Meu Deus do céu… que filmaço! Estreia agora dia 19/02/2026
Pqp, que aula de cinema com elenco reduzido e qualidade cinematográfica absurda. A cabine de hoje entregou tudo em minha opinião. Eu saí da sessão com aquela sensação de “valeu a pena acordar cedo, pegar três ônibus e pagar o balde de pipoca”. Valeu o esforço. Valeu cada minuto.
A tradução do título é fraca mas o filme supera tudo
Primeiro que esse título já me causou estranhamento. O Frio da Morte? Eu, particularmente, resisti bravamente à tentação de assistir ao trailer. Fui no escuro. E ainda bem. Quando vi a atriz principal carregando o filme nas costas — e sustentando cada cena como se fosse a última — pensei: “uau… isso é cinema.”
O elenco é enxuto e quando eu digo enxuto, é curtinho mesmo. Dá pra contar nos dedos: ela, ele, aquele outro, mais um ali… sete personagens no máximo. E, ainda assim, o filme não fica pequeno. Pelo contrário — cresce. Porque quando não se apoia em multidão, o roteiro precisa ser forte. E aqui ele é.

Onde foi gravado isso Jesuis?
A ambientação é outro espetáculo. Não sei dizer se aquilo é Alemanha, Finlândia ou algum outro canto gelado da Europa, mas o cenário é absurdamente bem construído. Frio cortante, neve e gelo em varios momentos. As transições de câmera são tão suaves que não geram desconforto algum. Tudo foi pensado. Tudo foi calculado.
É um filme que fala muito no silêncio. A personagem comunica dor no olhar. Não precisa de grandes discursos. Uma lágrima que cai diz mais do que páginas de diálogo. E eu senti. Senti a dor dela nos momentos em que revive o passado. Isso é mérito de direção, de atuação e de fotografia trabalhando juntas.
Quanto custou para fazer este filme?
Fiquei, inclusive, me perguntando qual foi o orçamento disso tudo. Não parece um filme caro por causa do elenco reduzido, mas a produção é extremamente cuidadosa. Locação, estrutura para filmar em ambiente congelante, controle de clima… não faço ideia de quantos milhares de dólares foram investidos. Só sei que cada centavo apareceu na tela em forma de arte cinema.
Agora, nem tudo é intocável. Em alguns momentos, eu me questionei sobre certas habilidades da personagem. De onde veio tanta experiência? Onde ela aprendeu aquilo? Em contraste, há momentos em que ela soa ingênua. Essa dualidade levanta dúvidas — mas talvez seja justamente essa contradição que a torne humana.
Os diálogos são poucos, porém profundos. Não é um filme verborrágico. Ele é preciso. E quando fala, fala para acertar. No final, fiquei pensando que outros caminhos poderiam ter sido tomados. Entretanto, entendo que a proposta foi uma espécie de redenção. Uma entrega. Um aceitar do destino.

Vale cada centavo ver este filme no cinema
No geral? Um trabalho muito bem feito. Eu realmente gostaria de visitar os lugares onde essa obra foi filmada. E confesso: mesmo com o encerramento fechado, deu vontade de ver uma continuação.
Mais uma vez, agradeço ao Hospício Nerd por proporcionar experiências assim — seja em pré-estreia, cabine ou sessão comum. O cinema ainda respira. E, às vezes, ele respira frio.
