Leonardo cantou, na música dele, que “em festa de rodeio tem que ter o braço forte” E na minha opinião, nesse filme é sobre isso: braço forte, coração batendo a milhão — com minha alma quase saindo do corpo. Este ano, pude ver dois filmes de rodeio: um americano, (O ultimo rodeio) com um viés muito legal, quase de produção autoral, com poucos recursos, mas com uma história muito bonita, baseada em fatos reais — gostei bastante. E este filme nacional, “Asa Branca”, me deixou boquiaberto, me deixou estupefato e totalmente perplexo nas minhas noções e percepções.
Uma bela obra de cinema nacional
Isso porque ver uma produção nacional — Brasil produzindo com poucos recursos e tanta coisa para acertar — me impressiona. Pela primeira vez em muitos anos, pude ver um filme nacional ficar muito melhor do que um filme americano. Se você for assistir os dois, é muito provável que bata palmas para essa produção brasileira. Em comparação ao filme estrangeiro, se esse filme teve um espetáculo de imagens, som e luzes, sombra e o rodeio, ele foi mais profundo quanto à imagem do campo, do pôr do sol — a forma como isso foi costurado me encantou como telespectador. Esse filme conseguiu trazer para o cinema a “vivência” do rodeio.
Infelizmente eu nunca fui — por enquanto — ao rodeio. O máximo que pude assistir, enquanto animal e plateia humana, foi uma rinha de galinha. Mas este filme, em sua totalidade, arranca aplausos nas suas referências. E não somente porque foi baseado em fatos reais: traz uma riqueza de semelhança, tanto em fatos acentuados quanto em pontos sutis. Eu gostei muito do que assisti. Tudo que foi mostrado me marcou.

Qual a melhor cena? Todas!
É difícil dizer qual foi minha cena favorita: gostei do filme do início ao fim. Com toda a complexidade que envolve o personagem principal — quando há muito dinheiro, a luxúria e a fama trazem consigo coisas pecaminosas — ainda carregando consigo a falta do seu verdadeiro amor… Neste caso, o filme funciona como lenda, biografia, um ponto de partida. Ele me incentiva a visitar, pesquisar para saber de fato o que realmente aconteceu na vida real.
Esse filme serve como gatilho para querer abrir o YouTube e buscar mais vídeos, mais referências — de tão bom que foi. É assim que um filme merece ser: desperta vontade de aprender. Diferente de outros que já vi. E nas resenhas aqui pelo Hospício Nerd, tenho essa dificuldade: às vezes não vou atrás para pesquisar de fato. Mas esse não.
Para mim, ver um filme feito no Brasil que conseguiu comunicar de forma tão precisa — retratar uma história real com paixão e competência — dá uma aflição no peito de orgulho. A produção nacional quase sempre explora muita coisa, mas nem sempre consegue alcançar seu objetivo. Este sim alcançou: tem um enredo bem produzido e uma fotografia marcante.
Sobre um “herói” nacional
Nesse sentido, esse filme retrata para mim, em minha opinião, um herói nacional — alguém que inovou no Brasil com o rodeio. Esse cara foi criativo: investiu em viajar para o exterior, ver como eram os rodeios lá fora, percebeu que não era só montar um touro e ficar sete segundos em cima dele. Ele entendeu que dava para transformar aquele microevento em espetáculo — um show para o povo curtir todo o “rolê”, toda a história, todo o processo.
E sendo assim, vendendo um material coeso, como um grande mestre de cerimônia, como um orador incrível para envolver o público, esse personagem fecha muito bem sua redenção. Achei isso muito legal também. Agora, os poucos elementos, os detalhes e personagens específicos do rodeio — se de fato aconteceu de verdade — é algo que dá pra pesquisar. Esse filme que vi hoje me deixou instigado: o mestre de cerimônia entrou na arena, isso para mim já é um baita risco. Eu entendo o quanto organizar um evento grande não é fácil: envolve burocracia, licenças, autorizações, alvará — fazer algo de impacto não é simples.
E sim: ele fez — e fez bem feito. Ele se tornou eternizado na memória — por muita coisa boa que esse filme pode trazer para quem vier atrás. Por isso, precisamos visitar essas referências. Esse filme fecha esse cerco, sendo essa coisa bacana que leva a gente a querer pesquisar mais sobre esses grandes artistas que passaram pelo Brasil.
