Você já se benzeu hoje?
Já parou pra pensar se aquelas vontades e desejos estranhos que vêm do nada têm relação com o que você realmente quer…? ou se tem alguma influência vindo do outro lado? Pois o filme de hoje aborda completamente isso, e esta resenha é baseada na minha opinião sobre o filme.

Foi praticamente uma cabine espiritual.
Reparei que hoje o cinema estava lotado, e no duplo real sentido da situação. Primeiro porque teve uma caravana enorme acompanhando a exibição desse filme de conteúdo espírita baseado na obra de Allan Kardec. Segundo bem provável que a sala e de gente que eu não via.
E eu tenho esse privilégio de não ver essas coisinhas, porque se o povo de carne e osso já é fei que dói, mas no bom sentido, sem desconforto, só aquela externalização das carnalidades mesmo, imagina as criaturas do outro lado?
E o filme apresenta isso de um jeito muito didático. Não daquela forma mastigada de “1 + 1 = 2”, mas desenha tudo com tanta clareza na atuação que mesmo quem for descrente sai da sala entendendo os contextos espirituais que ele quer abordar. O filme não apela pras firulas exageradas de cinema. Não tem CGI poluído, ação desenfreada nem aquela vontade de impressionar no susto visual. Aqui é atuação simples, direta e bem feita em várias camadas.
Não vou dizer que foi 100% perfeito porque as cenas dentro do hospital me pareceram muito fracas. Talvez por excesso de séries médicas que já assisti, aquilo ali ficou artificial demais. Procedimentos rasos, ambientação simples demais pra famílias que teoricamente tinham estrutura e dinheiro. Achei bem abaixo do resto da produção.

Clima pesado, treta tipo casos de família.
Tem tentativa de estupro, suicídio, mortes, traições e um monte de realidades retratadas acontecendo. Em alguns momentos parece até episódio de Casos de Família versão espiritualizada. Só que por trás desse caos todo, ele constrói reflexões muito satisfatórias. É aquele tipo de filme que eu termino de assistir já querendo comprar o livro pra mergulhar mais fundo. Pra entender se foram fiéis ao que foi escrito — ou melhor, psicografado.
E foi engraçado porque fui completamente no escuro. Não vi trailer, sinopse, não procurei nada. Depois de tantas decepções por spoiler emocional que já relatei aqui no Hospício Nerd, resolvi só ir. Na minha cabeça eu tava esperando um drama meio “vida louca”, quase um Se Beber, Não Case. Mas o filme vai por um caminho muito mais íntimo e reflexivo dentro de um contexto familiar.

Será que estamos sozinhos no ambiente?
Esse desejo que você sente vem de dentro? É saudável? Ou tem alguma coisa encrostada ao seu redor influenciando suas decisões? E essa reflexão pega. O longa traz várias citações de Chico Xavier, principalmente no final, onde rola um áudio original muito bonito dele. Também aparecem referências ao Evangelho Segundo o Espiritismo e outros ensinamentos que dão um peso emocional bem sincero pra narrativa.
Independentemente da sua crença, é um filme que vale assistir em minha opinião. Porque no fim ele não tá só falando de espiritualidade. Tá falando de comportamento humano, impulsos primitivos, escolhas e responsabilidade.
Se tudo isso é real ou não, aí vai da fé de cada um. Eu respeito a crença alheia e mantenho meu ceticismo saudável. Mas quer saber? Não custa nada viver direito. Vai que… Melhor ser uma boa pessoa no falar, no sentir e no viver do que pagar pra ver depois.
Que a paz de Jesus Cristo, que excede todo entendimento, esteja com você, comigo e com todo mundo. Porque esse filme fala justamente sobre isso: cada vivência, cada tropeço e cada aprendizado fazem parte da passagem. E preciso dizer: o obsessor foi MUITO bem desenhado visualmente. Ilustraram aquilo de um jeito tão convincente que cheguei em casa me perguntando um monte de coisa.
Mas como eu tô em paz comigo mesmo… quem me guarda não dorme. E nem é um anjo só não. É uma legião, meus calabresos. Firmes na proteção. Depois eu leio o livro e volto aqui pra dizer se a leitura é tão forte quanto a experiência do cinema.
