Meu coração recebeu essa temporada com pura alegria. Sim, o Kenny voltou!
Depois de passar toda a sexta temporada sentindo falta daquele pobrezinho ser humano de casaco laranja, voz abafada e destino questionável, foi muito bom reencontrá-lo. E uma das coisas que mais me surpreendeu foi descobrir que ele é ruivo. Parece uma informação boba, mas depois de tantas temporadas vendo apenas um capuz cobrindo praticamente todo o personagem, qualquer detalhe novo acaba chamando atenção. (RESENHA BASEADA NA MINHA OPINIÃO)
Como se nada tivesse acontecido…
O que me incomodou um pouco foi a forma como esse retorno aconteceu. Eu esperava alguma explicação mirabolante, uma justificativa absurda ou pelo menos uma piada sobre o fato de ele ter desaparecido durante toda a temporada anterior. Mas não. Simplesmente amanhece um novo dia e o Kenny está lá novamente, como se nada tivesse acontecido. Nenhuma grande revelação, nenhum discurso emocionante, nenhuma tentativa de explicar sua ausência. South Park apenas segue em frente e espera que você aceite. E o mais engraçado é que, depois de alguns episódios, você realmente aceita.
Na versão dublada, inclusive, tive a impressão de conseguir entender um pouco mais do que ele fala. Continua abafado, continua difícil, mas em alguns momentos parece que dá para captar uma palavra ou outra perdida no meio do capuz.
Outra mudança que percebi foi a redução das mortes do Kenny. Nas primeiras temporadas existia quase uma tradição: você sabia que, em algum momento do episódio, algo terrível e completamente sem sentido aconteceria com ele. Era praticamente uma regra da série. Agora isso já não acontece com a mesma frequência, e fiquei pensando se aquilo era apenas uma piada recorrente ou se existia algum significado maior por trás daquela escolha dos criadores.
Absurdamente provocativos, politicamente incorretos
Mas se tem uma coisa que South Park continua fazendo muito bem é provocar. A temporada traz episódios envolvendo alienígenas, conflitos políticos, disputas entre Estados Unidos e Canadá e várias outras situações que só poderiam existir dentro desse universo completamente sem noção. O mais impressionante é que, por mais absurdo que tudo pareça, a narrativa consegue amarrar essas ideias de uma forma extremamente divertida.
E, claro, Eric Cartman continua sendo o motor do caos. A cada temporada fica mais evidente que boa parte das histórias só existe porque ele toma uma decisão horrível em algum momento. É quase como o atacante de um time de futebol: ele inicia a jogada, cria o problema, arrasta os amigos para dentro da confusão e, quando você percebe, tudo já desandou completamente. Muitas vezes fico imaginando como seria South Park sem Cartman e simplesmente não consigo visualizar.
Abertura da serie mostrando que é tudo colagens de papel
Uma coisa que também me chamou atenção foi revisitar a abertura e lembrar da origem da série. Aquela estética de colagens de papel, lembrando uma animação em stop motion extremamente simples, continua tendo um charme enorme. É curioso pensar que um desenho visualmente tão tosco conseguiu construir um universo tão rico, tão duradouro e tão influente.
A série nunca tenta esconder sua própria natureza. Desde o aviso dizendo que o programa não deveria ser assistido por ninguém até os personagens soltando palavrões e fazendo comentários absurdos, tudo parece uma grande provocação ao espectador. E talvez seja justamente isso que faz South Park funcionar tão bem depois de tantos anos.
Uma característica que continua me intrigando é a forma como as temporadas terminam. Diferente de muitas séries, raramente existe aquela sensação de encerramento definitivo. Não há um grande objetivo sendo concluído ou um final que pareça dizer “acabou”. Pelo contrário. Os episódios seguem quase como aventuras independentes, e quando a temporada termina você simplesmente percebe que ainda existe muito mais mundo para explorar.
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A série tem inicio e meio, nunca um fim.
Talvez seja justamente essa falta de conclusão que me faça continuar assistindo. Nunca parece a última temporada. Nunca parece que os personagens chegaram ao fim da jornada. Existe sempre a sensação de que, no próximo episódio, alguma ideia completamente maluca vai surgir e transformar tudo novamente.
E agora, com Kenny de volta ao grupo, confesso que estou muito mais animado para descobrir quais absurdos me aguardam na próxima temporada.
