Isso mesmo, gente: o Kenny morreu na quinta temporada.
E, por mais estranho que pareça, a sexta temporada resolve levar essa ideia a sério. Em vez de simplesmente trazer o personagem de volta como se nada tivesse acontecido, a série tenta preencher o vazio deixado por ele, e aí começa um dos experimentos mais curiosos que South Park já fez. (RESENHA BASEADA NA MINHA OPINIÃO SOBRE A SÉRIE)
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Me escolham para ser o quarto amigo de vcs (Butters)
Primeiro, vemos o Butters sendo testado como integrante do grupo principal. A ideia até tinha potencial, mas logo fica claro que a dinâmica não funciona da mesma forma. Depois entra o Tweek, que acaba assumindo o posto por mais tempo e gera várias situações engraçadas por causa da sua personalidade completamente paranoica e acelerada.
O mais curioso é que a própria série parece reconhecer que existe um vazio ali. Por mais que novos personagens apareçam e ganhem destaque, a ausência do Kenny é sentida durante praticamente toda a temporada. Eu, pelo menos, senti falta dele em vários momentos. Pode parecer estranho, porque muitas das vezes ele tinha poucas falas compreensíveis por causa do capuz cobrindo a boca, mas sua presença já fazia parte da identidade da série.
Talvez justamente por isso tenha surgido uma das melhores coisas dessa temporada: o Professor Caos. A ideia de transformar uma criança rejeitada em um supervilão é tão absurda quanto genial. O personagem nasce de uma mistura de vingança infantil, carência e imaginação exagerada, e isso rende algumas das situações mais engraçadas da temporada.
O melhor é que o Professor Caos não é um vilão assustador. Pelo contrário. Grande parte da graça está justamente na ingenuidade dele. Enquanto tenta criar planos malignos para destruir seus inimigos, muitas vezes ele parece apenas uma criança brincando de ser malvada. Essa combinação entre fofura e desejo de vingança acaba tornando o personagem extremamente divertido. Sem deixar passar batido a homenagem aos Simpsons, no EP em que professor caos tenta algo diabólico mas os Simpsons já fizeram hahahaha.

Poucos palavrões, muitas cenas absurdas de ousadas
Também é interessante perceber como South Park vai ficando maior a cada temporada. A abertura da série já não é mais a mesma das primeiras temporadas. Novos personagens aparecem na vinheta, a música sofre alterações e o universo da série parece cada vez mais povoado. Dá para sentir que os criadores estavam expandindo aquele mundo muito além do quarteto principal.
Mesmo sem Kenny, a temporada continua entregando episódios provocativos, absurdos e recheados daquele humor desconfortável que virou marca registrada da série. Personagens antigos voltam a ganhar destaque, como o Sr. Garrison, que continua proporcionando algumas das situações mais bizarras possíveis dentro de um ambiente escolar.
E claro, Eric Cartman continua sendo Eric Cartman. É impressionante como ele consegue fazer ou dizer algo absurdo em praticamente todos os episódios. Muitas vezes suas atitudes são tão exageradas que a gente fica sem reação. O humor da série não está em concordar com ele, mas justamente em mostrar o quão absurdo é o seu modo de enxergar o mundo.
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Será que a próxima valerá a pena assistir
Ao terminar essa sexta temporada, fiquei com uma sensação estranha. Não foi uma temporada ruim — muito pelo contrário. Ri bastante, me diverti e conheci personagens que acabaram se tornando importantes para a série. Mas, ainda assim, senti falta do Kenny do começo ao fim.
Talvez esse tenha sido justamente o objetivo dos criadores: mostrar que aquele garoto de casaco laranja, voz incompreensível e destino trágico era mais importante para South Park do que parecia. Agora fico aqui, olhando para a sétima temporada e me perguntando: será que ele volta? Ou será que a série realmente teve coragem de seguir em frente sem ele?
