert Kirkman, e jogos premiados como The Walking Dead: The Telltale Series. A série provou que histórias de mortos-vivos podiam ser mais do que sustos e gore, explorando dilemas humanos e sobrevivência como nas obras de George Romero, e ajudou a popularizar o terror na TV e no streaming.
Recordes históricos
A série foi ganhando mais público ao longo das temporadas, alcançando a margem histórica de audiência com 17,29 milhões de espectadores ao vivo na estreia da 5ª temporada. Recorde que nenhuma outra série conseguiu superar até hoje sem ajuda de streaming ou reprises. Além disso, The Walking Dead foi a primeira série na história que manteve 72 episódios consecutivos com audiência acima de 10 milhões. Esse acontecimento começou no episódio 1 da 3ª temporada, quando Rick e o grupo encontram a prisão e se inicia o arco do Governador, até o episódio final da 6ª temporada, quando conhecemos Negan e aquele final que maltratou os fãs que esperavam ver o Glenn morrendo como nos quadrinhos, mas o episódio fecha sem sabermos quem foi o escolhido de Negan, deixando os fãs teorizando quem foi a vítima por meses até a estreia da temporada seguinte. O público se sentiu traído, e aquilo sem querer foi um prego no caixão da série.

The Walking Dead, material de divulgação.
A queda
A 7ª temporada chegou com 16,4 milhões de espectadores nos EUA, menor que o pico da 5ª temporada. Por mais que tenha sido um bom retorno, isso já mostrou que o público estava cansado do gênero.
>Ao longo das temporadas, a série teve momentos de tensão muito bons, como as guerras, os conflitos entre personagens, o drama que eles viviam, mas quando o roteiro investia em tramas arrastadas, isso testava a paciência do público.
>Ao longo das temporadas, a série teve momentos de tensão muito bons, como as guerras, os conflitos entre personagens, o drama que eles viviam, mas quando o roteiro investia em tramas arrastadas, isso testava a paciência do público.
Não ter ação em alguns episódios não é problema; quando o roteiro é afiado, qualquer série consegue ser levada nos diálogos dos personagens, mostrando evolução, construção de relação ou conflitos verbais. Porém, em muitas situações, os episódios eram monótonos e não traziam nada de relevante para o panorama geral, e a fórmula por trás do roteiro estava mais indigesta do que nunca.
Ficava visível o formato das temporadas: vilão, comunidade, guerra. Na temporada seguinte: um novo vilão, uma nova comunidade e uma nova guerra. Parecia que a série estava se estendendo sem necessidade, especialmente após a estreia da 7ª temporada, onde vemos personagens muito importantes morrerem e a trama segue arrastada a partir dali, sempre com uma promessa de uma guerra chegando e uma vingança se formando.
A série tinha ganhado um personagem muito carismático, que era o Negan, e a história crescia quando ele estava em cena, mas quando ia para núcleos menores, ela se perdia e parecia só estar enrolando para a temporada ter 16 episódios, que facilmente poderiam ser reduzidos a 8.
A série morta-viva
Após 11 temporadas da série principal, muitos fãs sentiram desgaste de The Walking Dead. A série principal parecia cada vez com menos história para contar e repetindo sempre a mesma coisa: grupos novos se tornando uma ameaça e o grupo principal precisando achar uma nova maneira de manter a comunidade a salvo.
Hoje, a HBO e outros streamings lançam seus episódios semanalmente com um impacto cultural: não é apenas um domingo, é um domingo com episódio de uma série em alta, é um evento, aguardar a semana toda para presenciar aquele momento seja na televisão ou no streaming. The Walking Dead perdeu essa magia de ser um evento na semana, ser um tópico que todo mundo vai falar até o episódio seguinte, e se tornou uma produção bem nichada, onde há poucos fãs, porém fãs fiéis.
Derivados
Não podemos nos esquecer deles, que cresceram ao redor da série, algumas já finalizadas e outras ainda em andamento.
Fear the Walking Dead (2015–2023) mostrou os primeiros dias do apocalipse, algo que os fãs queriam ver. A série começou bem, mas perdeu força com temporadas longas e tramas repetitivas.
The Walking Dead: World Beyond (2020–2021) focou em adolescentes que cresceram no apocalipse. Foi planejada para duas temporadas, mas acabou cancelada na primeira.
Tales of the Walking Dead (2022) trouxe um formato antológico, com cada episódio apresentando uma história própria. Contou com elenco famoso, como Terry Crews (o pai do Chris), talvez a mais desconhecida entre elas. Não agradou, mas tampouco agrediu os fãs.
Dead City (2023 – em andamento) acompanha Maggie e Negan em Nova York, 5 anos após os eventos da série principal. A dinâmica entre os personagens é elogiada, e a audiência é modesta para continuar por mais temporadas.
Daryl Dixon (2023 – em andamento) leva o personagem para a França, com uma trama mais introspectiva e cheia de ação. É considerado um dos melhores spin-offs atuais, embora ainda seja nichado. O carisma de Daryl e Carol carrega a série bem.
The Ones Who Live (2024), produção que originalmente foi planejada para ser uma trilogia de filmes, mas a Fox voltou atrás. Marcou o retorno de Rick (que achávamos ter morrido) e Michonne, atraindo fãs antigos. É o mais comentado recentemente, mas ainda não chega perto do hype da série original.

The Walking Dead: Dead City material de divulgação.
Criatividade tardia
Uma pena, pois algumas dessas séries realmente tinham um valor novo a agregar à franquia: novos tipos de zumbis, tramas, alguns focados no drama, algo que ia além de simplesmente uma nova ameaça e uma nova guerra.
A série original, que chegou a ter mais de 17 milhões de espectadores por episódio, hoje se resume a spin-offs que raramente passam de 1 a 2 milhões nos EUA isso levando em conta unicamente a audiência na televisão e não no streaming.
Afinal, com tantas séries saindo todo dia, algumas do mesmo gênero, é difícil querer ficar em The Walking Dead quando há outras mais curtas e mais originais.
Afinal, com tantas séries saindo todo dia, algumas do mesmo gênero, é difícil querer ficar em The Walking Dead quando há outras mais curtas e mais originais.
Não que TWD não fosse original ou criativa, mas ela ficou na mesmice e preferiu ficar por lá.
E o fato da série ser longa não significa que o interesse vai se perdendo é inevitável se a emissora não vai dando gás para o produto. Veja Game of Thrones, por exemplo, que mesmo com um final daqueles conseguiu manter o interesse do público até o final, seja por amor ou por ódio, e ainda conseguiu revitalizar com os spin-offs A Casa do Dragão e, em 2026, com O Cavaleiro dos Sete Reinos.
Mesmo que a série tenha se tornado uma sombra do que foi um dia, há de se concordar que a jornada foi boa. Alguns choraram quando personagens importantes morriam, outros gargalhavam e torciam para Rick e seu grupo dar a volta por cima.
TWD é um exemplo que por mais histórica que possa ser uma história, até zumbis cansam.
Irônico como, depois de 15 anos, a série se encontra em ostracismo e pode ser definida muito bem por uma frase famosa que o Rick fala:
“We are the Walking Dead”
“Nós somos os mortos que caminham”
“Nós somos os mortos que caminham”
5 episódios mais assistidos de The Walking Dead
Abaixo vai uma lista com os episódios de maior audiencia COM SPOILERS e onde assistir cada série.
TEMPORADA 5, EPISÓDIO 1 – “No Sanctuary”
Audiência: 17,29 milhões (recorde histórico).
Rick e o grupo foram capturados por um grupo canibal. Carol é a única esperança deles saírem vivos.
Audiência: 17,29 milhões (recorde histórico).
Rick e o grupo foram capturados por um grupo canibal. Carol é a única esperança deles saírem vivos.
TEMPORADA 5, EPISÓDIO 2 – “Strangers”
Audiência: 15,14 milhões.
O grupo encontra o padre Gabriel, um personagem misterioso e irritante,enquanto isso a tensão com os canibais cresce ainda mais.
Audiência: 15,14 milhões.
O grupo encontra o padre Gabriel, um personagem misterioso e irritante,enquanto isso a tensão com os canibais cresce ainda mais.
TEMPORADA 5, EPISÓDIO 3 – “Four Walls and a Roof”
Audiência: 14,52 milhões.
Rick e o grupo descobrem que os canibais estão vivos e tramando vingança. O episódio culmina em uma execução brutal dos canibais dentro da igreja, mostrando a face mais sombria de Rick e firmando ele como um líder não muito diferente do Governador em quesito crueldade.
Audiência: 14,52 milhões.
Rick e o grupo descobrem que os canibais estão vivos e tramando vingança. O episódio culmina em uma execução brutal dos canibais dentro da igreja, mostrando a face mais sombria de Rick e firmando ele como um líder não muito diferente do Governador em quesito crueldade.
TEMPORADA 5, EPISÓDIO 4 – “Slabtown”
Audiência: 14,52 milhões.
Beth acorda em um hospital controlado por um grupo desconhecido, onde pacientes são explorados. Esse arco prepara o terreno para sua morte, um dos momentos mais comentados da temporada e decisivos para o desenvolvimento de Maggie.
Audiência: 14,52 milhões.
Beth acorda em um hospital controlado por um grupo desconhecido, onde pacientes são explorados. Esse arco prepara o terreno para sua morte, um dos momentos mais comentados da temporada e decisivos para o desenvolvimento de Maggie.
TEMPORADA 5, EPISÓDIO 5 – “Self Help”
Audiência: 14,07 milhões.
Durante a viagem para Washington, Eugene confessa que mentiu sobre a cura. Essa revelação destrói a esperança do grupo e abala Abraham, mudando completamente o rumo de todos.
Audiência: 14,07 milhões.
Durante a viagem para Washington, Eugene confessa que mentiu sobre a cura. Essa revelação destrói a esperança do grupo e abala Abraham, mudando completamente o rumo de todos.

the walking dead the ones who live – Material de Divulgação.
ONDE ASSISTIR?
A série principal e suas 11 temporadas estão na Netflix e na Disney+. Seus derivados estão na Amazon Prime Video até o momento de publicação desse texto.
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Texto por Caio David Alves.
